Ajustes directos: uma neblina que não quer levantar

neblina 3

Regresso uma vez mais ao tema dos ajustes directos. Alguns entre os caros leitores poderão estar a achar “Mas que raio! Este gajo não larga os ajustes directos, parece perseguição. Não haverá mais nada sobre o que escrever?”. Há caros leitores. E de que maneira. Mas tudo tem o seu tempo e existem coisas que, por poucos falarem nelas e serem de extrema gravidade, devem ser tornadas públicas. Se existe coragem para ir à televisão dizer que temos direito de saber como se agilizam os ajustes directos, então a mesma coragem deve existir para os explicar aos trofenses. Até ao momento, o executivo que tão bem diz saber usar as redes sociais não disse uma palavra que fosse sobre o assunto. E isso tem uma leitura política óbvia.

Na planeta encantado das coincidências por ajuste directo, uma nova e insólita situação emerge desse “inferno” da transparência que é a plataforma Base: Contratos Públicos Online, mais conhecido no faroeste autárquico como base.gov, endereço através da qual o caro leitor poderá surfar todo um mar de contractos públicos entre autarquias e as mais variadas entidades. A empresa ANP SOARES, SOCIEDADE UNIPESSOAL, LDA, assinou recentemente dois contractos por ajuste directo com a autarquia trofense, em 20 de Novembro e 12 de Dezembro respectivamente. O primeiro, no valor de 26.304,00€, diz respeito à “Aquisição de serviços para a divulgação e publicidade de promoção de ações no âmbito da operação 4 – apoio e ação social, promoção de saúde e desporto” enquanto o segundo, no valor de 27.400,00€ refere-se à “Aquisição de serviços de publicidade e divulgação do parque das azenhas (desdobrável informativo, livro fauna e flora, exposição permanente – água e biodiversidade, filmes – adultos e crianças, conceção e produção de outdoors). A estes valores acresce IVA, que, e como até agora ninguém me corrigiu neste aspecto, suspeito tratar-se da taxa máxima, ou seja 23%.

Ora a pessoa que representa a empresa em cima citada em ambos os contractos chama-se Ana Patrícia Nunes Pereira Soares. Até aqui tudo bem. Mas uma coincidência levantou-me algumas dúvidas: é que a designer do Correio da Trofa também se chama Ana Soares. É pelo menos isso que podemos verificar se acedermos à ficha técnica do jornal de campanha da coligação Unidos pela Trofa. A isto acrescenta-se o facto de, na ficha técnica do festival Cinetrofa, também podermos constatar que o design gráfico ficou a cargo de alguém que nem de propósito tem o mesmo nome: Ana Soares.

Vamos assumir que se trata de uma coincidência e que estamos até a falar de 3 pessoas diferentes: uma Ana Soares que representa a empresa ANP SOARES, SOCIEDADE UNIPESSOAL, LDA, outra Ana Soares que exerce funções de designer no Correio da Trofa e uma terceira Ana Soares que exerceu funções no Cinetrofa. Nesse caso, quero desde já assumir que os casos recentes de ajustes directos suspeitos e nebulosos me condicionaram a análise e me fizeram levantar falsas suspeitas de uma hipotética situação de promiscuidade. Contudo, e no caso de estarmos a falar de uma só Ana Soares que representa a empresa citada, exerce funções no Correio da Trofa e exerceu funções no Cinetrofa, o caso assume contornos de uma gravidade considerável no sentido em que a pessoa contratada pela coligação para integrar o seu jornal foi também “seleccionada” para integrar a equipa do Cinetrofa e ainda recebeu, já com IVA incluído à taxa de 23%, cerca de 66 mil euros da CMT via ajuste directo, não fossem os vários designers trofenses quererem também uma oportunidade de fazer valer as tais oportunidades para todos que o presidente Sérgio Humberto também vezes referiu em campanha.

A factura dos ajustes directos suspeitos e nebulosos (ver detalhe em baixo: Leituras adicionais) ascende assim a cerca de 390 mil euros e aproxima-se perigosamente do meio milhão de euros que o vídeo da JSD referia quando se tornou necessário puxar da falsa irreverência para atacar o anterior executivo. Com a “pequena” diferença de tudo isto se ter processado em pouco mais de 2 meses. Será que chegando lá teremos novo vídeo, com vozes engraçadas e algum sentido de humor à mistura? Claro que não. A maior parte dos membros da JSD nem sequer sabe do que se trata porque, como seria de esperar, estes temas não são para ali chamados. Quanto muito a pequena elite que dirige o núcleo tem conhecimento e, como bons discípulos, remetem-se ao silêncio cobarde caracterizado por uma cumplicidade que fala por si e ajuda a perceber lugares na Assembleia Municipal e estágios remunerados na CMT. Onde estão os Fábios Neves e respectivos(as) instrutores(as)? Como de costume, em lado nenhum. Quanto muito estão a olhar pela sua vidinha. Mas isto sou eu que sou um frustrado que não conseguiu chegar a presidente da JSD e como tal dedico-me agora a denunciar estas situações como forma de me vingar. Eu e a minha agenda marxista-leninista obscura de tomar o poder no concelho. Suspeito que estou habilitado a ser entalado um dia destes à beira da Trofauto, não sem antes perseguir violentamente duas jovens indefesas. Jedi mind tricks

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Leituras adicionais:

O estranho caso de Paula Cristina Moreira Teixeira                                                                                       A nobre arte de prestar contas à população                                                                                                      Estranha forma de orgulho trofense

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8 Responses to Ajustes directos: uma neblina que não quer levantar

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