Um ano depois – Parte IV: resumindo e concluíndo

Passados a pente fino os aspectos que me pareceram mais relevantes neste primeiro ano de governação da coligação, é chegada a altura de fazer um balanço. Para o fazer, vou começar por regressar até ao início de Agosto e à entrevista dada pelo presidente Câmara Municipal da Trofa ao jornal Audiência. Nesta entrevista, Sérgio Humberto tem uma afirmação muito interessante quando refere que “o último executivo liderado pelo partido Socialista, e não tenho dúvidas em afirmar isto, vai ser considerado e é considerado o pior executivo do século XXI”. Faz me alguma confusão ler isto vindo de um apoiante e antigo colaborador do executivo que enterrou a Trofa em dívidas e que deixou, apesar do branqueamento que algumas pessoas tentam fazer – Sérgio Humberto incluído é isso é claro na entrevista citada – o nosso futuro hipotecado e sujeito a várias consequências graves com a questão dos impostos municipais no máximo à cabeça.

Assim, e regressando ao primeiro artigo desta série, devo relembrar uma vez mais que, um ano após a mudança de executivo, as opiniões divergem. Quem está no poder irá sempre dizer que se verificou um salto qualitativo, quem está na oposição vai sempre dizer que a situação global piorou. A minha opinião situa-se fora destas perspectivas: existem aspectos positivos a saudar, existem aspectos negativos que devem ser sublinhados, mas dizer que o balanço é positivo ou negativo é redutor na medida em que nos faltam dados para perceber, de forma plena, se estamos melhor ou pior. Daqui por três anos será possível fazer um balanço verdadeiramente objectivo e coerente, mas para já não me parece sensato afirmar que o balanço seja bom ou mau. Da mesma forma que o presidente Sérgio Humberto não dispõe de instrumentos de avaliação para categorizar o anterior executivo como “o pior do século XXI” (pode fazê-lo apenas do ponto de vista daquilo que é a sua estratégia de comunicação e conservação do poder) também eu não disponho de todos os instrumentos necessários para dizer que segurança que este ano de mandato foi bom ou mau. Foi o que foi, dentro de um conjunto de prós e contras que devem servir de orientação para o executivo de forma a corrigir onde erraram e prosseguir com aquilo que de bom foi feito.

Fazer o balanço de apenas um ano de governação é sempre muito limitativo, não só pelo curto espaço de tempo mas também pela obra que não é ainda reconhecível ou palpável mas que já pode estar em curso. E isto vale para quem como eu comenta, para quem governa e para quem faz oposição. Este executivo já levou a cabo obras, reformas e negociações que demonstram trabalho feito mas que ainda carecem de uma avaliação posterior por parte dos trofenses, no sentido de perceber se estes se sentem ou não melhor servidos do que antes. Carece de efectivação por parte do eleitorado que é quem deve julgar os avanços e retrocessos que se espelham no seu quotidiano.

Vejo situações onde existiu uma evolução muito positiva, casos da redução das rendas com imobiliário ou da melhoria visível na rede viária, que pode não chegar ainda a todo o lado e ter coisas incompreensíveis como o arranjo que foi feito recentemente no acesso à A3, mas que revela um salto muito considerável no que diz respeito à situação que tínhamos até há algum tempo atrás. Existem outras que, apesar de excelentes prognósticos, continuam a não ter qualquer impacto na vida dos trofenses, caso da situação da Savinor ou do novo Centro de Saúde em Santiago. Existem, contudo, muitas situações que continuam na mesma: o Parque das Azenhas, os Paços do Concelho, o metro, a variante, o preço da água e a incapacidade de criação de postos de trabalho pelo investimento são talvez os mais significativos para a generalidade da população. Talvez um ano seja pouco para lidar com todos estes dossiers, alguns deles fora da esfera de decisão do executivo camarário, mas a verdade é que se tratam de questões centrais para a qualidade de vida dos trofenses que continuam sem solução.

Do ponto de vista administrativo, entendo que se verificaram  avanços interessantes e que se auguram boas perspectivas de futuro. Existem problemas do passado ainda sem solução à vista mas que, convenhamos, o anterior executivo não conseguiu resolver em 4 anos. Aliás, até contribuiu para o fracasso de um deles: o Parque das Azenhas. Porém, existem questões políticas que carecem de explicação. Situações que os trofenses têm o direito de ver esclarecidas.

O caso do favorecimento da empresa Flexisílaba, proprietária do Correio da Trofa e “activista” pró-coligação Unidos pela Trofa é um caso, a meu ver, extremamente grave. Quando a proximidade entre este jornal e o executivo é de conhecimento público, a situação é já muito grave. Quando em cima disto constatamos que muitas edições do CT se dedicam quase em exclusivo a louvar a governação social-democrata/centrista e a soltar o Toninho para cima de um Partido Socialista personificado na pessoa de Joana Lima, a gravidade do caso dispara. Não existe moralidade ou ética numa manobra desta envergadura. É um embaraço e uma mancha difícil de remover num executivo feito de e apoiado por pessoas que, vezes sem conta, puxaram da cartada de favorecimentos que o anterior executivo terá alegadamente levado a cabo. Devia ser explicado à população. Ainda por cima porque o concurso de fotografia parece dar sinais de não estar a correr bem depois da recente alteração do regulamento. Mas o mais grave é a parcialidade dos apoiantes fanáticos do executivo que se remeteram à cobardia de fazer vista grossa a este caso. É admirável a forma como a suposta coragem manifestada enquanto oposição rapidamente se transforma em cobardia e conivência com as piores práticas. Mais um caso para o arquivo do “Partido primeiro, Trofenses depois”.

