CEAT: o sucesso e a excelência que emerge da precariedade

CEAT

Foto@O Notícias da Trofa

Por altura da subida do CEAT – Clube Estrelas Aquáticas da Trofa – à primeira divisão nacional de Pólo Aquático, a nossa leitora Evangelina Ribeiro publicou neste espaço um apelo à mobilização dos trofenses em torno deste projecto e à presença de representantes da autarquia no jogo do título. Passados alguns dias, o CEAT sagrou-se campeão nacional do 2º escalão, uma honra rara para uma instituição desportiva da nossa terra. Sem uma única derrota.

Alguns dias depois, tive a oportunidade de ler sobre a entrevista do presidente do clube, Paulo Rafael Ribeiro à TrofaTV e confesso que chega a ser triste perceber as dificuldades com que estes atletas de excelência lidam diariamente. Para além de não terem condições para treinar na Trofa – talvez porque quem projectou a piscina do Aquaplace não tenha sequer pensado nessa hipótese – os atletas do CEAT são forçados a fazer 50km todos os dias para treinar na Senhora da Hora, com todos os custos suportados pelo seu próprio bolso, a que acresce uma mensalidade de 25 euros com que cada atleta contribuiu para fazer face às despesas correntes de um clube que muito pouco recebe da autarquia. As palavras do presidente do clube, são ilustrativas da situação:

Há pessoas na Trofa que inviabilizam por completo o crescimento do CEAT. Pessoas que, pura e simplesmente por mesquinhez ou por doença mental, não deixam que o CEAT cresça, cabendo, na devida altura, ao senhor presidente dizer se quer que o CEAT continue ou se mais vale fazer uma escritura pública e ser Clube Estrelas Aquáticas do Mundo, do Universo ou do outro lado qualquer, porque andamos à custa de duas ou três pessoas, dos miúdos e dos pais dos miúdos a levar o nome da Trofa a Portugal todo.

Mas sejamos justos: quero que o caro leitor saiba que a CMT disponibiliza um autocarro para as deslocações do CEAT. Não sei há quanto tempo mas parece ser há pouco pelo que pude apurar. Contudo, o motorista é o CEAT que paga. Tal como a piscina na Senhora da Hora. Segundo Paulo Rafael Ribeiro, o clube teve reuniões com todos os autarcas trofenses desde a formação do concelho mas, nas suas palavras, “nunca nada é possível para o CEAT”.

Interessante perceber a escassez de apoios a esta estrutura de excelência e fazer uma comparação, por exemplo, com as verbas que anualmente são facultadas ao Clube Desportivo Trofense. Não que eu entenda que o CDT não deve ser apoiado, claro que deve, mas a verdade é que a verba entregue anualmente pela Câmara ao CDT é muito considerável. Será que se está a fazer uma distribuição coerente e justa dos recursos ou estarão algumas associações a ser prejudicadas? O CEAT parece estar. E nem pede muito.

Talvez um dia as pessoas que fazem este projecto de enorme sucesso se fartem de esperar e acabem por se “naturalizar” noutras paragens. Paulo Rafael Ribeiro refere essa hipótese com, imagino, um último recurso. Seria uma pena e uma enorme perda para o desporto do concelho da Trofa mas é a sua sobrevivência que está em causa. E a situação do CEAT não é o único exemplo da forma como o associativismo, que este executivo diz ter “revolucionado” por oposição à governação socialista que o tinha esquecido, continua, em alguns casos, numa situação precária. Faço votos que o CEAT por cá ande muitos anos e que nos traga muitas glórias.

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