Inês. Uma história que não termina aqui

raio de luz ines

Eu nunca conheci a Inês. Nunca estive com ela nem nunca falei com ela por telefone. Troquei uma vez umas mensagens com ela no Facebook. A isto se resume a minha interacção com este pequeno anjo guerreiro que na passada Quarta-feira perdeu a batalha contra a maldição do cancro. Mais uma. Novembro é definitivamente um mês negro…

Não há muito que eu possa dizer sobre a Inês. O que eu sei é o que a maioria das pessoas que acompanharam o desenrolar desta luta sabem pelo que não tenho nada de novo a acrescentar. Mas apesar de nunca a ter conhecido, de nunca ter estado com ela, sei que a Inês foi uma pessoa muito especial. Não apenas porque lutou com todas as suas forças contra essa doença maldita que atinge cada vez mais pessoas ou porque apesar disso tentou sempre encará-la com um sorriso nos lábios. O impacto da Inês na nossa vida foi muito mais que isso.

A Inês foi capaz de despertar um sentimento de união e de comunidade como há muito não via. Sem nada pedir, a Inês conseguiu mobilizar milhares de pessoas em torno da necessidade de ajudar o próximo, algo cada vez mais raro nos tempos que correm, não só na Trofa como um pouco por todo o país. As pessoas saíram à rua para caminhar pela Inês, para dançar pela Inês, para cantar pela Inês. As pessoas juntaram dinheiro para ajudar a Inês. O impacto do caso da Inês fez com que outros casos encontrassem também eles ajuda. A história da Inês foi um murro no estômago de uma sociedade cada vez mais isolada, mais virada para dentro e mais deprimida pelos tempos difíceis que vivemos. A Inês mostrou-nos que é possível juntar pessoas tão diferentes a remar na mesma direcção. A Inês despertou aquilo que de melhor existe no ser humano. A Inês foi um impulso e uma inspiração para fazer o bem. É assim que me vou recordar da Inês: como uma dádiva na nossa vida.

Este é o legado da Inês. Talvez estas palavras não sejam suficientes para exprimir o que esta menina fez por uma sociedade doente e apática, quando todos pensávamos que éramos apenas nós que a estávamos a ajudar a ela. As palavras nunca são suficientes quando estamos perante uma experiência destas. E ainda existem por aí muitas meninas e meninos que precisam de nós. Meninas, meninos, doentes incapacitados, idosos que sofrem na solidão, pais e mães que não comem decentemente para que os seus filhos o possam fazer. Há muito a fazer. E se o fizemos uma vez, temos obrigação de o fazer tantas vezes quantas forem necessárias. Para que todos os que sofrem sejam pelo menos tão felizes como a Inês foi.

Resta-nos agradecer aquilo que fizeste por nós Inês Raio de Luz! Que o teu exemplo nos ilumine a todos. E obrigado por fazeres de todos nós melhores pessoas. Descansa com a certeza que esta história não acaba aqui 🙂

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