Episódio I – A Ameaça Fantasma (Parte II)

(texto originalmente publicado a 11 de Maio de 2013 no Facebook)

Se as versões das duas jotas fossem coerentes, seria fácil fazer a ponte entre o bloqueio espacial da Federação do Comércio (e consequente invasão) e o momento que se segue no filme de George Lucas. A falta de honestidade evidente obriga-me a fazer adaptações ao roteiro inicial de modo a adaptar a fuga relatada pela JSD. No filme, os dois jedis que são enviados a Naboo para evitar o bloqueio acabam por ser descobertos e, durante a sua fuga, salvam acidentalmente um Gunga, Jar-Jar Binks, que os leva até Gunga City onde Obi-Wan Kenobi e Qui-Gon Jinn conseguem um transporte para se deslocaram à capital do planeta Naboo e resgatarem a rainha Amidala e a sua dama de companhia. No planeta JSD, as coisas passaram-se de maneira diferente mas o salvamento da presidente Sofia Matos (SM) e da sua Secretária-Geral Adjunta (SGA) não foi menos espectacular. Nem menos “hollywoodesco”…

Acto II – A fuga de Tatooine

Se o discurso dos jovens socialistas foi confuso, o discurso da JSD parece-me ser a trapalhada total. Em declarações à TrofaTV em formato conferência de imprensa, SM afirma que ia levar a sua SGA a casa e deparou-se com Daniel Lourenço (DL) e Amadeu Dias (AD), sendo que DL estava de “alicÁte” (versão enfatizada da palavra “alicate” recorrente no discurso lido por SM) na mão pronto para retirar o único cartaz sobrevivente da campanha politica promovida pela JSD para “alertar” para o problema dos buracos nas estradas do concelho. Mais à frente, SM afirma ainda que DL afinal estava com a placa na mão, placa essa que ainda está no mesmo sítio e que, momentos antes SM tinha afirmado estar em vias de ser retirada e não efectivamente retirada. Parece que temos aqui um novo momento de “mangar com a tropa”: afinal ia tirar o cartaz ou tinha o cartaz na mão? É que nem sequer podia ser outra placa retirada de outro sítio uma vez que é a própria JSD, pela voz da sua líder, que garante tratar-se da última placa. Em que ficamos? A concentração de midi-chlorians está a diminuir drasticamente, sinto a Força a abandonar o discurso da JSD…

(NOTA para reflexão: Aqui o discurso da JSD salta imediatamente para “a perseguição continua” o que forçou SM e SGA a pedir ajuda e, junto à Trofauto, “tudo se precipitou”. Segundo SM, os dois grupos encontraram-se (mas já não se tinham encontrado? Não havia uma perseguição em curso? Exactamente como é que dois carros em modo “perseguição” se cruzam?), e a JSD omite temporariamente a acção. Ou seja: num momento estão a começar uma fuga, no outro a porrada já começou, foi tudo automático, não existe um encadeamento lógico da acção. O que leva alguém, que afirma estar a dizer a verdade, a omitir parte da acção de forma tão denunciada?)

Se eu já estava parvo com o domínio da física atómica por parte de DL que consegue, em simultâneo, vandalizar uma placa que está no poste e ter essa mesma placa na sua mão, daqui para a frente fiquei completamente estupefacto. Não sei se por falta de tempo para preparar o discurso, se por não ser verdade ou se apenas por demonstrar o mesmo nervosismo que DL frente aos focos da comunicação social, SM afirma que estava a ser perseguida e que se enfiou na tal rua sem saída junto à Trofauto. Se sabia que estava a ser perseguida, o que, assumindo que SM diz a verdade significa não só que consegue ver os perseguidores como também estes a têm no seu campo de visão, porque não entrou na Rua Conde São Bento e regressou à sua sede? Porque não seguiu em frente ou mesmo para casa? Uma rua sem sentido? Está a ser perseguida por alguém que a consegue ver e enfia-se numa rua sem sentido? For real??? Até o Chewbacca se riu! E Filipe Couto Reis (FCR), será algum jedi? Não porque nem os jedis se conseguem deslocar à velocidade da luz. E o próprio FCR afirmou à revista Sábado que estava em casa a dormir e não junto à sede como SM afirmou à comunicação social! Mas que parvoíce é esta? Estamos a brincar com a cara de quem?

