Sobre a renegociação da dívida da Trofa

Trofa

Fiquei bastante satisfeito por saber que o executivo camarário conseguiu renegociar parte da dívida do concelho, obtendo desta forma uma redução dos encargos da mesma na ordem dos 4,5 milhões de euros, respeitante a um empréstimo contratualizado pelo anterior executivo em Abril de 2013, no valor de 13,7 milhões de euros, pode ler-se no Correio da Trofa. Para uma autarquia na nossa situação, esta é uma das melhores notícias que poderíamos receber e está obviamente de parabéns o executivo e todas as pessoas que, no seio da CMT, fizeram tudo isto acontecer. Com o adicional de ser sempre motivo de esperança ver a direita nacional renegociar dívidas.

Encarnando agora o espírito “do contra” que tão gentilmente me é atribuído por inúmeros profissionais do contra que gostam de mandar umas bocas para o ar mas que se vão esquecendo que não passou muito tempo desde que, eles próprios, eram literalmente contra tudo o que o anterior executivo fazia, é preciso destacar aqui alguns pontos.

Em primeiro lugar recordar que estamos em ano de eleições e, como sabemos, anos de eleições são anos de fartura e para isso basta olhar para as recentes dádivas governamentais que, de um momento para o outro, até para ajudar ao regresso de meia dúzia de recentes emigrantes tem dinheiro. E como estamos em ano de eleições, uma série de situações, até agora aparentemente impossíveis, tornaram-se mais fáceis de materializar e até uma mini-variante nos arranjaram.

Em segundo lugar, convém recordar que o empréstimo sujeito a renegociação parcial foi celebrado com a CGD, um banco do estado que como sabem está sob tutela deste governo. Ora sendo o executivo trofense da mesma cor do governo nacional, a que acresce a crescente relevância de Sérgio Humberto no seio do PSD e a necessidade de, em véspera de Legislativas, garantir o apoio do importante eixo social-democrata Famalicão-Trofa-Maia, parece-me claro que vários factores confluíram para que este processo fosse facilitado. Notem que tudo isto não tira mérito ao executivo Sérgio Humberto pelas negociações levadas a cabo mas tem uma influência que só por fanatismo poderá ser ignorada.

Em terceiro e último lugar, fazer disto um momento épico ignora o facto, vezes demais ignorado, que é precisamente esta a função de um executivo camarário: gerir bem. É para isso que se propõem governar, foi para isto que nos andaram durante meses a pedir votos e é para isto que são pagos. Fizeram bem? Fizeram sim senhor, estão de parabéns. Agora transformar isto num momento de triunfalismo heróico é puro e simples populismo.

Finalmente, deixo um aspecto que muito me intriga à consideração e reflexão do caro leitor: lembra-se das reformas internas que o PS levou a cabo enquanto poder, que resultaram em reduções drásticas de despesas correntes herdadas pelo executivo Bernardino Vasconcelos? Quantas vezes viram Sérgio Humberto ou qualquer elemento afecto à actual coligação aplaudir ou elogiar esta que foi também, no seu tempo, uma excelente notícia? Eu respondo-lhe: nem uma. E olhe que até eu, funcionário do Ministério do Contra cá do sítio, elogiei a medida. Tal como hoje elogio este feito do executivo Unidos pela Trofa. Felizmente ainda tenho a possibilidade de elogiar aquilo que entendo merecer, não estando preso ao que me deixam ou não elogiar. Que bom que é ser livre.

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