OPJotas: O sonho da Democracia Participativa

Um pombo banal que, durante a 1ª Grande Guerra faz mais que o seu trabalho.

Um pombo banal que, durante a 1ª Grande Guerra faz mais que o seu trabalho.

Antes que se fizesse tarde, e na linha de esforço deste executivo em dar provas pelo mandato que cumpriu um ano, foi lançado o IV OPJ do Município da Trofa. Para os menos atentos às politicas de juventude e às novas tendências de práticas democráticas, o OPJ consiste basicamente em: abrir candidaturas para projectos elaborados por jovens ou escolas integrarem o orçamento da CM; trabalhá-los com os jovens ou com as escolas candidatas; apresentá-los na Assembleia Municipal Jovem constituída para o efeito; e por fim, na dita Assembleia, escolher os projectos (âmbito geral e escolar) vencedores.

Um pouco por todo o país, os Orçamentos Participativos têm sido adoptados pelos Municípios como forma de, teoricamente, promoverem a participação dos cidadãos afastados das responsabilidades políticas pelos métodos da Democracia Representativa. A Trofa, mantendo-se no útil estatuto de estudo de caso (às vezes para coisas boas) não é excepção. Por cá, direcciona-se o Orçamento Participativo para os Jovens e para as políticas de juventude. Falam nele com algum orgulho e até alegam projecção internacional. Não tenho muitas dúvidas disso.

O ponto levanta-se quando além de projectos relacionados com questões mais queridas à juventude, são apresentados projectos que, do ponto de vista social, têm um carácter de urgência ou projectos da responsabilidade da autarquia e das instituições de onde, no geral, estão os jovens arredados, e do interesse do comum cidadão com mais de 30 anos.

Num instante, um método que deveria promover as ideias, vê-se na obrigação de reconhecer a inaceitável carência de, por exemplo, uma escola que não tem computadores para os alunos. Atribuir o orçamento a projectos como estes é mais que justo. É tão mais que justo que chega a ser óbvio. No mundo dos humildes mortais confiantes no bom-senso – sendo óbvio – nunca exigiria que tivesse de ser defendido publicamente por jovens com 10 anos.

Aqui os Jovens não são mais nem melhores do que noutra qualquer autarquia. Apenas se vêem obrigados a tapar os buracos que alguém, por ter um campo de visão limitado, deixou ao tempo. Não são visionários nem estrategas brilhantes, limitam-se apenas a resolver problemas com mais anos que eles com uma facilidade que deveria envergonhar qualquer cidadão com ou sem responsabilidades politicas.

Mais do que com orgulho, deveria alguém olhar para o OPJ da Trofa com consciência. Embaraçados, deveriam reconhecer que pessoas que nem votam são mais dotados que eles. Além de ultrapassar autarcas, ultrapassa partidos e as suas escolas de Jotas. De repente, temos um novo sentido para “jotas”. Temos OPJotas. Temos Jovens no lugar a que pertencem e que, normalmente está ocupado pelos outros Jotas.

Nisto o OPJota (dos Jovens) é um sucesso! Embora não dure todo o ano, estamos perante um advento de ideias e politicas feitas por quem, sem interesses de ter mais paralelos que o vizinho ou do congresso para o curriculum, faz muito mais e melhor.

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About Pedro Amaro Santos

Da Rua José Moura Coutinho (N14) chego a qualquer parte do Mundo.
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