Façamos um pequeno exercício e imaginemos este cenário: SM e SGA deparam-se com DL e AD a retirar o cartaz do poste na rotunda do Catulo. Elas dentro do carro e eles na rua. SM e SGA são ameaçadas e fogem. Quanto tempo demora, às 02h, da rotunda do Catulo até à Trofauto? É que os dois locais estão separados por cerca de 400m e se calcularmos por alto, a uma velocidade de 50km/h, o percurso faz-se em quê? 30 segundos? E quem está a ser perseguido segue a 50km/h? Claro que não! Quem se sente ameaçada como SM afirmou sentir-se não segue a 50km/h. E se estão a ser perseguidas, o que significa que conseguem ver quem os persegue, enfiam-se numa rua sem saída para ser apertadas ai? E se, tal como SM afirma, sabiam que era uma rua sem saída, de onde é impossível fugir, achavam que, sabendo que estavam a ser perseguidas e no campo de visão dos “vilões”, seriam bem sucedidas na sua fuga? Desculpem mas isto é estúpido. É que depois ainda assistimos à afirmação de SM que, neste espaço de tempo de pânico, ela e a sua SGA não conseguiram ter o sangue frio de fazer uma opção diferente de fuga mas conseguiram pegar no telefone, ligar a FCR e FCR conseguiu chegar ao local em quê? Dez segundos? A sério que alguém acredita que no espaço de cerca de 30 segundos – ok, vamos dar um minuto inteiro às donzelas – existe tempo para telefonar para alguém e esse alguém se consegue levantar da cama, vestir, sair de casa e chegar ao local? Isto entra em conflito total com a lógica e com o limite máximo do razoável, simplesmente não faz sentido nenhum. Na volta trata-se mesmo um Jedi. Eu apostaria no Mestre Yoda. Nesta fuga de Tatooine, um simples Anakin Skywalker nunca seria suficiente, tinha que ser um Jedi mais experiente! Se calhar concentrou-se a Força toda em FCR e talvez por isso a argumentação da JSD seja tão pobre e falível…

Mais: quando SM e SGA arrancam da rotunda do Catulo, mesmo que DL e AD tivessem o carro estacionado no lugar mais próximo da rotunda, nunca conseguiriam arrancar em fracções de segundo. Imaginem outro cenário: SM e SGA arrancam (tentem acompanhar mentalmente o carro em marcha em direcção à rua sem saída) e DL e AD correm para o carro, abrem o carro, sentam-se e ligam o carro para iniciar marcha, não sem antes colocar no sítio a placa que SM afirmou estar na mão de DL e que estava lá no dia seguinte. Durante este espaço de tempo, as duas fugitivas já podiam estar a passar o estádio do CDTrofense. Os timings não batem certo meus caros, venha quem vier.

Outra: SM afirma que tinha que fugir dali e que foram para um beco para se esconderem. Mas tinham medo exactamente do quê? De serem brutalmente assassinadas, metidas em dois sacos e lançadas ao rio Ave? E já agora, onde entra FCR? Chegaram ao beco, ficaram escondidas enquanto os dois vilões as procuravam de faca na mão até que chega FCR e um dos vilões larga a faca e atira-se ao braço do homem para o “ferrar”? Eu não estou a negar que FCR tenha sido efectivamente mordido. A questão é que se aquilo que a TrofaTV mostra são efectivamente as marcas da ferradela, tal teria que ser feito na parte interior do braço o que em posição frontal não é sequer possível. Aliás, para “ferrar” naquele sítio só vejo duas opções: ou o “ferrador” está preso pelo pescoço, com o agressor nas costas e tem posição para “ferrar” naquela zona, ou a ferradela aconteceu durante os supostos socos de FCR a DL dentro do carro o que colocaria a zona interior do braço à mercê dos dentes de DL. E se assim for, as agressões não foram fora do carro, foram dentro e constatamos mais uma incoerência fatal no discurso social-democrata. E, sinceramente, quem é que num “combate” mano a mano se atira ao braço para “ferrar” quando pode dar um soco ou um pontapé? É só a mim que isto parece um barrete de todo o tamanho? Vocês conseguem imaginar dois homens de porte em vias de iniciar o pugilato e um deles se atirar ao braço do outro sem que o outro sequer o empurre? Sejamos sérios: existem desenhos animados mais credíveis do que isto.

