O orgulho trofense e o investimento privado

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Foto@O Notícias da Trofa

Respiravam-se “tempos áureos de mudança“. O poder mudava de mãos no nosso concelho e tinha início a era do “orgulho trofense”. Poucas semanas após a tomada de posse do coligação Unidos pela Trofa surgia a notícia sobre um empresário tunisino que decidira mudar-se de armas e bagagens para o nosso concelho. A decisão, afirmavam alguns adeptos fervorosos, tinha como base “a qualidade de mão-de-obra disponível e a maior estabilidade política e de preços“. Por todo o lado, multiplicavam-se hashtags com a bandeira do “orgulho trofense”. Alguns, mais optimistas, afirmavam mesmo que estávamos perante o início de um novo tempo em que o investimento privado prosperaria. Brindava-se ao admirável mundo novo.

Pouco mais de um mês após o anúncio da vinda desta empresa para o nosso concelho, O Notícias da Trofa dava conta de um revés no processo, explicando que  o mesmo estaria suspenso, durante pelo menos meio ano, devido a um conflito judicial entre a empresa e o estado tunisino. Segundo declarações do representante legal da empresa, o advogado trofense Luís Cameirão, a empresa não estaria a conseguir retirar as máquinas do país. Entretanto, as candidaturas avolumavam-se (cerca de 2500) e, quase em simultâneo, o mesmo jornal fazia referência à instalação de uma outra empresa do mesmo ramo, preparada para empregar o mesmo número de pessoas (250), no concelho de Paredes. Na mesma notícia, o NT afirmava que a instalação desta empresa em Paredes teria beneficiado de algumas regalias como a isenção de IMI e de outros impostos, bem como a redução das taxas e licenças devidas a este município a apenas 1 euro. Mera coincidência. O próprio representante legal da empresa tunisina afirmava tratarem-se de casos diferentes. (Apenas um detalhe que, não fazendo toda a diferença, demonstra a forma como, em muitos casos, se atrai investimento privado: isenção de impostos parcial e redução ao mínimo de qualquer outra contribuição. Um dia destes voltaremos a este tema.).

Com o tempo, esta questão foi caindo no esquecimento. Passou-se o meio ano, e mais outro meio ano e, chegados ao início do terceiro meio ano, nem sinal da empresa têxtil tunisina. Uma vez mais, usou-se e abusou-se do “orgulho trofense” e, até ver, batemos numa parede. É possível que a empresa acabe por se instalar no concelho, o que seria uma óptima notícia, mas a verdade é que nem esta nem, tanto quanto sei, qualquer outra empresa se instalou no concelho da Trofa. O desemprego, especialmente entre os jovens, continua a configurar uma dura e preocupante realidade e, à excepção de alguns estágios, daqueles com que o governo nacional mascara os números, esta realidade não mudou rigorosamente nada desde que o novo executivo assumiu funções. Fica no ar a questão: onde está o investimento privado? Talvez seja melhor perguntarmos ao tal “orgulho trofense”…

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5 Responses to O orgulho trofense e o investimento privado

  1. gabriel fernandes says:

    Uma coisa que nunca cheguei a entender foi o facto de na altura as candidaturas para as supostas empresas serem entregues na CMT, afinal para que servia o IEFP e os centro de emprego?

  2. Anonymous says:

    Isto não é difícil de perceber com os políticos quem tem passado pela Trofa não se pode esperar outra coisa a não ser de beneficiar alguns dos empresários deste conselho não é a toa que foram compradas empresas falidas em pontos estratégicos.

  3. Pingback: Embaixadorias e o investimento privado | …e a Trofa é minha!

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