Instrumentalização política: o caso de Fábio Neves

Manipulação

Na passada Quarta-feira, ao entrar na página institucional de Facebook do presidente da Câmara Municipal da Trofa Sérgio Humberto, deparei-me com uma publicação onde se podia ler o seguinte:

Hoje estive a analisar ao pormenor os resultados da gestão financeira de 2014 da Câmara/Município da Trofa. Os resultados são extraordinários! Brevemente serão tornados públicos. A Trofa e os trofenses merecem!

Perante este momento de exaltação da transparência com a tónica no facto dos trofenses “merecerem” ser informados, aproveitei o momento para questionar o autarca sobre algo que me continua a intrigar: os ajustes directos suspeitos, nomeadamente o caso Paula Cristina Teixeira Moreira e Fernando Henrique Moreno, que juntos envolvem uma verba que ronda os 300 mil euros e que foi diluída entre várias empresas, muito provavelmente de forma a não ultrapassar o limite máximo de 75 mil euros, limite a partir do qual se torna obrigatório abrir um concurso público. Escrevi então:

Os trofenses também merecem ser esclarecidos sobre alguns ajustes directos que têm sido feitos nos últimos meses. Irá prestar contas aos trofenses neste capítulo senhor presidente? Ou continuaremos a viver na neblina de casos como a da senhora Paula Cristina Teixeira Moreira que num curto espaço de tempo assinou 3 ajustes directos, com 3 empresas diferentes, todas elas geridas por ela, num valor que ascendeu a quase 180 mil euros? Não chega ir à TVI dizer que se devem prestar contas à população. É preciso efectivamente prestá-las. Obrigado

Claro que, como é habitual quando a questão é altamente suspeita como é o caso, o presidente remeteu-se ao silêncio. Até aqui tudo bem. Nem sequer me passava pela cabeça que respondesse porque, como é também habitual, os políticos desviam-se o mais possível das questões que colocam em causa a sua credibilidade e/ou carácter. Mas o que estava para vir é que me surpreendeu. Confesso que já tinha saudades de ver tropas de choque politico-partidárias com telhados de vidro a dar o corpo às balas. Estágios remunerados na Câmara Municipal da Trofa não caem do céu, é preciso “merecê-los”.

O jovem em questão chama-se Fábio Neves, integra a CPC da JSD Trofa e foi bastante activo na campanha da coligação Unidos pela Trofa. E como tantos bons “abanadores de bandeira”, o Fábio foi um dos vários escolhidos para receber um estágio profissional remunerado na CMT. Será que o teve que disputar num concurso justo com outros jovens? Tenho sérias dúvidas mas ok, vou dar o benefício da dúvida.

Confrontado com o meu comentário na página do líder, o jovem jota decidiu “puxar-me as orelhas” porque eu não saudei o milagre da gestão financeira autárquica. É óbvio que não saudei. Como é que eu posso saudar algo que não é público, sobre o qual não tenho informação alguma? Se o próprio presidente da CMT anuncia que esses resultados serão em breve tornados públicos, como poderia eu saudar algo que é do conhecimento de apenas meia-dúzia de pessoas, entre as quais aparentemente o próprio Fábio Neves que, ao que pude apurar, exerce funções precisamente no gabinete da presidência? Já agora, onde estava o Fábio Neves quando a anterior gestão operou uma drástica descida nos consumos internos megalómanos da CMT herdados do anterior executivo social-democrata? Em lado nenhum. Este tipo de pessoas não se pode dar ao luxo de elogiar os feitos da oposição. Faz parte do espírito de claque que caracteriza estas pessoas. Eu, felizmente, e ao contrário do miúdo, sou um homem livre, e isso permite-me elogiar ou criticar qualquer político, seja de que cor for, dependendo de cada situação específica. Não tenho tachos para pagar. Sou livre.

De forma a tentar contornar o assunto, o jovem tentou contornar a questão dos ajustes directos suspeitos aludindo ao facto de serem cobertos por fundos europeus. Mas a questão não é a origem do dinheiro, é a atitude em si. E convenhamos que os fundos europeus também são financiados pelos nossos impostos, não crescem nas árvores. A questão é a forma como o dinheiro é atribuído e os esquemas que se utilizam para garantir que o mesmo é a atribuído a quem interessa atribuir. De outra forma abrir-se-ia um concurso público normal. Mas se a questão dos fundos europeus é real, não é menos real que a Volta a Portugal foi também paga com fundos europeus e nem por isso o Fábio Neves veio a terreiro fazer este tipo de defesa quando a sua estrutura juvenil atacou, por várias vezes, o anterior executivo. Lá está, quem quer crescer na política partidária do bloco central vê-se forçado a estas figuras. Parcialidade, dualidade de critérios e cobardia continuam a ser o prato do dia.

Vi-me então obrigado a entrar numa discussão que sabia ser à partida uma inutilidade. É um dos meus defeitos: discutir com crianças formatadas a soldo de quem os instrumentaliza. É um defeito que já foi mais grave e que venho a trabalhar mas ao qual não consigo ainda fugir na totalidade, principalmente quando sou confrontado com alguém que recorre à mentira e à manipulação e que foge às questões centrais que são levantadas. Mas antes este defeito do que organizar armadilhas, bater na oposição e de seguida inventar mentiras para tentar colocar o agressor no lugar de vítima.

