Coisas que apesar da propaganda continuam a não passar por aqui

A Bloom Consulting é uma empresa especializada no desenvolvimento da estratégias de marca de cidades e países. Entre os seus clientes, podemos encontrar agências de turismo de uma grande parte dos países europeus, da Alemanha à Letónia, bem como vários ministérios, regiões ou cidades. Portugal já recorreu aos serviços da Bloom, não só através do governo como também através de municípios como a Figueira da Foz ou Castelo Branco.

Com sede em Madrid e escritórios em Portugal e no Brasil, esta empresa liderada pelo português José Filipe Torres (CEO) tem sido alvo da atenção da imprensa internacional como o BBC, a CNN ou a conceituada The Economist, que teceram rasgados elogios à acção da empresa. Pelo segundo ano, a Bloom Consulting publicou uma análise ao potencial da marca de cada um dos 308 concelhos portugueses, atendendo a três grandes categorias: Negócios/Investimento, Visitar/Turismo e Viver/Talento. Segundo José Filipe Torres (citação extraída do Jornal de Negócios), e em traços gerais, o ranking é obtido da seguinte forma:

O ranking foi elaborado através do cruzamento de diversos dados estatísticos, como desemprego, número de hospitais, salário médio, taxa de criminalidade ou dormidas turísticas por município, com 15 grupos de perguntas-chave, que agrupam “o que as pessoas procuram no mundo inteiro num município”, explica Filipe Roquette

Posteriormente, esses dados são comparados com a “comunicação online de cada município: o que comunica e o número de pessoas a quem chega essa informação”, tendo por base o site da autarquia e a sua presença nas redes sociais.

Em 2014, o resultado do concelho da Trofa foi o seguinte:

Negócios/Investimento: posição 74º                                                                             Visitar/Turismo: 144º                                                                                                   Viver/Talento: 50º                                                                                                                    GERAL: 74º

Passado um ano, a Bloom voltou a elaborar o seu Portugal City Brand Ranking e os resultados sofreram alterações:

Negócios/Investimento: posição 86º                                                                             Visitar/Turismo: 146º                                                                                                   Viver/Talento: 67º                                                                                                                    GERAL: 99º

Temos portanto uma queda em todas as categorias: duas posições no Turismo, 12 no Investimento, 17 na categoria Viver e 15 posições no ranking global.  E se no Turismo a diferença é residual, isto apesar do discurso do poder apontar para melhorias significativas (a ideia de colocar placas identificativas do Castro de Alvarelhos e da Igreja de Santiago de Bougado na A3 foi uma boa ideia mas precisa de ser materializada), a queda na qualidade de vida parece lógica num concelho onde apesar das inaugurações parciais, a fazer lembrar uma velha história de um tal de Parque das Azenhas nas últimas Autárquicas, nem o parque está ainda verdadeiramente concluído.

Mas aquele que me parece o indicador mais penalizador para a agenda, propostas e discurso da coligação Unidos pela Trofa é aquele que diz respeito ao Investimento, uma das grandes bandeiras eleitorais do PSD/CDS-PP que, infelizmente, ainda parece uma miragem. Isto num contexto geográfico em que todos os nossos vizinhos se encontram nos 50 primeiros lugares. Para quando uma melhoria significativa nesta bandeira do executivo? Quando é que o futuro do investimento passará efectivamente por aqui? Discursos bonitos como o que abre este texto são manifestamente insuficientes, fazem falta acções concretas que, até ao momento, se resumem à vinda da empresa gerida pelo mandatário da coligação às últimas Autárquicas. Não chega meus senhores.

