Não devo nada ao meu tio

tumblr_mbw254U2WO1r2cg12o1_500_largeDos Cafés das Estações às Associações Culturais e Recreativas, poucos são os que não estão habilitados para mandar três ou quatro patacoadas acerca do novo paralelo da Rua Nova de Cima ou se levantarem ferozmente contra iniciativas que não coloquem, pelo menos, um busto no canteiro mais perto da sua casa.

Grande parte das vezes, a generalidade de temas comentados carecem de dados sinceros e de clareza de discurso. Estão inquinados pela fraca opinião pública assente em boatos e jogadas baixas de quem tem canal e, embebido em argumentos de autoridade, age como Maior-da-aldeia.

Não sei como é noutro país, mas em Portugal a persistência vale mais que as capacidades, a razão, a qualidade e até do que a verdade. Também ainda não sei bem como é noutros concelhos, mas a Trofa não é excepção para a questão da persistência vs verdade.

Não poucas vezes me ouvirão dizer que a Trofa é espectacular como estudo de caso de fenómenos político-sociais. Seria até inquietante e digno de estudos sociológicos se pudéssemos estudar também fenómenos culturais. Mas a cultura no território diamante ainda está a tentar ganhar lugar na cabeça de quem tem alguma responsabilidade em dinamizá-la. Pode ser que um dia, no intervalo do jogo do trofense, alguém tenha uma epifania cultural e perceba o que está mal.

A Trofa é tão pequena e tão grande quando nos convém. O território diamante tem a dimensão ideal, acreditamos. – Ou pelo menos tem a que alguém permitiu que tivesse. Não é difícil que, sem atalhos partidários, digamos umas coisas interessantes. Aqui, difícil é não termos nas veias a paleta de cores do partido pelo qual o nosso tio concorreu à junta de freguesia em 98. Quando assim é, vamos por onde nos convém.

Sigo, há algum tempo, esta página. É fácil citar os dados que apresenta, difícil é concordar com tudo o que aqui se diz porque temos a paleta de cores da candidatura do nosso tio ou devemos três ou quatro favores ao executivo de 2000 que deu emprego ao nosso filho mais novo. Tão pequena que é a Trofa que todos temos tios candidatos e parentes empregados. Chato. Portanto, mais difícil que tudo isto é, sem medo, nos demarcarmos do primo e do tio e, sem clientelas, trazer alguns dados verdadeiros e  clareza de discurso para a trofada de cada dia.

Não é como tique discursivo que conjugo os verbos na primeira pessoa do plural. Também não é por falar em nome de um alter-ego politico. É porque não sou (somos) melhor que ninguém. Como disse, todos temos tios candidatos e parentes empregados. Mas nem todos temos de estar à espera que nos toque alguma coisa na partilha ou no tacho.

Tecidas as considerações sobre o meu tio a quem nada devo e sobre o território diamante estudo de caso, pede o protocolo que, em momentos como este, deixe três ou quatro dicas que permitam o espectador-leitor acusar-me de jovem inocente e influenciável. Assim sendo, fiquem a saber que me lembro todos os dias que, da Rua José Moura Coutinho chego a qualquer parte do Mundo. Na pior das hipóteses, chego ao auto proclamado centro da cidade da Trofa.

Ainda não me convenceram que estamos bem na Trofa mas, como não tinha idade consciente quanto escrevia “Muro, Santo Tirso”, vou dar o penoso benefício da dúvida aos discursos que emulam esta identidade trofense.

Já me tentaram conotar com todos os partidos da AR. Até à data só está comprovado que sou “Pelo Muro, Sempre!”. Entre outros clichés políticos pirosos acredito que convém limpar o nosso quintal antes de salvar o mundo. Pelo menos tentar arrancar as ervas daninhas. Por isto e por um breve percurso que pouco vos interessará, assumo convictamente o lugar de membro da Assembleia de Freguesia do Muro, pelo Independentes Pelo Muro, liderado por Carlos Martins.

É radiante a bandeira independente. Temos de agradecer por isso às dúbias intenções dos partidos nas autarquias. Estamos mais perto do que nunca de comprovar que os partidos nas autarquias pouco servem para mais do que suportar o sistema que pouco favorece os verdadeiros interesses da Dona Laura e do Pequeno João. As falhas estão aos olhos de todos e permitirão o amanhecer do admirável mundo novo do poder local: honesto, integro, justo, por e pelas pessoas.

Sem vos querer prometer grande coisa, será nesta linha que trarei para aqui modestos contributos sobre os mais ou menos intrigantes temas trofenses. Não sou o paladino nem sou personagem de nenhum advento politico. Não esperem mais do que mais um “herético desnaturado que ousa esmiuçar a realidade politica e social da sua terra”. Perdoem-me já todos os paladinos, tios, parentes, jotas, amigos, maiores-da-aldeia, comentadores do café, beatas e moralistas. Catastroficamente todos temos genes vossos. Contudo, nem todos temos de vos fazer as vontades. Paciência.

Advertisements

About Pedro Amaro Santos

Da Rua José Moura Coutinho (N14) chego a qualquer parte do Mundo.
This entry was posted in Uncategorized. Bookmark the permalink.

Deixa aqui o teu comentário...

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s