Usar e abusar do “orgulho trofense”

chavao

Desde que a coligação Unidos pela Trofa assumiu funções que tudo o que de bom acontece neste concelho é a materialização desse conceito abstracto e pouco claro que dá pelo nome do “orgulho trofense”. Vem ai uma nova empresa? É o “orgulho trofense” a funcionar. O evento da CMT ultrapassou todas as expectativas? Culpa do “orgulho trofense”. A Trofa é referida pelos melhores motivos na comunicação social? Agradeçam ao “orgulho trofense”. A menina adoptou um cão? Foi o “orgulho trofense” que desceu à terra e imbuiu o seu espírito de amor e caridade.

Acho que se está abusar do “orgulho trofense”. Está a ficar gasto e a perder a substância que inicialmente teve porque, ao invés de distinguir situações verdadeiramente singulares, já serve para qualquer coisa. Durante a campanha eu até conseguia compreender pois o conceito ajudava, e de que maneira, a carimbar a candidatura da Unidos pela Trofa de bairrista e próxima da população, por oposição à ideia que tentavam passar de uma Joana Lima elitista e afastada do cidadão comum. É interessante perceber que, da mesma forma que a candidatura vitoriosa do PS em 2009 muito beneficiou dessa estratégia de aproximação à população assente na ideia da “mulher do povo”, por oposição ao antecessor “elitista”, a estratégia do PSD/CDS acabou por seguir o mesmo trilho ao tentar colocar Joana Lima no lugar que o PS tentou colocar Bernardino Vasconcelos em 2009, “transferindo” a ex-autarca para a elite e transformando Sérgio Humberto no “homem do povo”. Tão parecidos que eles são.

Também interessante é perceber que o “orgulho trofense” só dá o ar da sua graça quando a coisa corre bem. A rua alagou à primeira chuva? Nem sinal do “orgulho trofense”.  O Cinetrofa teve uma assistência muito aquém das expectativas? O “orgulho trofense” só apareceu na última noite para a cerimónia que encheu com convidados e todas as tropas do actual regime a dizer “presente” e a tirar fotografias. A Trofa paga a tarifa mais cara da água em todo o país? O “orgulho trofense” está na fila do multibanco a pagar a factura. A empresa tunisina ficou na Tunísia? O “orgulho trofense”, tão presente quando esta foi anunciada, há cerca de um ano atrás, parece estar agora em parte incerta.

Talvez fosse boa ideia repensar o conceito. Porque a banalização e a parcialidade podem virá-lo contra os seus criadores. Eu tenho orgulho no meu concelho, na minha cidade, na minha freguesia, por aquilo que elas são e não porque alguém me disse para ter através da imposição de um conceito eleitoral. O “orgulho trofense” está a ficar gasto e, parece-me expectável, irá em breve transformar-se numa arma de arremesso contra o actual executivo. Tal como o de “mulher do povo” se virou contra Joana Lima.

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4 Responses to Usar e abusar do “orgulho trofense”

  1. Joaquim Azevedo says:

    apenas e só subscrevo este texto, um abraço.

  2. Pingback: O que nos reserva 2015? | …e a Trofa é minha!

  3. Pingback: O orgulho trofense e o investimento privado | …e a Trofa é minha!

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