Uma geração a lutar por ti. Mas só às vezes…

Laranja

A 29  de Dezembro de 2011, surgia um artigo no saudoso blogue da JSD intitulado “Srª Presidente de Câmara a quem pensa que anda a enganar??“. Entre várias acusações que ali foram apresentadas, algumas coerentes outras simplesmente populistas, quero destacar uma que, em nota de rodapé, dizia assim:

Olhe outra coisinha, pagou à Deloitte por uma Auditoria e este estudo cerca de 70 Mil Euros!! Será que a Câmara não tem técnicos qualificados e competentes para fazer estes estudos e trabalhos?!!! Pois, nós achamos que desrespeitou os órgãos competentes! E levar a Reunião de Câmara e à Assembleia Municipal, só depois apresentar, ESQUECEU-SE?

A acusação fazia algum sentido. Se existiam técnicos qualificados e competentes para levar a cabo a auditoria, os 70 mil euros pagos à Deloitte terão sido um despesismo desnecessário para uma autarquia entalada em dívidas. Por outro lado, argumentou-se que para um trabalho daquela ordem de delicadeza seria necessária uma entidade externa, que para além de fora da esfera de influência do executivo teria mais experiência e competência para a levar a cabo. Ambos os argumentos são coerentes pelo que é difícil perceber qual teria sido o caminho mais acertado a trilhar. Optou-se, como sabemos, por contratar a consultora para o efeito.

Vem isto a propósito dos meus passeios por esse inferno da transparência que é o base.gov. E o que descobri lá desta vez? Ora descobri que, apesar dos quadros da CMT contarem com juristas e advogados, que partindo do mesmo princípio que parte o artigo citado são competentes para exercer as suas funções, o actual executivo contratou os serviços de um escritório de Gaia – Belchior e Associados, Sociedade de Advogados RL – representado no contrato por ajuste directo por Francisco José Bolota Belchior, para a “Prestação de serviços de patrocínio e assessoria jurídica ao município da Trofa“. O valor do contrato, com IVA a 23%, ficou nos 29.520,00€ e tem a duração de um ano a contar de Março de 2014, data da sua assinatura.

Curiosamente, cerca de 2 meses depois, a empresa pública Trofáguas celebrou também um contrato por ajuste directo com o mesmo advogado, agora aparentemente a título pessoal, para o “Patrocínio e Assessoria Jurídica à empresa Trofáguas“, no valor de 22.140,00€ (valor já com IVA à taxa de 23% incluído) e também pelo período de 1 ano. Ora sabendo que a empresa pública em questão dispõe também de pelo menos uma advogada nos seus quadros, será que, voltando às palavras da JSD, a mesma não teria qualificação e competência para levar a cabo as tarefas delegadas nesta profissional?

Somados os valores, estamos a falar de um total de 51.660,00€ que, apesar de num caso ser delegado ao escritório que, a julgar pelo nome contará pelo menos com o Sr. Francisco José Bolota Belchior como accionista maioritário, e no segundo caso à mesma pessoa mas a titulo individual, acaba por ir dar praticamente ao mesmo. Fica no ar a questão sobre se se poderia poupar este valor delegando as mesmas tarefas aos quadros da CMT e da Trofáguas, que como sabemos está sob a alçada do executivo camarário. Socorrendo-me de novo das palavras da JSD, terão estas duas entidades desrespeitado os órgãos competentes?

É interessante perceber que a JSD Trofa, outrora tão preocupada com os ajustes directos (e com advogados de Lisboa) como este vídeo comprova, não abre hoje a boca para fazer referência a este tipo de situações que se multiplicaram nos últimos meses. Desde que a coligação Unidos pela Trofa chegou ao poder claro. Que triste que é ver o “activismo” e a irreverência juvenil esfumarem-se no ar quando o tabuleiro se inverte. Uma “geração a lutar por ti” desde que a luta não interfira com os interesses do partido pois claro!

*****

Leituras adicionais:

O estranho caso de Paula Cristina Teixeira Moreira                                                                                       A nobre arte de prestar contas à população                                                                                                       Estranha forma de orgulho trofense                                                                                                                     Não é o dinheiro sectários, é a atitude!!!                                                                                                              Sobre o favorecimento da CMT ao Correio da Trofa                                                                                      Ajustes directos: uma neblina que não quer levantar

P.S. No artigo citado, o(a) autor(a) ataca Joana Lima dizendo “Sabe como se chama o que anda a fazer? Clientelismo partidário e jeitos pessoais.“. Palavras para quê?

Advertisements
This entry was posted in Ajustes Directos and tagged , , , . Bookmark the permalink.

6 Responses to Uma geração a lutar por ti. Mas só às vezes…

  1. Pingback: Retratação | …e a Trofa é minha!

  2. Pingback: Retractação | …e a Trofa é minha!

  3. Pingback: Na antecâmara das Legislativas: o apelo ao ódio da JSD Trofa | …e a Trofa é minha!

  4. Pingback: Transparência, a nova arma de arremesso socialista | …e a Trofa é minha!

  5. Pingback: Uma Bolota no sapato de Sérgio Humberto | …e a Trofa é minha!

Deixa aqui o teu comentário...

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s