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Metro: a luta do PCP e o silêncio do bloco central

Metro

 

Imagem@Novidades de Henrique Almeida Cayolla

No final do passado mês de Abril, o PCP entregou na Assembleia da República um projecto de resolução cujo o objectivo é garantir a construção do metro até à Trofa até ao final do segundo semestre de 2016. É bom saber que nem todos os partidos se escondem por trás de expedientes burocráticos e que apenas apoiam esta obra quando lhe convém eleitoralmente, quando estão na oposição ou quando lhes apetece dar uma de bairrista. E se há algo que se instrumentaliza por cá nos dias que correm, esse algo é com toda a certeza o bairrismo. Às vezes é tão denunciado e falso que chega a causar repulsa.

Se é verdade que o poder do PCP no Parlamento é diminuto, na medida em que a sua representação é pequena quando comparada com os seus pares do bloco central, não é menos verdade que os comunistas têm sido, como de resto é hábito neles, para o bem e para o mal, fiéis à mesma linha de argumentação no que à luta pelo dossier metro diz respeito. Honório Novo, um dos melhores deputados que tive oportunidade de ver na Assembleia da República, foi um farol por esta reivindicação. O trofense Jaime Toga tem sido incansável sobre esta matéria. O PCP Trofa nunca deixou cair esta bandeira. O mesmo não podemos dizer sobre PSD (com ou sem CDS) e de PS, tendo já ambos mentido e manipulado de forma descarada sobre a resolução do problema sem que fossem penalizados por isso. E sem que qualquer tipo de solução tenha sido obtida claro.

O local escolhido para a apresentação da proposta do PCP é já um símbolo na luta trofense pela vinda do metro para o concelho: a estação do Muro, local de manifestações e poesia interventiva nas paredes. Ali, Jaime Toga explicou que se pretende dar continuidade ao projecto apresentado em 2012, que recomendava ao governo a extensão da linha C do ISMAI até à Trofa, propondo uma calendarização para a concretização da obra e desta forma criar um compromisso que não permita o projecto acabar enfiado numa gaveta do Terreiro do Paço.

Jaime Toga insistiu no discurso eleitoralista que tem marcado o debate entre as forças do bloco central trofense em torno deste tema. Depois das promessas, dos cartazes enganadores e dos teatros com secretários de Estado, a realidade é que o metro é cada vez mais uma miragem. Adicionalmente, a intenção do governo em entregar a concessão da Metro do Porto a uma empresa privada espanhola aumenta em 10 anos o período durante o qual não haverá qualquer avanço nesta matéria, um acordo com meses relativamente ao qual não é conhecida qualquer tomada de posição da parte da coligação Unidos pela Trofa. Vale a pena ler o artigo do dirigente comunista Jaime Toga n’O Notícias da Trofa.

Sobre este tema, o programa eleitoral da coligação Unidos pela Trofa às Autárquicas da Trofa diz o seguinte:

Financeiramente, da forma como o país está, o investimento que a Metro tem que fazer na Trofa torna-se viável se definirmos duas fases distintas em termos de prazos: numa primeira fase, a ligar o ISMAI ao Muro (uma prioridade da qual não abdicaremos e que representa uma distância reduzida); de seguida, estabelecer a ligação do Muro com o centro da Trofa e criar um interface rodoferroviário junto da actual estação de Caminhos-de-ferro. Sem abdicar deste direito do concelho da Trofa em ter o Metro até ao centro da cidade.

Mas a verdade é que o segundo ano de mandato está a aproximar-se do fim e os avanços conhecidos são zero. A freguesia do Muro continua a ser a mais prejudicada mas é a Trofa como um todo que continua numa situação precária no que às acessibilidades diz respeito. Até quando? Talvez até às próximas Autárquicas.

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A água mais cara do país também passa por aqui

Água

Para quem não teve oportunidade de ver a capa do JN que abre estas linhas, fica aqui para a posteridade mais um daqueles momento em que a Trofa volta a fazer manchete pelos piores motivos. Se a esmagadora maioria dos trofenses já tinha percebido que a factura da água é obscena, ficaram agora a saber, sem sombra para dúvidas, que pagam literalmente a água mais cara do país. E sabemos a quem temos que agradecer.