Tal como relatado no Acto I, a versão da JSD não acrescenta grande coisa na entrevista ao Correio da Trofa. SM tem contudo uma afirmação curiosa: “eu arranco (da rotunda do Catulo depois de encontrar os dois vilões de “alicÁte” na mão) e eles metem-se dentro do carro e é ai que eu percebo que estou a ser seguida pelos mesmos senhores”. Para tudo! Afinal não era da minha cabeça, não foram os jedi mind tricks socialistas que me enganaram: mal arranca, SM percebe imediatamente (e assume-o) que está a ser seguida por dois “siths” que estalaram os dedos e já estavam atrás dela em marcha em fracções de segundos (a menos que SM e SGA tenham esperado que eles entrassem no carro para ser uma perseguição mais justa) e mesmo assim enfia-se numa rua sem saída sabendo perfeitamente que está a ser perseguida? Será masoquismo ou a certeza de que tinha as costas quentes assim que chegasse à rua sem saída? Ou será apenas o descontrolo de uma mentira mal elaborada? Não sabemos. Talvez sejam os midi-chlorians a actuar ao serviço da JS obrigando a “rainha Amidala” dos jovens sociais-democratas a meter os pés pelas mãos. São os mistérios insondáveis da Força…

Depois, e um pouco à imagem do seu homólogo socialista, SM inicia depois a parte política do seu discurso. Se na peça da TrofaTV já tínhamos sido brindados com “nós eramos duas mulheres, eu com 22 anos e ela com 19. Tínhamos mais era que pedir ajuda” num claro “ombro-a-ombro” com o poema do “homem político” de Marco Ferreira, daqui para a frente inicia-se uma fase de clara propaganda. SM começa por afirmar que as placas foram colocadas como alertas para um problema real. E muito bem na minha opinião! Aliás, tanto quanto sei, fui dos poucos de fora da estrutura social-democrata que elogiou as placas e a sua originalidade. Mas dai até o objectivo ser um “alerta para um problema real”? Eu vejo a coisa mais como “um alerta para os pontos fracos do executivo socialista em período de campanha autárquica”. Depois ouvimos falar em ameaças e na condenação de “todas as atitudes de violência” (mensagem para FCR? O homem só foi lá para vos proteger caramba!) e no facto de SM nunca ter incitado ninguém à violência. Não sei se já o fez ou não (quero acreditar que não) mas sei que, enquanto presidente da JSD Trofa, devia incitar o moderador do seu blogue a não permitir a violência verbal contra alguns dos seus “opositores”. Não só não incita como tem pleno conhecimento que o moderador do seu blogue aprova comentários com difamações e ataques pessoais cirúrgicos a determinadas pessoas, às vezes com contornos de revista cor-de-rosa do mais baixo e reles que se pode imaginar. Contudo, o ponto alto do discurso político de SM é quando esta alude ao 25 de Abril, dia histórico que nem ela, nem o blogue ou o Facebook da JSD fizeram qualquer tipo de referência este ano mas que, dada a conveniência para a “narrativa” da censura e liberdade de expressão que tentou desenvolver se tornaram, neste momento, relevantes. Diz SM que “no mês de Abril, em que a democracia se celebra e a liberdade também, é inadmissível que isto aconteça quando eles próprios (JS) são os primeiros a defender os ideais da democracia e da liberdade e não sabem…”. Se calhar a SM devia pensar em defender mais vezes esses ideais de democracia e liberdade. Quando nem no blogue da estrutura à qual preside eles são uma constante, talvez fosse mais sensato cultiva-los com mais convicção para que quando necessitar de a eles recorrer como desta vez, a sua legitimidade seja à prova de bala.

Um detalhe para fechar: em entrevista ao Correio da Trofa, SM afirma que FCR estava à beira da sede da JSD. No entanto, em declarações à revista Sábado, FCR afirma que estava em casa, a dormir. Conclusão: um deles tem OBRIGATÓRIAMENTE que estar a mentir.

Que a Força esteja convosco!

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