Carta aberta ao Dr. Sérgio Humberto, presidente da Câmara Municipal da Trofa

Trofa FUturo

(caso não concorde com a afirmação em cima, é favor mudar-se para Santo Tirso)

Caro Dr. Sérgio Humberto,

Antecipo os meus melhores cuprimentos.

Contrariando a opinião de alguns militantes mais insensatos do seu partido que defendem a não-ingerência em determinados assuntos relativamente aos quais aquele que pretende opinar não assistiu ou participou, opinião que considero absurda e digna de um “democrata” ao estilo de Vladimir Putin, dirijo-me a si, em carta aberta, através deste blogue que sei ser frequentado por alguns daqueles que o rodeiam, pelo que estou confiante que a mesma chegará até si.

Indo então directo ao assunto que me leva a escrever estas linhas, queria declarar, enquanto cidadão, eleitor e contribuinte trofense, o meu total repúdio pelas suas declarações na passada Sexta-feira, no decorrer da uma das suas intervenções na Assembleia Municipal. Afirmou o senhor o seguinte:

“O futuro passa realmente pela Trofa. E quem não acredita, que vá para Santo Tirso. Quem não acredita na mais-valia das pessoas da Trofa (…) não deve ter responsabilidades num órgão como este como a Assembleia Municipal.”

Em primeiro lugar, dizer-lhe o quão lamentável é assistir a um discurso deste grau de sectarismo por parte de um representante eleito. Quem não acredita que o futuro passa pela Trofa tem o mesmo direito de o fazer que qualquer pessoa afecta ao partido do senhor presidente teve de duvidar de tudo e mais alguma coisa que o anterior executivo afirmou ou manifestou interesse em consubstanciar. Questiono-me se, em sede de reunião interna do partido que o senhor dirigiu, alguma vez convidou algum militante a mudar-se para o concelho vizinho em função de discordâncias com o anterior executivo. E isto inclui-o também a si claro.

Em segundo lugar, relembrar-lhe que, autarca ou não, o senhor presidente não tem autoridade para convidar quem de si discorda a mudar-se para um concelho vizinho. Ao invés disso, e por ser o primeiro representante do município, a sua acção deveria ser de concórdia, de apelo ao entendimento e, quando tal não for de todo possível, aceitar as críticas e rebatê-las com argumentos construtivos ao invés de o fazer com a demagogia com que o fez. Não se trata de concordar com as críticas que podem até não fazer sentido algum: trata-se de dar o exemplo e seguir as melhores práticas democráticas. Lançar um anátema de banimento concelhio no tom de voz imediatamente anterior ao grito a quem de si discorda não dignifica a sua função.

Em terceiro lugar, tentar transformar uma crítica feita à sua acção num ataque de desacreditação da “mais-valia das pessoas da Trofa” é absolutamente demagógico e populista. As pessoas da Trofa, bem como as suas mais-valias, e o executivo camarário não são uma e a mesma coisa. E mesmo que senhor presidente se estivesse a referir aos eleitores da coligação, que também não podem ser confundidos com o seu executivo, seria importante relembra-lo que foi eleito por cerca de 33% da população (10.092 eleitores) da Trofa e não por 100% o que, não beliscando, de forma alguma, a sua legitimidade enquanto autarca, não lhe confere, de forma alguma, autoridade para confundir a sua acção ou vontade com a acção ou vontade de todos os trofenses.

Em quarto e último lugar, referir que o tipo de linguagem de comício não me parece o mais apropriado para um autarca, principalmente no contexto de uma Assembleia Municipal. Declarações deste grau de sectarismo não deviam ter lugar numa Assembleia Municipal. Não a dignificam. Mas já que o presidente puxou da questão relativa a quem deve ou não deve ter responsabilidades num órgão desta importância, o que pensará o senhor do facto de ter um elemento da sua bancada que esteve envolvido num esquema de mentira, manipulação e violência física? Será que alguma vez o convidou para se mudar para Santo Tirso?

Finalizo esta carta relembrando-o que, apesar da aproximação das Legislativas, a crispação e a subida de tom a que temos assistindo nas últimas semanas, do qual o recente comunicado da JSD Trofa, com ódio e manipulação à mistura, é expressão maior, não beneficia as aspirações do seu partido, relativamente às quais acredito que não será alheio. Entrar num braço-de-ferro que, por ser vago, extravasa o alvo primário do seu ataque – o Partido Socialista da Trofa – poderá criar divisões que terão custos políticos óbvios para o seu projecto. Entre ajustes directos suspeitos, a guerra aberta contra o Partido Socialista e os episódios sombrios a envolver violência e destacados elementos do seu partido, penso que terá já problemas suficientes com que se preocupar. Quando o governo que apoia mandou os portugueses emigrar, a coisa não correu lá muito bem. Não caia, por favor, no mesmo erro. Em vez de mandar os críticos migrar para Santo Tirso, sugiro-lhe que seja superior e respeite a sua opinião. Lembre-se que a sua função é servir o concelho, não regresse ao passado que tanto criticou.