Em primeiro lugar agradeçamos a Joaquim Couto, homem que governou uma Trofa anterior à emancipação, uma Trofa que contribuía com uma fatia de leão da receita fiscal tirsense mas que recebia em troca meros “peanurs” como diria Jorge Jesus. Segundo um curto comunicado na página de Facebook da CMT, terá sido ele a assinar o contrato que estipula o tarifário da água no nosso concelho, contrato esse que vigora até 2032. O actual executivo afirma ter conseguido reduções no preço mas a verdade é que tal não é minimamente notório.

Em segundo lugar, agradeçamos ao anterior executivo liderado por Joana Lima, que também segundo a publicação do executivo PSD/CDS-PP na página de Facebook da Câmara Municipal da Trofa terá sido o responsável pelo “aumento verificado nas Tarifas de Saneamento dos consumidores Trofenses“, algo que se deve “à passagem da prestação deste serviço de Saneamento para a empresa Águas do Noroeste SA, no âmbito de um Contrato de Parceria, assinado a 5 de julho de 2013, pelo anterior Executivo Municipal liderado por Joana Lima“. O contrato assinado já no final do mandato socialista tem uma vigência de 50 anos. Ficamos portanto presos a este assalto até 2063.

Segundo o executivo, esta é a verdade dos factos. E os culpados são única e exclusivamente os socialistas e eles – a coligação – tudo fizeram para minimizar o impacto. O tempo ocupar-se-á de nos esclarecer. Mas, reza a lenda, a ideia de passar o serviço de saneamento para a Águas do Noroeste (ou empresa similar) nasceu há muitos anos, ainda Bernardino Vasconcelos era presidente da CMT. Será que alguém aparece para reivindicar esta herança, caso a mesma corresponda à verdade?

CMT

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A insustentável negação socialista

Pizarro

Foto@O Notícias da Trofa

No final de Abril, e em linha com um conjunto de actividades que tem vindo a desenvolver, a JS Trofa convidou o dirigente socialista Manuel Pizarro para dar a sua visão pessoal e do partido do qual é Secretário Nacional sobre a actual situação do Sistema Nacional de Saúde (SNS). Uma iniciativa interessante que só pecou pela apresentação de uma visão parcial do problema que hoje atinge o SNS e que, ao contrário daquilo que os socialistas tentam difundir, resulta de uma culpa partilhada entre eles e os seus pares sociais-democratas. E Manuel Pizarro, antigo secretário de Estado da Saúde, tem responsabilidades acrescidas no problema.

Foi particularmente interessante ver Manuel Pizarro falar sobre a incapacidade do centro de saúde do concelho para dar resposta às necessidades dos trofenses quando durante os 6 anos do governo do qual fez parte não mexeu uma palha que fosse para alterar essa situação. É verdade: as instalações do actual centro de saúde são insuficientes e inadequadas e, guess what, o PS esteve no poder a acabar com finanças públicas do país e nem por isso conseguiu mandar para cá uns milhões para resolver o problema, mesmo quando governo e a autarquia eram da mesma cor. Honra seja feita ao actual executivo que conseguiu finalmente desbloquear o processo e que criou condições para um avanço significativo na qualidade de vida dos trofenses.

Apesar de tudo, partilho da opinião do dirigente socialista quando este refere que o actual governo tem feito um óptimo trabalho a destruir o SNS. De resto dando continuidade ao trabalho anteriormente desenvolvido pelo PS. Casos recentes como o aumento de mortes nos hospitais, a falta de médicos de família ou as intermináveis listas de espera nos hospitais públicos contrastam com algum compadrio denunciado no que ao sector privado da saúde diz respeito. Mas falar de centralismo quando o governo do qual fez parte foi tão ou mais centralista que o actual chega a ser irónico. Pizarro devia ser mais honesto e recordar os socialistas que a machadada final na economia portuguesa foi dada por eles e se hoje falta dinheiro no SNS, apesar da história mal contada desta crise, a culpa também é do Partido Socialista.