O outro caso, este ainda muito nebuloso mas nem por isso menos suspeito, é o dos três ajustes directos feitos a três empresas diferentes geridas pela mesma pessoa, e que totalizam perto de 180 mil euros. Vi acusações graves serem feitas por membros da direita então na oposição, por casos semelhantes envolvendo homólogos do PS. Com uma excepção: não existe memória de um caso destes que envolva três empresas que estão todas interligadas através de participações mútuas. Trata-se de outro caso que deve ser muito bem explicado aos trofenses sob pena de ir parar à galeria dos clientelismos. É que a história teima em se repetir.

Considerando estes dois casos, a meu ver os únicos verdadeiramente graves neste ano de governação, o balanço não é mau nem extraordinário. É em parte aquilo que se espera de quem se compromete em servir uma terra, daquilo que acaba por acontecer mas que não estava previsto e do ocasional tiro no pé. Será interessante perceber como irão evoluir alguns temas, com destaque para a reorganização dos serviços, para a melhoria da rede viária e a para a questão do investimento. Fica também no ar o que poderá mudar no campo da cultura e da juventude. Fazer uma semana da juventude para os jovens de Bougado e um Cinetrofa às moscas não é, nem de longe nem de perto, suficiente. Mas situações como o caso dos ajustes directos para publicidade ou o caso Flexisíliba não se podem repetir sob pena de retirar autoridade moral a quem tão efusivamente combateu o alegado clientelismo socialista do anterior executivo e a quem enche a boca para falar num suposto “orgulho trofense”, gasto e cada vez mais banalizado.

Finalizo com votos sinceros de que os próximos três anos de mandato deste executivo sejam sinónimo de bom trabalho em prol da Trofa e dos trofenses, sem situações suspeitas que manchem desnecessariamente a sua actuação, e que a Trofa evolua no sentido profetizado pelo actual executivo em termos de atrair investimento, gerar postos de trabalho, criar eventos e iniciativas fora da caixa que ajudem a colocar a Trofa no mapa e sobretudo que se criem cada vez mais condições para fixar as pessoas no concelho com mais trabalho, mais lazer, melhores infraestruturas, apoio social a quem verdadeiramente precisa e um executivo acima de qualquer suspeita sem regressos ao passado e ou favorecimento de clientelas. Os trofenses não irão tolerar aquilo que não toleraram ao executivo socialista. Cabe ao executivo escolher o caminho que quer trilhar e que a maioria dos trofenses colocou nas suas mãos.

Advertisements
This entry was posted in 1º ano Unidos pela Trofa and tagged , , , . Bookmark the permalink.

6 Responses to Um ano depois – Parte IV: resumindo e concluíndo

  1. zé bento machado says:

    Porque não estou a viver na Trofa e por isso não conhecer ao pormenor o seu quotidiano, embora procure manter-me o mais informado possível, concordo, de uma maneira geral com esta crítica pela sua natureza construtiva e pelo que conheço dos assuntos focados.

    • João Mendes says:

      Obrigado Zé Bento Machado. Não será uma análise perfeita (afinal de contas, não passo de um amador nestas coisas) mas é uma análise legítima que, como cidadão e contribuinte posso e devo fazer. Um abraço e volte sempre!

  2. Diamantino Candido dos Santos Branco - Apartado 149 4786-909 Trofa says:

    O Sr.Mendes é benevolente, Com o executivo da Câmara porque, OS CONTRACTOS QUE REFERE E OUTROS, SÃO UM ESCÂNDALO.a EXECUÇÃO DAS OBRAS DA CAPELA E AZENHAS OUTRO, POR NÃO TEREM EXECUTADO A GARANTIA BANCÁRIA, DAS EMPRESAS CONSORCIADAS QUE A CÂMARA PODIA TER EVITADO E, AGORA FALIDAS!!!!!!!As obras lá para 2.030 DC serão executadas à melhor. Enfim, tudo uma trampada, que venho afirmando, no Facebook. Não quero que o meu amigo Zébento, seja, benevolentemente, informado.

    • João Mendes says:

      Até ver, o único contrato que considero escandaloso é o contrato com a Flexisílaba/Correio da Trofa. Os outros poderão ainda ter uma explicação que, até ver, me ultrapassa por completo.

  3. Joaquim Azevedo says:

    Após as eleições numa AM, perguntei ao executivo, qual a função de FMS e obtive como resposta : que era um individuo que entrava pela CM como qualquer cidadão e até era capaz de ir dar uns beijinhos à sua esposa que até trabalhava lá, passados estes oito ou nove meses penso que a verdade começa a flutuar à tona da água e atrevo-me a dizer que isto, melhor este abuso de gastar dinheiro que é dos contribuintes “públicos” e sendo ligado à comunicação, tem dedo, senão mão, desse dito Sr FMS. mas vamos esperar para ver.

    • João Mendes says:

      os contractos relacionados com o universo Expanding World/Operstrong/Universo Particular nada têm a ver com FMS. Pelo menos a pesquisa que fiz levou-me a vários nomes e empresas mas nunca ao dele ou a qualquer empresa que tenha conhecimento que esteja relacionado. Não digo que não possa ser, apenas que não tenho dados que me levem até aí e trabalhar sobre boatos não é comigo, isso deixo para as jotas.

Deixa aqui o teu comentário...

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s