EN14: o futuro já passa por… Famalicão

En14

Fotografia via Skyscrapercity

Um ano após o arranque da obra na EN14, que vai da entrada sul da variante que circunda Vila Nova de Famalicão até à fronteira com o nosso concelho, as alterações são visíveis, avançaram a um ritmo bastante aceitável, a obra está muito perto de concluída (se é que não está já, não passo lá todos os dias) e irá, com toda a certeza, melhorar a circulação na via. Até à Trofa. Por cá, o inferno parece estar para ficar.

A obra, que decorre de um acordo entre a autarquia famalicense e a Infraestruturas de Portugal, foi validada pelo então Ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques. Igual sorte continua sem ter o concelho da Trofa, onde o caos rodoviário não difere muito do concelho vizinho, e onde também existem várias empresas, muitas das quais multinacionais, que precisam de acesso fácil e rápido ao aeroporto, ao Porto de Leixões ou a outras áreas industriais na zona.

Reparem que, ao contrário daquilo que por vezes se especula, numa lógica politico-propagandística, não estamos, de forma alguma, perante uma situação em que a autarquia trofense está a ser deixada de lado devido à sua cor política. Ou não fosse ela a mesma que governa Famalicão. Parece ser mais uma questão de poder e capacidade de negociação. E decorrer de outro facto pouco falado, pouco discutido, que remonta aos primórdios do concelho da Trofa.

Durante a governação Bernardino Vasconcelos, uma decisão controversa foi tomada. Não conheço os contornos da mesma, ou sequer as contrapartidas, mas sei isto: que a manutenção do troço da EN14 que atravessa a Trofa passou a ser responsabilidade do concelho. E este, presumo, é um dos motivos que tem levado sucessivos governos, socialistas e sociais-democratas, a lavar as mãos do processo, apesar da ocasional encenação, que de resto tem sido uma marca de água em diversos processos envolvendo obras públicas de grande dimensão na Trofa, como foi o caso do metro, com a vinda de Ana Paula Vitorino à Trofa.

Importa perceber que soluções a gestão municipal tem para oferecer aos trofenses. Porque, apesar dos milhares de condutores que, das mais variadas formas, são prejudicados pelo trânsito caótico que se apodera diariamente do centro da nossa cidade, é o nosso dia-a-dia que mais sai afectado do processo. A rotunda da Carriça, ou a nova travessia do Ave, com as quais o programa eleitoral da coligação no poder se comprometeu em 2013, continuam a ser uma miragem. A EN14, em particular entre a rotunda junto ao Continente e a fronteira com a Maia, está bastante degradada. A ausência de um transporte público alternativo, que compense sobretudo a situação das populações do Muro, Alvarelhos e Guidões, continua a ser outra realidade sem solução â vista. O futuro, pelo menos até à data, não passa pela EN14 que atravessa a Trofa.

E se o troço da EN14 que atravessa a Trofa fosse, tal como nos concelhos vizinhos, responsabilidade do Estado e da Infraestruturas de Portugal? Seria a Trofa incluída nesta obra de requalificação em curso em Famalicão? Ou seremos assim tão irrelevantes para o governo, apesar das inúmeras empresas que sofrem com os mesmos problemas que afectam as existentes no parque industrial situado em Ribeirão ou Lousado? Que trabalho – espero que permanente – está a ser feito pelos responsáveis políticos trofenses junto do governo? Ou será que não existe outra solução que não seja custearmos nós a obra?

Seja qual for a solução, o problema não parece estar sequer perto de resolvido. E se o problema não se resolve, o futuro vai ter dificuldade em passar por aqui. Arrisca-se, isso sim, a ficar preso no trânsito, entre o Catulo e a Rotunda do Bombeiro. Lá porque já não se vêm por aí cartazes a lamentar o falecimento de pneus, não quer dizer que eles não continuem a falecer. Os seus autores é que já não parecem muito preocupados com eles. Só porque o futuro não passa pela EN14, não significa que não passe por outras artérias, menos movimentadas e transparentes, onde desabrocham os funcionários públicos do futuro, com pós-graduação em campanha eleitoral, mestrado em lealdade partidária e doutoramento em engenharia de tachos.

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After this, there is no turning back.
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