O branqueamento do passado recente socialista levado a cabo pelos próprios socialistas que (des)governaram o barco chega a ser insultuoso. Compreendo que estejamos em período de pré-campanha mas tal não justifica a falta de decoro com que se insurgem contra a situação actual do país como se não fosse nada com eles. Talvez seja esta incapacidade de reconhecer o erro que os levará a ter o mesmo destino que o PASOK teve na Grécia, sendo remetidos para uns insignificantes 5% do eleitorado. Talvez aí tenham a humildade de olhar para dentro e reconstruir um partido que já foi um baluarte da democracia e que hoje não passa de uma falsa alternativa que pouco ou nada mudará no rumo actual do país.

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CEAT: o sucesso e a excelência que emerge da precariedade

CEAT

Foto@O Notícias da Trofa

Por altura da subida do CEAT – Clube Estrelas Aquáticas da Trofa – à primeira divisão nacional de Pólo Aquático, a nossa leitora Evangelina Ribeiro publicou neste espaço um apelo à mobilização dos trofenses em torno deste projecto e à presença de representantes da autarquia no jogo do título. Passados alguns dias, o CEAT sagrou-se campeão nacional do 2º escalão, uma honra rara para uma instituição desportiva da nossa terra. Sem uma única derrota.

Alguns dias depois, tive a oportunidade de ler sobre a entrevista do presidente do clube, Paulo Rafael Ribeiro à TrofaTV e confesso que chega a ser triste perceber as dificuldades com que estes atletas de excelência lidam diariamente. Para além de não terem condições para treinar na Trofa – talvez porque quem projectou a piscina do Aquaplace não tenha sequer pensado nessa hipótese – os atletas do CEAT são forçados a fazer 50km todos os dias para treinar na Senhora da Hora, com todos os custos suportados pelo seu próprio bolso, a que acresce uma mensalidade de 25 euros com que cada atleta contribuiu para fazer face às despesas correntes de um clube que muito pouco recebe da autarquia. As palavras do presidente do clube, são ilustrativas da situação:

Há pessoas na Trofa que inviabilizam por completo o crescimento do CEAT. Pessoas que, pura e simplesmente por mesquinhez ou por doença mental, não deixam que o CEAT cresça, cabendo, na devida altura, ao senhor presidente dizer se quer que o CEAT continue ou se mais vale fazer uma escritura pública e ser Clube Estrelas Aquáticas do Mundo, do Universo ou do outro lado qualquer, porque andamos à custa de duas ou três pessoas, dos miúdos e dos pais dos miúdos a levar o nome da Trofa a Portugal todo.

Mas sejamos justos: quero que o caro leitor saiba que a CMT disponibiliza um autocarro para as deslocações do CEAT. Não sei há quanto tempo mas parece ser há pouco pelo que pude apurar. Contudo, o motorista é o CEAT que paga. Tal como a piscina na Senhora da Hora. Segundo Paulo Rafael Ribeiro, o clube teve reuniões com todos os autarcas trofenses desde a formação do concelho mas, nas suas palavras, “nunca nada é possível para o CEAT”.

Interessante perceber a escassez de apoios a esta estrutura de excelência e fazer uma comparação, por exemplo, com as verbas que anualmente são facultadas ao Clube Desportivo Trofense. Não que eu entenda que o CDT não deve ser apoiado, claro que deve, mas a verdade é que a verba entregue anualmente pela Câmara ao CDT é muito considerável. Será que se está a fazer uma distribuição coerente e justa dos recursos ou estarão algumas associações a ser prejudicadas? O CEAT parece estar. E nem pede muito.

