Mais um exercício de ironia e amnésia socialista

rosa

Perante o anúncio da nova variante circular com que o governo PSD/CDS-PP pretende remendar o problema do congestionamento da EN14, assistiram-se a várias reacções dos diferentes quadrantes da opinião pública trofense. Como seria de esperar, a reacção do PS Trofa não se fez esperar: “Não nos contentamos com soluções que adiam o futuro e o desenvolvimento do nosso concelho e que não resolvem na plenitude os problemas da Trofa” argumentaram os socialistas. Uma argumentação coerente com a solução apresentada durante o seu mandato para o problema dos Paços do Concelho. Como não conseguiram plantar as tão prometidas flores, não plantaram coisa nenhuma e lá se manteve a sede do município numa vivenda à face da Avenida das Pateiras.

Apesar de legítima, a reacção dos socialistas trofenses não deixa de ser contraditória com aquilo que a governação socialista fez com o Parque das Azenhas que, por ter acelerado a obra de forma a tê-la pronta para as últimas autárquicas, comprometeu-a, adiou o seu futuro e, em vez de resolver um problema, criou um novo. Tudo em nome do eleitoralismo desesperado de um executivo que já conseguia vislumbrar a derrota eleitoral ao fundo do túnel.

Não deixa por isso de ser caricato ver o PS Trofa acusar o actual executivo de eleitoralismo quando o próprio PS Trofa tanto uso fez dessa mesma prática, não só na questão do Parque das Azenhas, mas principalmente quando deu palco para uma das manobras eleitoralistas mais denunciadas da história do nosso concelho: o anúncio da vinda do metro para a Trofa pela então secretária de Estado Ana Paula Vitorino, antiga companheira de Joana Lima na bancada parlamentar do PS. À altura, e fazendo uso das palavras agora veiculadas pelo grupo de vereadores socialistas na CMT, também o episódio do metro foi “uma solução desenhada à medida da campanha eleitoral” que se aproximada.  A história, essa malvada do contra, teima em repetir-se…

Contudo, e longe do discurso violento que caracterizou o recente comunicado da JSD Trofa, os vereadores socialistas acabam por ser comparativamente razoáveis quando afirmam, sobre a solução encontrada, “Não desvalorizamos o facto de introduzir uma melhoria na rede viária“, apesar de, em seguida, frisarem que a mesma está longe da solução prometida e mesmo da alternativa negociada entre as 3 autarquias envolvidas em 2012. Algo que, convenhamos, faz sentido.

Os socialistas usam, porém, um argumento que, por ser falso, dá um toque de manipulação às declarações emitidas quando afirmam que a construção da variante teria sido um “compromisso eleitoral desde executivo municipal” do qual abdicou. Não sei onde os senhores vereadores terão lido tal coisa mas, a julgar pelo programa eleitoral da coligação Unidos pela Trofa, o compromisso eleitoral sobre este tema dizia assim:

Dar continuidade aos processos das variantes à EN 104 e, especialmente, EN 14, junto das entidades competentes, trabalhando para que as mesmas sejam construídas próximas do centro da cidade para que possam servir a população trofense e não apenas a dos concelhos vizinhos. Pensar em variantes longe do centro da cidade é matar, definitivamente, o centro da cidade e criar um concelho a duas velocidades. As variantes terão de ser pensadas e executadas dentro do projecto a que chamámos “Carta das Acessibilidades da Trofa”, integrada e em rede com o desenvolvimento harmonioso das freguesias, dos transportes públicos e de mercadorias, as zonas comerciais e industriais da concelho.” (páginas 7 e 8)

E, gostemos ou não, este era o verdadeiro compromisso da coligação relativamente a este tema: “dar continuidade ao processo“. o que não é a mesma coisa que executar o projecto inicial. Podemos estar ou não de acordo, mas a verdade é que, conscientemente ou não, foi isto que os trofenses sufragaram e, a julgar pelo resultado das autárquicas, a maioria daqueles que exerceu o seu direito de voto concorda com o transcrito. A própria questão que configura um dos principais aspectos em discussão sobre a questão da variante circular, a sua passagem no centro da cidade, parecia já antecipada quando é referido que o executivo iria trabalhar no sentido de que “as mesmas sejam construídas próximas do centro da cidade“. Entrando no campo da especulação, fica no ar que a solução agora apresentada era já do conhecimento do executivo antes mesmo deste o ser.

Nota ainda para algumas críticas construtivas, nomeadamente os novos constrangimentos que se vão criar no centro da cidade, algo que não se verificará nos dois outros concelhos, o facto da solução apresentada não ser propriamente facilitadora do acesso à zonas industrializadas do concelho, a perda de qualidade de vida dos moradores da zona da Avenida 19 de Novembro, a ausência de estudos de impacto ambiental em algumas zonas e, claro, a questão do eleitoralismo. Contudo, ver o PS Trofa falar de eleitoralismo, e de soluções apresentadas à pressa para favorecer tal prática, acaba por ser irónico tendo em conta o passado recente da governação socialista. A acusação de deixar cair este antigo anseio dos trofenses remete-nos para a questão do metro que, segundo afirmavam os sociais-democratas nos tempos de oposição, foi também deixada cair quando a unificação dos parques, nos moldes actuais, se processou. A história repete-se e, entre a amnésia e a ironia, o PS Trofa assemelha-se ao PS de António Costa: vago, silencioso e com elevado défice de ideias. Uma rosa muito murcha.

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