O amor não insulta. O amor não ameaça. O amor não mata.

Esta reportagem não deixa ninguém indiferente. Ou assim o espero. Merece e deve mesmo ser partilhada e difundida incessantemente, bem como toda a campanha que a SIC tem vindo a desenvolver neste sentido. E perguntam vocês, o que tem isto que ver com o E a Trofa é minha?. Tem tudo, diria eu. A violência doméstica não conhece limites geográficos.

Nos últimos dias, soube de dois casos de violência doméstica que ocorreram no concelho da Trofa. O de uma jovem e o de um senhor de meia idade. Ambos licenciados. Ela por parte do namorado, ele por parte da esposa de longa data. Como vêem, a violência doméstica não escolhe sexos, idades, estados civis nem habilitações literárias. Em ambos os casos, as vítimas optaram por não apresentar queixa. Não me cabo a mim dizer se deviam ou não tê-lo feito. É muito fácil falar quando estamos de fora. Apenas me cabe dizer que compreendo perfeitamente que não queiram passar por hospitais, tribunais e um reviver constante dos episódios pelos quais passaram. Tudo por uns tempos de pena suspensa. A primeira optou pela separação e penso que seja a maneira menos dolorosa de enfrentar tudo isto, isto se o agressor tiver a decência (ele sabe o que é isso?) de não reaparecer mesmo. O segundo, preso a imóveis e contas bancárias em comum, continua a tentar salvar o que não tem salvação.

Tudo isto para dizer que as vítimas nem sempre são capazes de se ajudarem a elas próprias. Por medo, por vergonha ou por qualquer outro sentimento que possam ter, a verdade é que, na maioria dos casos, vão emitindo gritos mudos de desespero que a sociedade raramente é capaz de ouvir. Começa com um namorado que diz que aquele decote não pode ser usado, passa por um recém-marido que pensa que o contrato assinado (vulgo casamento) é o mesmo que um registo de propriedade e, não raras vezes, é o mesmo que um marido que tem ciúmes do próprio filho bebé ou ainda mesmo na barriga da mãe. Mas o amor não é isto.

O amor é cuidar sem sufocar. O amor, quando choro, é de riso. O amor é um esforço contínuo para se ser mais e melhor pelo outro e sobretudo por nós próprios. É respeito. É carinho. O amor é, acima de qualquer outra coisa, saber quando o outro não quer mais e deixá-lo ir. Pena que muitos não entendam isto.

E enquanto isso não acontece, é nossa obrigação, sociedade em geral, estar atenta aos nossos amigos, familiares, vizinhos, etc., perceber que algo está errado e denunciar. Pelas vítimas directas e pelas indirectas, as crianças que tantas vezes assistem a episódios de violência física e/ou psicológica e que deixam, inevitavelmente, de acreditar no amor, na cumplicidade e no carinho que pode e deve juntar duas pessoas.

Não deixemos isto passar impune. E não caiamos no erro de achar que só acontece na cidade vizinha. Era esta a mensagem que vos queria transmitir hoje!

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