Diga lá outra vez senhor presidente?

Se puxarem o vídeo para o minuto 10, irão deparar-se com uma pergunta da moderadora sobre os contratos públicos que vai mais ou menos assim: “Contratações públicas: essas sim deviam ser divulgadas ou não? Mais?”. A resposta do presidente Sérgio Humberto é a total negação do caso do favorecimento da Flexisílaba/Correio da Trofa. Aqui vai:

Deviam. Nós temos a consciência, que não sei se é o caso do que se passa no Carregal do Sal, a Trofa está num plano de ajustamento financeiro, portanto, nós periodicamente temos essa avaliação relativamente às contratações públicas. Posso dizer que, num ano de mandato, tivemos a PJ duas vezes na câmara municipal, tivemos o IGF duas vezes na CM, tivemos a DGAL também na CM e portanto se à coisa que tem sido feita é este contacto porque o Município da Trofa está num plano de ajustamento financeiro. E, portanto, obviamente que nós infelizmente não estamos a lançar tantos concursos públicos como era desejado, mas estamos essencialmente a tentar pagar a dívida e a fazer pequenas obras, agora esta comunicação, nomeadamente a questão do ajuste directo à empresa que foi, de que forma é que foi, é importante fazer. E isso já é feito através

Neste momento, Sérgio Humberto é interrompido pela moderadora que lhe pergunta: “Mas há ajustes directos? Continua a haver?”. O presidente da CMT responde:

Continua a haver e tem que haver obrigatoriamente. Obviamente que há diversos tipos de ajustes que se tem que fazer para prestações de serviços, para empreitadas, para diversas dimensões, e é importante que quando aconteça que seja transparente. Quando se fala de transparência, não é só na via digital, obviamente que a Trofa gostaria de estar numa posição, independentemente de achar que as dimensões podiam ser diferentes, e ter tido em atenção algum tipo de critérios, mas obviamente é preferível estar no pelotão da frente do que no pelotão de trás, como é obvio, e seria estúpido se não o dissesse, mas essa questão da transparência, e isto já devia acontecer há muitos anos, hoje nós estamos num cenário, eu o Rogério e muitos, portanto, que estão à frente destes 308 municípios, isto já devia acontecer há 10, 15, 20 anos atrás, se isso tivesse acontecido, se calhar não estávamos na posição que estamos hoje. Se calhar não estávamos na posição que estamos hoje. E a estes alertas… eu acho que a questão política, é preciso dizer desta forma: ser político é um acto nobre porque estamos a gerir dinheiro público que não é nosso e temos que aplicar bem. E nós temos que prestar contas à nossa população. E estou convencido que há 20 anos isso não acontecia. Nós temos um conjunto de dificuldades, e ainda bem por um lado, a lei de compromissos, outro tipo de rigor, prestar contas, mas anteriormente aquilo que o presidente dizia era lei, hoje não é. Tem que cumprir regulamentos, tem que cumprir regimentos, tem que dar no fundo reporte ao estado central.

Serei só eu a achar que algo aqui não bate certo? É que, tanto quanto sei, tem havido por ai uns ajustes directos, como os casos da Flexisílaba ou da Expanding World/Operstrong/Universo Paralelo, sobre os quais não fomos minimamente informados, nem sobre a empresa a que foram feitos, nem sobre a forma como foram feitos. A transparência que o nosso autarca considera “importante” não se verificou. E era importante que tal acontecesse porque, tal como o presidente referiu, e bem, “ser político é um acto nobre porque estamos a gerir dinheiro público que não é nosso e temos que aplicar bem”.

Se há coisa com a qual eu estou em pleno acordo é que a autarquia deve prestar contas à população. E nos casos anteriormente citados isso não aconteceu. Pura e simplesmente não aconteceu. Parece-me que alguém está em negação. Diga lá outra vez senhor presidente?

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2 Responses to Diga lá outra vez senhor presidente?

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