Talvez um dia as pessoas que fazem este projecto de enorme sucesso se fartem de esperar e acabem por se “naturalizar” noutras paragens. Paulo Rafael Ribeiro refere essa hipótese com, imagino, um último recurso. Seria uma pena e uma enorme perda para o desporto do concelho da Trofa mas é a sua sobrevivência que está em causa. E a situação do CEAT não é o único exemplo da forma como o associativismo, que este executivo diz ter “revolucionado” por oposição à governação socialista que o tinha esquecido, continua, em alguns casos, numa situação precária. Faço votos que o CEAT por cá ande muitos anos e que nos traga muitas glórias.

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Trilogia da Assembleia de Freguesia de Bougado: Parte III – “O estranho regulamento para vendedores ambulantes de lotarias”

interrogação

“Erário Público” é um termo fluentemente utilizado por todos, muito especialmente, nesta época em que os recursos do Estado começam a escassear. “Erário” significa o conjunto de bens que pertence ao Estado e que este dispõe para administrar o país, com grande ênfase no dinheiro. O termo em si representa mesmo um pleonasmo, sendo uma expressão redundante, já que a utilização de “público” é um acrescento desnecessário e pretende reforçar que pertence a todos nós!

Neste contexto, o trabalho de todos, que legítima e democraticamente são eleitos pelo povo, e que passam a beneficiar de remuneração, consomem uma boa fatia dos recursos deste “Erário” (proveniente dos nossos impostos), exigindo-se permanentemente rigor, adequabilidade e eficácia em todas as políticas, ações e trabalhos desenvolvidos já que, como diz o povo “tempo é dinheiro”!

Fiquei pois estupefacto com um regulamento proposto pelo executivo da junta de freguesia de Bougado (coligação “Unidos pela Trofa”), e aprovado com os seus votos maioritários, na Assembleia de Freguesia, no passado dia 23 de abril, e que tinha por título “Regulamento de licenciamento de atividades diversas da freguesia de Bougado”.

Este regulamento contém 3 alíneas:

  1. Regulamentação de venda ambulante de lotarias, na freguesia de Bougado.
  2. Regulamentação de arrumador de automóveis, na freguesia de Bougado.

Deste regulamento, para vendedores ambulantes de lotarias e arrumadores de automóveis, destaca-se um extenso texto, do qual se elenca a necessidade de um licenciamento prévio, com particularidades do mesmo ser “válido pelo período de 5 anos”, definir-se “áreas geográficas” de atuação, e atender a pormenores como, “o cartão de identificação constante no modelo do anexo I”, expressamente aprovado para o efeito, ter de ser “usado no lado direito do peito”…!

Ao ler o regulamento, recordo o Bougado que conheço, e que certamente todos que leem este artigo também conhecem. Onde estão este tipo de vendedores ambulantes de lotaria e de arrumadores de automóveis na freguesia? Será que se quer promover o seu aparecimento? Será que não há outras prioridades, para o executivo da junta de freguesia, e é necessário “criar” este tipo de escritos? Se sim, porque não se inclui também o de vendedores de tremoços, pipocas e rebuçados? Mantendo a mesma inutilidade, sempre ficaria um regulamento mais completo.

Por fim a ultima alínea,

  1. Regulamentação de atividades ruidosas de carácter temporário que respeitem a festas populares, romarias (…).

A minha questão é: alguém se queixa de barulho numa freguesia onde, pouco ou nada acontece, o movimento associativo vive com dificuldades financeiras, logísticas e de diminuição de recursos humanos para a execução de tarefas práticas e agora, mais uma obrigação, pedir uma licença e pagar uma taxa?!

Não seria um ato de boa gestão, olharem para freguesias de concelhos vizinhos, especialmente Santo Tirso e Famalicão onde se tenta desburocratizado ao máximo para que as coisas aconteçam e as terras ganhem vida? Admiram-se que no dia de carnaval, todos foram para Famalicão (ver vídeo da Trofa TV, com declarações do executivo da junta de Bougado)?

