Um ano depois – Parte II: Aquilo que o vídeo não contou

outro

O vídeo com que o executivo apresentou o seu primeiro ano de governação não nos diz tudo sobre aquilo que foram os 12 meses de governação da coligação Unidos pela Trofa. Este artigo será dedicado a discorrer sobre esses aspectos que, por qualquer motivo, passaram ao lado da análise dos partidos no poder. Irei também recorrer ao folheto que surgiu nas nossas caixas de correio, que de forma excessivamente sucinta funcionou como meio alternativo para comunicar a actividade do executivo liderado por Sérgio Humberto.

Vou começar pelos aspectos positivos, que como poderão imaginar serão muito menos que os negativos na medida em que os primeiros foram já explorados no artigo anterior e os segundos não, por motivos óbvios:

1. O Canil Municipal: o canil municipal, estrutura que tive a oportunidade de visitar ainda no tempo do anterior executivo, sofria de enormes limitações, quer estruturais quer organizacionais. No primeiro ano deste executivo foram realizadas obras de requalificação no espaço, que lhe deu nova vida e foi criada uma ligação directa no novo site da CMT que permite saber muito mais sobre a actividade desta instituição e que inclusive permite ver os amiguinhos de 4 patas que lá vivem, para aguçar o apetite pela adopção. Foi, no meu entender, uma medida simples mas tremendamente importante;

2. Descentralização das Assembleias Municipais: com este executivo, as AM’s passaram a ser “nómadas”, no sentido em que foram percorrendo as várias freguesias ao longo do ano. Isto é particularmente importante no sentido de chegar mais perto das populações de outras freguesias, permitindo-lhes o acesso a estas reuniões, que são do seu interesse, sem que tenham que se deslocar ao centro do concelho. A medida assume um carácter muito simbólico se considerarmos que vivemos no norte do país, zona altamente afectada pelo centralismo terrorista de Lisboa;

3. Redução de despesas correntes: a redução de despesas não é um tema inédito, na medida em que anterior executivo trabalhou activamente na redução de várias rubricas megalómanas herdadas do executivo Bernardino Vasconcelos. Não deixa de ser irónico que isto seja agora anunciado com pompa e circunstância, apesar das ausência de números concretos mais concretos que se impõem, ao contrário dos dados apresentados pelo PS e sobre os quais falei aqui em Setembro de 2013. Não seria mais fácil se o executivo mandasse imprimir um resumo dessas contas e as enviasse aos munícipes para clarificar qualquer dúvida que pudesse existir? Eu penso que sim. De qualquer forma, tal é uma obrigação de qualquer executivo responsável e não me merece qualquer distinção adicional. Falar de motoristas e cartões de crédito são instrumentos de mera propaganda;

4. Activação dos painéis solares no Aquaplace: uma medida que há muito se exigia. Não se compreendia como é que este dossier continuava parado à espera de sabe-se lá o quê. Este executivo activou-os, o processo levou a uma redução de 40% nos gastos energéticos e isso é uma óptima notícia;

5. O COPRE: a criação desta entidade, que conta com empresários de topo nacional cujas empresas estão sediadas na zona da Trofa/Ribeirão, é uma excelente jogada deste executivo, não só pelo aconselhamento de topo que tal implica mas também pela aproximação ao tecido empresarial. Espera-se muito deste concelho, ainda que, até ao momento, não existe registo de qualquer avanço, pelo menos no espaço público;

6. Novo Centro de Saúde de Santiago: uma obra imperativa que responde à falta de capacidade do actual centro de saúde, localizado em São Martinho. O projecto está em andamento, resta saber quanto tempo demorará a efectivar-se. Sabemos bem como as obras públicas projectadas para este concelho têm tendência para se arrastar;

7. Criação da marca Trofa: uma interessante estratégia de marketing que tem como objectivo promover o nosso concelho no exterior ainda sem resultados práticos que possam ser apresentados. Pode ser uma enorme mais valia se for bem explorada, mas para já não tem particular expressão.

Posto isto, passemos agora os aspectos negativos que marcaram este ano de governação PSD/CDS-PP.

