Um óptimo protocolo. Será que chega a todos que precisam?

dente

Em Junho passado, a CM Trofa e a Clitrofa, Centro Médico Dentário e Cirúrgico Lda, assinaram um protocolo aparentemente único em todo o país. Este protocolo prevê que cidadãos carenciados do nosso concelho tenham acesso a tratamentos de estomatologia que, de outra forma, e devido ao elevado custo dos mesmos, não teriam acesso. Trata-se de uma óptima notícia para aqueles que, por não terem posses, convivem diariamente com problemas dentários que os condicionam muito para além da questão da dentição saudável.

A primeira trofense a beneficiar deste protocolo foi sujeita a uma intervenção no passado dia 7 de Novembro que, pelas contas da própria CMT, ascenderia a aproximadamente 20 mil euros (mais ao menos o valor investido recentemente pela CMT no Correio da Trofa) caso fosse custeada por um qualquer utente da clínica em condições normais. Mas devido ao protocolo em questão, a intervenção foi assumida na totalidade pela Clitrofa. A reacção da nossa conterrânea trofense fala por si. Parabéns à Clitrofa e à CMT!

Claro que, sabemos bem, não há almoços grátis. Pelo menos não os há todos os dias. Se uma operação desta natureza custa 20 mil euros, estender o mesmo tratamento a 50 habitantes do nosso concelho custaria cerca de 1 milhão de euros. E 1 milhão de euros não é propriamente aquele valor que se tem ali na estante ao lado da floreira. A menos que sejamos o Ricardo Salgado, claro! Por este motivo, é fundamental a existência de patrocínios que sustentem esta prática. E o próprio proprietário da Clitrofa, Fernando Duarte, é o primeiro a assumir esta realidade. Até porque não é a troco de umas placas de sinalização cedidas pela CMT que entidade alguma irá despender de 1 milhão de euros. Isto, claro, se este protocolo chegar a 50 trofenses. A quantos será que chega?

Há quem entenda que se trata de um acto de propaganda da parte do executivo liderado por Sérgio Humberto. E se não é mentira nenhuma que explorar casos destes rende votos e popularidade, não é menos verdade que o executivo teve engenho suficiente para trocar umas placas de sinalização por pelo menos um tratamento de 20 mil euros a quem não podia pagar. A menos que as placas de sinalização representem um custo superior aos 20 mil euros, que os tratamentos aos trofenses carenciados fiquem por aqui ou que haja aqui algum “rabo escondido com gato de fora” (a versão do Pinto da Costa é sempre mais engraçada), o executivo consegue aqui um importantíssimo avanço na área da Acção Social, uma medida pioneira e de elevado valor.

Uma palavra final para a Clitrofa, unidade singular que se prontificou a abraçar esta empreitada, liderada por um profissional de destaque, que ainda recentemente esteve na SIC Notícias a falar aos portugueses sobre reabilitação oral e que, para além da disponibilidade para este protocolo, gere uma clínica em movimento, que para além do equipamento de topo e das óptimas instalações, promove intercâmbios, recebe especialistas de outros países e promove acções de sensibilização junto da população. Um óptimo exemplo para o nosso concelho, um exemplo de profissionalismo, dinamismo e dedicação à causa pública. Sim, eu sei, isto aumenta a popularidade da clínica e poderá trazer-lhes novos clientes. Mas isso não invalida, de forma alguma, que se trata de atitude exemplar. Exactamente quantas clínicas de estomatologia da Trofa é que seguiram esta via? Pois é, aí têm a vossa resposta…

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2 Responses to Um óptimo protocolo. Será que chega a todos que precisam?

  1. Anonymous says:

    Caro João,
    É inegável que se trata de uma ação de elevado mérito e importância… Afinal são poucos, muito poucos os que conseguiriam pagar tratamentos da natureza daquele que foi amplamente propagandeado. Isso nem se quer se coloca em discussão.
    Porém há uma questão que me ocorre, para a qual não vislumbro resposta (talvez o problema seja meu… porque não tenho lido muito sobre o assunto)… Como é que foi escolhida a Clitrofa? Porquê a Clitrofa e não qualquer outra instituição / empresa do ramo? A minha questão é: foi garantido o principio da concorrência, conforme estipula a legislação que regula esta matéria (código da contratação pública), ou o protocolo (que é figura que não entra na referida legislação, mas que algumas figuras da nossa praça a utilizam para qualquer “translação”) resume-se, “na parte que corresponde às obrigações da Clitrofa”, a um numero de tratamentos que pelo valor (75 mil euros, no máximo) possam ser magicamente enquadráveis num ajuste direto e daí não ter sido necessário o concurso público? Isto porque quero acreditar que a autarquia cumpriu a legislação. Se foi este o caso – 2 ou 3 tratamentos em jogo – parece-me que há motivo para dizer que foi mais uma campanha de folclore politico. Se não foi – há mais tratamentos em jogo e por conseguinte um custo associado superior a 75 mil euros – poderemos estar perante algo mais grave.
    Até podem dizer que não há dinheiro envolvido, em que um oferece uma coisa e outro outra (tratamentos vs placas de sinalização). Nesse caso é-me permitido pensar (pensar é sempre… Dizer nem sempre) que me cheira a favorecimentos e a pouca transparência. E como dizia o João na sua reflexão… Não há almoços grátis!

    • João Mendes says:

      Sabe anónimo, eu tenho por princípio basear aquilo que escrevo em factos objectivos. não digo que as acusações que faz não sejam verdade, apenas que precisam de ser devidamente provadas.

      Eu não sei se a Clitrofa foi escolhida ou se se ofereceu para o efeito. E sinceramente não me parece que, para este efeito, exista a necessidade de abrir algum concurso. Afinal de contas, numa terra que se entregam centenas de milhares de euros em ajustes directos, não me parece propriamente necessário que se abra um concurso para ganhar umas placas de sinalização.

      A questão do ajuste directo mágico, prática tão recorrente no universo político português é uma hipótese. Como lhe disse não tenho nada que me indique que assim foi mas é uma hipótese que não pode ser descartada apenas porque eu ou você não acreditamos nela.

      Anyway, e sendo o caro anónimo um cidadão obviamente informado (talvez político da oposição, quem sabe) e não correndo risco de ser “reprimido” porque não revela a informação adicional de que dispõe? Quem falar assim não costuma ser gago 🙂

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