Espero que sejam cometidos pelo “bom senso” e, com o mandato ainda a meio, elaborem um programa ajustado à realidade das pessoas, colocando-as no centro de todas as ações de governação. Os Bougadenses merecem e agradecem!

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Trilogia da Assembleia Freguesia de Bougado – Parte II: A prioridade social, prometida e esquecida!

Porta dos Sabores

por: João Pedro Costa*

As políticas sociais foram as bandeiras políticas de todas as forças concorrentes às eleições autárquicas de 2013. Eram populares e atingiam a grande massa da população que, dada a conjuntura económico-social que o país atravessava e continua a atravessar, viu emergir carências básicas a vários níveis: dificuldades das famílias em fazer uma alimentação digna; dificuldades na aquisição de medicamentos para os que deles dependem; dificuldades na aquisição de manuais escolares para os que têm filhos em idades letivas; dificuldades no pagamento das rendas de casa ou, o flagelo das prestações ao banco para os que perderam os empregos. Outros ainda, numa fase mais extrema das dificuldades, para fazer face a cortes de água ou energia, quando já antevêem e vivem a angústia da perda das suas habitações.

A Trofa, em linha com o panorama nacional, viu estes flagelos atingir mesmo os que nunca se imaginaram em tal problema, e que por isso se calam, nascendo a denominada “pobreza envergonhada” e o sofrimento que fica entre quatro paredes, com consequências sociais dramáticas!

A coligação “Unidos Pela Trofa” que venceu o ato eleitoral em Bougado não foi exceção no compromisso das promessas eleitorais. Fez as pessoas acreditar numa política de proximidade, entre um executivo com dinheiro para gerir (quase um milhão de euros) e fregueses (habitantes da freguesia) com as necessidades básicas elencadas! Reafirmou o seu presidente, Luís Paulo, já no decurso do mandato, a 13 de junho de 2014, em entrevista ao jornal “O Notícias da Trofa”: “ Não esquecemos os nossos idosos e os nossos mais jovens, cuja dependência e vulnerabilidade fazem com que muitas vezes não consigam ser devidamente escutados quanto aos seus anseios e problemas. Por isso, dedicaremos uma especial e particular atenção aos mais necessitados, reclamando para os mesmos a solidariedade que lhes é devida” – Palavras sábias de discurso político…

Mas, a realidade das contas de 2014, apresentadas na Assembleia de Freguesia, no passado dia 23 de abril, desmente categoricamente a vontade propagandeada, com números concretos de Ajudas Sociais aos “mais carenciados” a não ultrapassar os 3% do orçamento. Apenas cerca de 25.000 euros, dos 994.817,07 euros que lhes coube gerir, foram aplicados nestas necessidades concretas dos Bougadenses!

A esta situação, medidas como o afastamento das estruturas de Apoio Social, como é exemplo a Cruz Vermelha da Trofa a quem ofereceu (quis impor!) uma verba de ajuda de 500 euros/anuais (menos de 42 euros por mês!), demonstraram claramente o falhanço da pretensão assumida! Além da forma taxativa como menciono os números, acrescento também as atitudes e comportamentos evidenciadas, ao não ser capaz de evitar polémicas com uma instituição secular, de implantação nacional e internacional, em prejuízo dos mais altos interesses da freguesia que dirige. Mantém ainda o corte de fornecimento de energia, à mesma Cruz Vermelha, no projeto de serviço de refeições sociais “Porta de Sabores” (Largo da Feira), em linha com o desinteresse social e arrogância no exercício do poder, que vem caracterizando o mandato!

A política do paralelo (faz e desfaz) e da construção que, sendo importantes, não podem ser tidas como obsessão, afasta-se, por isso, da realidade social atual em prejuízo da felicidade dos Bougadenses. Com estas políticas “o orgulho trofense” escreve-se com letras minúsculas!

Na próxima edição, a Parte III – “O estranho regulamento para vendedores ambulantes de lotarias”.

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* Originalmente publicado no jornal O Notícias da Trofa

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