1. Obra dos Parques Lima Carneiro/Nossa Senhora das Dores: um ano depois, a obra parece não ter fim à vista. Os trabalhos parecem arrastar-se vagarosamente, e as recentes notícias que dão conta do abandono da empresa ABB da empreitada são clara quanto ao grau de incerteza que ensombra esta obra. As implicações são variadas, do trânsito condicionado até a comerciantes como o take-away Campinhos que tem visto as suas receitas descer de forma preocupante;

2. Parque das Azenhas: o parque fantasma da Trofa continua sem solução. E se o problema é responsabilidade da incompetência com que o anterior executivo a geriu, a ausência de soluções por parte deste executivo é preocupante e deixa no ar que poderá ser condicionada por questões estratégicas. Um ano depois, o Parque das Azenhas estava até há poucos dias “absorvido” pela natureza e os perigos, principalmente para as crianças que para ali vão brincar, são razões mais que suficientes para uma tomada de medidas mais vigorosa. Mais um parque que se arrasta e sobre o qual muito foi escrito neste blog;

3. A variante da EN14: apesar do folheto camarário referir que existe pressão deste executivo, juntamente com os municípios da Maia e Famalicão no sentido de resolver este que é um dos maiores problemas do nosso concelho, a verdade é que nada mudou ainda. O projecto continua parado e de Lisboa não chegam boas notícias. Depois de tantos ataques feitos ao anterior executivo relativamente a este tema, esperava-se mais e o que temos continua a ser uma mão cheia de nada e um trânsito caótico que condiciona a vida da maioria dos trofenses;

4. Caso do favorecimento da CMT à empresa proprietária do Correio da Trofa: apesar do baixo valor envolvido neste esquema, esta é talvez a maior nódoa na governação do actual executivo. Fazer um ajuste directo com aquele que foi o maior veículo de comunicação da campanha da coligação Unidos pela Trofa, sem dar oportunidade aos vários profissionais trofenses da área, é um insulto aos trofenses, é a negação da célebre frase eleitoral de Sérgio Humberto que referia que “ninguém iria ficar para trás” e, mais grave ainda, é o consumar daquilo que foi tão criticado no passado pelas mesmas pessoas que agora favorecem uma empresa próxima deles. Este episódio absolutamente vergonhoso foi divulgado neste blog e poderá ser consultado neste link;

5. O Metro: a vinda do metro para a Trofa continua a ser uma miragem. Tal como o anterior executivo, este executivo tem-se mostrado incapaz de conseguir uma solução, apesar do governo central ter as suas cores. A Trofa é hoje um concelho com piores acessibilidades do que há 10 ou 15 anos atrás e toda a população é afectada, com especial destaque para os habitantes da freguesia do Muro. Um problema com barbas que promete estar cá por muitos anos. Talvez para sempre…

6. Redução substancial dos gastos com publicidade: este é um aspecto difícil de aferir. Uma pesquisa rápida pelo base.gov mostra-nos que, só nos últimos 3 meses foram gastos, em ajustes directos relacionados com marketing e publicidade, 191.853,50€. Parece-me muito dinheiro para tão curto período, principalmente se considerarmos que estes valores não incluem IVA, o que pode fazer com que este valor ultrapasse os 230 mil euros. Para além disso, é importante referir que, desse montante, cerca de 20 mil foi ajustado aos “amigos” do Correio da Trofa, e quase 150 mil euros ajustados às empresas Expanding World Lda., Universo Particular – Consultoria, Lda. e Operstrong Lda. (para detalhe sobre os contratos sigam os links sobre cada empresa), todas elas representadas pela exacta mesma pessoa: Paula Cristina Teixeira Moreira. Isto levanta algumas dúvidas, o que, em conjunto com os elevados valores em questão, fazem deste anúncio de redução de gastos um tópico altamente duvidoso.

Uma palavra final para a anunciada redução em 6 milhões de euros da dívida da CMT. O executivo apresentou estes dados recentemente, sem contudo revelar com detalhe os números por trás do dito anúncio. Estes dados levantam-me algumas dúvidas, pois tal como a maioria de vós, eu tenho acesso à informação que é pública e nada mais. Seria importante, a bem da credibilidade deste anúncio, que o executivo disponibilizasse, para consulta pública, dados objectivos que nos pudessem clarificar sobre estes números, sob pena de pairar sobre eles a neblina da incerteza.

Com a publicação deste artigo e do que o antecedeu, penso estarem reunidas as condições para uma análise mais detalhada ao primeiro ano de mandato da coligação Unidos pela Trofa. É possível que me tenha escapado alguma coisa, afinal de contas, sou apenas mais um humano como qualquer um de vós e, como tal, falível. Mas este “especial” não está ainda concluído. Ainda esta semana teremos um novo artigo sobre o outro lado da barricada.

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2 Responses to Um ano depois – Parte II: Aquilo que o vídeo não contou

  1. Jorge Moreira says:

    Para mim passados desde que o primeiro presidente do município tomou posse até a data de hoje é sempre mais do mesmo mesmo que mude a cor partidária, ainda não vi um trofense digno desse nome que se preocupasse com os trofenses mas sim onde vai estar o raio de sol para se aquecer.

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