Comecei por questionar o jovem sobre os ajustes directos já referidos, bem como o ajuste directo feito ao jornal criado pelo seu partido, o Correio da Trofa. Como seria de esperar, Fábio Neves não teve coragem de pegar no assunto com frontalidade, algo que facilmente se explica pelo facto de ele saber perfeitamente o que se passou e, quem sabe, tenha vergonha de falar sobre o assunto. E ele sabe que estes ajustes directos são suspeitos mas não pode criticá-los porque isso poderia colocar em causa o seu estágio remunerado na câmara e qualquer possibilidade de um dia vir a ser dirigente partidário. Ao invés disso, o jovem optou por introduzir variáveis que nada tinham que ver com o assunto e ainda teve a lata de, não respondendo às minhas questões, levantar-me outras, de natureza semelhante mas relativamente às quais não apresentou uma única prova, nomeadamente o eterno meio milhão de euros que o anterior executivo terá dado ao Notícias da Trofa e que, tal como o mitológico Audi Q7, os membros da claque laranja simplesmente não conseguem provar. Para tornar a coisa mais interessante, o jovem puxou do chavão do costume dos fracos sem argumentos: és do contra. Em breve dedicarei um artigo neste blogue para lhe mostrar quem é do contra, com base em declarações e publicações no blogue da estrutura que integra. Claro que não terei reacções da parte do jovem Fábio. Os parciais não têm capacidade para ver além daquilo que os instruem a ver.

Questionei-o novamente sobre os mesmos tópicos. Remetido à sua cobardia, Fábio Neves voltou a fugir a todos e, dando forma à acusação que lhe fiz, escudou-se atrás do papel de vítima por se sentir insultado. O que o Fábio não percebe é que, quando se chama cobarde a alguém que está a ser cobarde, tal não constitui um insulto mas antes a constatação de uma realidade. E as palavras do Fábio falam por ele.

Mas é aqui que o extraordinário acontece: perante a ausência de argumentos sólidos, Fábio recuou a um passado sobre o qual foi instruído a falar pois remonta a uma altura em que ele teria uns 5 ou 6 anos (ou menos), para me atacar pelo facto de ter sido um “militante frustrado da JSD”. É verdade, nunca escondi isso, que com 16 ou 17 anos tive a triste ideia de me deixar arrastar por amigos para o interior dessa organização altamente formatada. Foi uma experiência que durou cerca de um mês (confesso que não me lembro muito bem, não só porque já se passaram uns 13 ou 14 anos mas principalmente por não ser algo a que tenha dado importância e que, confesso, me meteu algum nojo. Em breve escrevei sobre o que me lembro dessa triste experiência) e que foi motivada pelo mesmo motivo que a grande parte dos jotas acabam nas jotas: porque os seus amigos os trazem para lá. Fábio Neves agarrou-se a isto para me acusar de ser um frustrado que não conseguiu chegar a líder da JSD. Não sei o que será mais patético: se este miúdo achar que somos todos sedentos de poder e capazes de tudo como ele e alguns dos seus amigos, se inventar uma história deste calibre sobre um miúdo pacato que nem sabia bem o que andava lá a fazer e que saiu rapidamente depois de ver a podridão que o rodeava. É o que dá escrever aquilo que lhe mandam. Nem a capacidade de escrever no singular o rapaz teve.

Sinceramente, tenho pena de miúdos que abanam bandeiras, recebem um tacho e depois se vêm forçados a fazer este tipo de figuras ridículas por estarem na mão de terceiros. Quem instrumentaliza este tipo de miúdos devia ter pelo menos o bom senso de arranjar argumentos sólidos e não mentiras, manipulações ou outros esquemas dignos de gente rasca e sem carácter. Os culpados são eles, os grandes cobardes e manipuladores que se escondem por trás de fatos bonitos e sorrisos de plástico. A eles quero deixar-lhes uma garantia: podem manipular, mentir, mexer na vida privada de terceiros ou fazerem as cobardias que bem entenderem. Mas se pensam que demovem alguém estão enganados. Só reforçam a vontade de lutar por um lugar melhor, livre de corruptos e traficantes de influências. Eu durmo bem à noite. E a vossa consciência? Será que ela vos faz sentir um traste sem carácter todos os dias? Espero bem que sim porque é isso que vocês são: trastes sem carácter. Vocês são a primeira razão deste país estar como está.

*****

Nota final: queria recordar todos os que lerem este texto, que os trofenses não têm que “merecer” ser informados: os trofenses devem obrigatoriamente ser informados porque são eles os patrões de todo e qualquer responsável político em funções na CMT. Não é um favor que nos fazem, é uma obrigação.

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6 Responses to Instrumentalização política: o caso de Fábio Neves

  1. Anonymous says:

    Adorei:)

  2. Anonymous says:

    Que coragem! Força!

  3. Nelson says:

    Muito bom meu caro amigo. Forte abraço.

  4. LC says:

    Sem me deter sobe artigo, registo apenas a nora final. O direito à informação está consagrado na lei, não existe por merecimento ou por graça do executivo.

  5. Pingback: Ajustes directos: uma neblina que não quer levantar | …e a Trofa é minha!

  6. João Mendes says:

    Obrigado a todos e desculpem a demora 🙂

    LC: estou em total acordo e fiz questão de o frisar no texto!

    Um abraço a todos

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