Atentamente,

João Mendes

Advertisements
This entry was posted in Assembleia Municipal and tagged , , , , , , . Bookmark the permalink.

15 Responses to Carta aberta ao Dr. Sérgio Humberto, presidente da Câmara Municipal da Trofa

  1. Anonymous says:

    Os sombras nunca deram nem nunca darão a cara. O local adequado para tecer certas e determinadas considerações, e/ou juízos de valor, são a Assembleia Municipal…

  2. Joaquim Azevedo says:

    João Mendes, eu apenas subscrevo na integra tudo o que o meu caro amigo escreveu, felizmente tenho ido às AM e cada vez fico mais triste, pelos comícios apadrinhados pela Sr PA, mas tal não me deixa nada admirado, porque infelizmente a PA, já disse publicamente e na mesa da assembleia (MA), QUE O SEU PARTIDO É O PSD E TEM MUITA HONRA. Outra coisa que todos sabemos é que há uma sede de vingança, sobre certas pessoas e por ultimo, digo que jamais deixarei de assistir às mesmas pois é um direito que nos assiste a todos nós cidadãos. Viva a Trofa e os Trofenses

    • João Mendes says:

      Gostava de poder assistir a mais sessões mas infelizmente a minha vida profissional nem sempre o permite Joaquim. Mas saúdo a sua dedicação e persistência. Não consigo ir às AM’s mas vejo os videos publicados no site da CMT.

      Quanto à posição da presidente da AM, não vejo nada de anormal no facto de ser do PSD e o assumir.

  3. José Correia says:

    Digníssimos,
    Nesta minha idade assistir a um professor de ginástica ser presidente da câmara demonstra a fraqueza da Trofa, tanto se trabalhou para agora entregar as decisões a um ignorante deste rapaz como presidente, já anda há luta nas roulotes de comida, vejam a nossa desgraça.
    Não direi mais nada até ver…

  4. Jorge Moreira says:

    Como cidadão deste concelho não vejo o porque de tanta admiração em o presidente do município ser professor de educação física até poderia ser sapateiro, carpinteiro ou ter outra profissão,fico preocupado é com a falta de qualidade de seres humanos no concelho da Trofa,não sendo de esquerda, pelo menos a ex autarca teve o mérito de colocar a cabeça no cepo, o que para muito socialistas que passaram a vida a prometer mundos e fundos e na hora da verdade meteram o rabo entre as pernas e foram pregar a outra freguesia e no final foi o que se viu,no PSD como não tinham mais ninguém lá arranjaram alguém que não estivesse queimado,para ir no andor,mas penso com pouco sucesso a dar aulas estava bem melhor e não fazia a mesma figura que os seus antecessores.

  5. Joaquim Azevedo says:

    João Mendes, quando digo, que a PAM, se assumiu PSD, não me quis referir pelo partido, mas sim porque ela ( PA ), apenas e só deixa falar os PSD OU CDS, SEM INTERRONPER.

    • João Mendes says:

      Isso já são acusações mais graves Joaquim. E bastante bastante difíceis de provar eu diria. mas isto sou eu que não assisti a metade das AM’s que o senhor assistiu…

  6. Manuel Carvalho. says:

    A Trofa no seu melhor. Continua a assistir-se às guerrilhas intestinais entre os partidos e coligações que sempre governaram este Concelho, disparando uns contra os outros tiros de pólvora seca, em vez de encontrar um ponto comum,ainda que possa ser ténuo, no sentido de engrandecer e desenvolver este deserto, rodeado de Concelhos mais prósperos, ricos e competentes. Sem querer culpar alguém em particular, na generalidade os munícipes Trofenses têm responsabilidades e culpas neste estado de sítio em que o Concelho da Trofa se encontra, pois já lhes foram oferecidas proposto alternativas que os mesmos marginalizaram radicalmente. Vale mais mal com estes, do que experimentar alternativas com estes mais os outros, ou os outros com estes.

    • João Mendes says:

      No fim de contas é sempre nossa responsabilidade, nisso estamos de acordo. A questão é que quem até hoje governou nunca mostrou estas facetas em campanha. E o povo lá se vai fiando no bom nome, nas boas famílias e as gigantes máquinas de propaganda fazem o resto…

  7. Pingback: Uma bola neve pré-eleitoral | …e a Trofa é minha!

  8. Pingback: Sobre a falta de maturidade democrática do senhor presidente | …e a Trofa é minha!

  9. Pingback: Sobre intervenções encomendadas na Assembleia Municipal | …e a Trofa é minha!

Deixa aqui o teu comentário...

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s