Maturidade Democrática: o puxão de orelhas da professora Isabel Cruz

Prof. Isabel Cruz CT

Isabel Cruz, ou professora Isabel como a conheço desde miúdo e dos tempos em que frequentei a sua casa fruto da amizade de longa data que tenho com o seu filho, assina aquela que é talvez a mais interessante e corajosa crónica publicada no Correio da Trofa até hoje. Violentamente crítica apesar da subtileza e suavidade vocabular, a professora Isabel “dispara” em muitas direcções, sendo que no essencial as suas palavras parecem configurar um autêntico puxão de orelhas que abarca transversalmente a classe política local e nacional, com especial enfoque nas “jotas”. Vejamos alguns exemplos que consubstanciam esta minha opinião:

  1. A falta de princípios e educação: quando alude à falta de princípios e educação para se referir à utilização “avulsa” e “inconsequente” da democracia, as críticas da presidente da Assembleia Municipal atingem com violência as estruturas da JS e da JSD locais, nomeadamente no que diz respeito ao actos indignos como oferecer uma garrafa de vinho, em plena Assembleia Municipal, a Bernardino Vasconcelos, protagonizado por Marco Ferreira, então líder da JS, ou à formulação de boatos (Audi Q7 de Joana Lima, suposta relação entre a anterior autarca e o empresário António Salvador, entre outros) veiculados por elementos da JSD. O episódio de violência de Maio de 2013, marcado pela mentira descarada e pela tentativa de ilusão dos trofenses de forma absolutamente vergonhosa tem igualmente enquadramento nesta crítica. Entre diferentes outros casos que, a referir um a um, tornariam demasiadamente longo este texto. Questões como a “salvaguarda da ética” ou da “subversão de valores” encaixam-se igualmente aqui com assertiva precisão. Mas não só. Até porque anda por aí muito adulto envolvido no panfletismo subterrâneo e noutras práticas que envergonham a democracia;
  2. Subversão de valores na justiça: o caso Sócrates parece ser aqui o alvo mais óbvo da professora Isabel. De um momento para o outro, o país que tanto tem clamado por justiça contra os abusos da classe política dividiu-se entre quem mantém a mesma posição e quem, de repente, parece ver no juíz Carlos Alexandre o vilão e no recluso Sócrates o herói sacrificado. No entanto, a crítica pode ser encarada de forma mais abrangente e visar a abordagem feita por diferentes forças políticas a casos como Face Oculta, Contrapartidas dos Submarinos ou Portucale;
  3. Os demagogos: aludindo à emergência dos mesmos quando perante casos mediáticos, hipoteticamente “patrocinados” por forças ocultas, a crítica aqui presente abrange questões tão distintas como o panfletismo anónimo, transversal a todo a classe política, aqui como em muitos outros pontos do país, ou à instrumentalização de casos iguais com inversão de papéis como são os exemplos do caso BPN e BES: no primeiro, a postura dos sociais-democratas nas comissões de inquérito como em declarações públicas foi sempre mais suave, algo que contrastou com a profunda violência dos seus pares socialistas. No caso BES inverteram-se os papéis. A um nível mais local, a questão dos ajustes directos, uma das bandeiras da direita trofense no período de governação socialista, bandeira essa recentemente engavetada e ignorada face a acontecimentos recentes e nebulosos, é outro exemplo claro do império da demogogia que reina na política local.                                                                                                                                                           A professora Isabel acrescenta ainda um ponto interessante, e que diz respeito à mania que alguns protagonistas políticos têm de fazer dos seus casos algo transversal à sociedade. Quantas vezes vemos os responsáveis políticos emitirem declarações em que assumem falar pela Trofa ou por Portugal como um todo, apesar de tal não passar de uma simples manipulação? Questiono-me sempre sobre estas arrogâncias: será que estas pessoas promovem consultas populares ou “sondagens” antes de proferirem tamanhos disparates?
  4. Gosto pelo ruído, pela difamação, pela crítica ofensiva e destrutiva perante a falta de argumentos: um clássico. “Concordas connosco? És um fixe. Discordas? És do contra. Argumentos? Porque sim.” Conheço bem essa realidade. A realidade de quem, por não ter argumentos, muitas vezes derivados ao facto de simplesmente não existirem, envereda pelo ataque ad hominem, pelo boato, pela mentira ou pela subversão. Podia fazer dezenas de links aos blogues das juventudes partidárias locais e não só, alguns deles entretanto desaparecidos em combate mas dos quais guardo algumas recordações em formato de print screen, que demonstram, por A mais B, que as palavras da professora Isabel são sábias e assertivas no que a este tema diz respeito.

Estes foram os aspectos que mais me cativaram neste texto corajoso e certeiro. Outros haveria que poderiam ser dissecados. Tal como a professora Isabel, sou adepto de uma boa crítica construtiva, fundamentada em factos concretos e não em boatos, mentiras e manipulações. Cresci e cresço diariamente com elas e com o processo de aprendizagem que, como podemos subentender pelo artigo, é continuo e não termina no final da universidade. Saber perceber e aceitar pontos de vista divergentes, sempre que fundamentados, é uma virtude. Impor pontos de vista enviesados e manipuladores, recorrendo ao “porque sim” ou à ânsia pelo poder mascarada de causa pública é reprovável e merecedor de desprezo e crítica agressiva. Tal como o são a tentativa de denegrir adversários políticos ou cidadãos comuns que divergem, recorrendo às suas vidas pessoais, inventando relações de promiscuidade e outros boatos patéticos ou criando encenações com violência e manipulação dos factos que caem por si próprios tal é a mediocridade da versão que não encaixa consigo própria. O episódio da porrada dos jotas, uma vez mais, é um exemplo perfeito deste tipo de situações que assume contornos cinematográficos.

A prepotência de quem se acha sempre na posse da razão, quando perante um contraditório estruturado e coerente, é expressão máxima da negação da cidadania igualitária e livre que a professora Isabel refere. Felizmente, Portugal ainda é uma democracia e todos, não apenas os titulares de cargos públicos que, muitas vezes, lá chegam por caminhos tortuosos feitos e atropelos e subornos de diferentes naturezas, são merecedores de exprimir os seus pontos de vista e vê-los respeitados. Não apenas quando vão no sentido dos interesses momentâneos de A ou B. Também sei o que isso é. E por saber, não poderia estar mais de acordo com as palavras da professora Isabel. Só lamento não partilhar do optimismo da última ideia apresentada neste artigo. Infelizmente, e dada a idade “avançada” de alguns idiotas opinadores, existe muito quem não chegue a crescer. Porém, muitos existem que ainda vão a tempo de perceber que não vale tudo para triunfar na política. Maturidade democrática precisa-se. Um aplauso professora Isabel.

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One Response to Maturidade Democrática: o puxão de orelhas da professora Isabel Cruz

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