Uma viagem ao parque abandonado

caminho

(Lamento mas o fotógrafo de serviço (eu) é um mau utilizador da máquina. Não havia outro disponível…)

Entrei naquele caminho pelo bairro da Barca. A primeira visão que tenho transporta-me para a minha infância, quando brincávamos na rua, andávamos de bicicleta e descobria-mos as várias bouças e campos que por aqui havia, um pouco por todo o lado, alguns de mato relativamente denso quando o Verão – quando ainda havia Verão – os fazia florescer. O dia era de sol, a temperatura perfeita e à minha frente a vegetação ocupava a maior parte do cenário. Para o take ser perfeito, aquela azenha abandonada, também ela impiedosamente ocupada pelo mato, dava o toque final à visão idílica com que me deparei ao entrar ali. Mas ao subir as escadas e após espreitar o interior da azenha, reparei no imenso buraco que ali existe e no perigo que ele representa. Lembrei-me imediatamente de uma leitora, Lina Flores, que em tempos me havia alertado para o estado de abandono daquele edifício, há quase um ano atrás. Continua igual…

azenha 2

azenha

O mato, a brotar de ambas as extremidades, ocupa a maior parte do passeio em algumas partes, tendo já causado alguns danos no piso. Há postes tombados, um sobre o passeio, outro sobre o mato, há bancos (aqueles que não estavam lá quando o Parque das Azenhas (PdA) foi inaugurado a correr antes das eleições, lembram-se?) cobertos de mato e baldes do lixo cobertos de mato. O cenário de abandono é desolador.

poste

poste 3

buraco no passeio

Os passadiços não estão em melhor estado. Apesar da estrutura se manter ali aparentemente sólida, algumas partes começam a desaparecer. Entre as peças do parapeito ou as talas que constituem o piso do passadiço, muitas foram os souvenirs que foram dali levados, quem sabe na esperança de um dia reconstruir as estruturas, caso as chuvas do Inverno que se avizinha as queiram levar.

Curioso reparar que a ausência de parte do piso dos passadiços é de tal forma significativa que existe mesmo vegetação que, mais do que espreitar por entre os espaços livres, decidiu ir além destes e crescer por entre buracos. Sinergias raras que combinam a irresponsabilidade política com os fenómenos da natureza.

ponte sem parapeito

ponte 2

ponte

Apesar de muitos trofenses continuarem a aproveitar o Parque das Azenhas, a verdade é que ele é hoje um armadilha a céu aberto. Claro que a responsabilidade sobre possíveis danos que aqueles que o visitam possam sofrer é exclusiva dos mesmos, uma vez que o acesso à infraestrutura continua interdito, mas é urgente solucionar este problema sob pena de assistirmos à degradação de um investimento de centenas de milhares de euros que, ao invés de contribuir para o aumento da qualidade de vida dos Trofenses, se afigura cada vez mais como mais um acto de destruição irresponsável de recursos públicos.

Um ano depois, o actual executivo camarário continua sem encontrar soluções para este problema que não criou mas cuja responsabilidade de solucionar é agora sua. E se o ímpeto eleitoralista da recta final da campanha do PS Trofa nas últimas Autárquicas é efectiva e incontornavelmente a origem deste problema, tal justificação vale tanto para o actual executivo como valeu para o anterior o facto de ter herdado o apocalipse financeiro da governação social-democrata liderada por Bernardino Vasconcelos. É que nisto das heranças, bem escavadinho dá sempre para puxar atrás até ao Afonso Henriques ou mesmo até aos romanos, basta que a coisa seja bem argumentada. Compete portanto ao executivo liderado por Sérgio Humberto solucionar este problema de forma rápida e eficaz.

Com o Inverno a chegar e as primeiras chuvas a dar o ar da sua graça, avizinham-se tempos difíceis para esta frágil infraestrutura. Aos danos já existentes poderão juntar-se novos danos, mais peças a flutuar no Rio Ave e mais armadilhas, principalmente para as crianças que, dada a sua natureza curiosa e aventureira (com excepção aqui para aqueles que resumem as suas aventuras a uma versão virtual das mesmas), são um alvo fácil para os perigos que o Parque das Azenhas encerra.

Este é um daqueles episódios em que a figura abstracta do eleitoralismo se pode quantificar em perdas reais, palpáveis. Não tivesse o anterior executivo acelerado a construção do PdA para poder receber o agora fantasma político António José Seguro e apresentar obra aos Trofenses em cima do acto eleitoral, e talvez a mesma tivesse sido concluída com sucesso. Ou será que foi a empresa construtura, que percebe tanto disto como alguns calhaus com olhos percebem de política? Não sei. O que eu sei é que está ali um problema sem solução à vista e que muito do dinheiro dos nossos impostos foi desbaratado nesta estratégia idiota que nem bem sucedida foi. Será que algum dia iremos verdadeiramente usufruir do Parque das Azenhas? Espero sinceramente que sim apesar de cada vez mais parecer que não…

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9 Responses to Uma viagem ao parque abandonado

  1. Anonymous says:

    caros amigos como moradora de ribeirão com vista para o parque das azenhas anuncio que começaram as limpezas do lado da entrada do hospital para a ponte do comboio

  2. Anonymous says:

    Já agora convinha saber de quem é ou foi (!?) a empresa que forneceu o material para os passadiços,pontes,vedações ect.
    E em que condições foi escolhida para tal .

  3. Jorge Moreira says:

    Lamentável é continuar a deixar a degradação continuar,este executivo pelo menos deveria fazer a manutenção já que são muitos os trofenses que continuam a desfrutar do espaço é de louvar alguns trofenses que vão fazendo a vez do município inclusive atletas profissionais e seus treinadores,é de louvar alguns trofenses que vão fazendo a vez do município e colocam algumas cabritas a pastar e com isso ajudam o senhor presidente da câmara e também vão cortando a erva par dar aos coelhos que tem lá em casa, já agora, nesta santa terrinha em que eu pertenço é bem o espelho dos governos nacionais cada um que entra é pior que o que sai.

  4. Pingback: Parque das Azenhas: bom tempo, boas notícias | …e a Trofa é minha!

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