Eu não quero ser representado por um aldrabão. Você quer?

respeito

Em semana de esclarecimentos no E a Trofa é Minha, vou aproveitar a deixa para fazer um que me parece bastante pertinente, não só porque decorre de diferentes chamadas de atenção da parte de pessoas pelas quais tenho elevada consideração e junto das quais procuro, sempre que necessário, aconselhar-me, mas porque as questões destas pessoas podem ser as questões de muitos dos leitores deste blogue, nomeadamente aqueles que têm acompanhado as publicações referentes ao tema em questão. Perante a possibilidade de poder ser mal interpretado no que a este tema diz respeito, vou clarificar da melhor maneira possível.

Se pessoas da JSD Trofa, da JS Trofa, do café da esquina ou do grupo de catequese querem andar ao soco e ao pontapé para resolver problemas que não conseguem resolver de forma civilizada, o problema é deles. Não me parece ser a melhor maneira de resolver esses mesmos problemas, não me parece sequer que resolva o que quer que seja, mas é uma opção da qual dispõem, independentemente dos juízos de valor que possamos fazer. Afinal de contas, antes de pertencerem a estas ou outras organizações, é de pessoas que estamos a falar. E o livre-arbítrio, bem como a responsabilização legal pelas nossas acções são pedras basilares da democracia. Querem andar ao soco para ver que é o maior? Façam o favor! Vão arcar com consequências fruto desses comportamentos? Com certeza. Deal with it!

Acontece que, no caso da porrada entre os jotas, existe um “detalhe” que muda completamente este cenário. É que os envolvidos tornaram este caso público através das estruturas que integram, emitindo comunicados nos seus blogues e páginas de Facebook em nome dessas mesmas estruturas e não a título individual, fazendo deste caso um caso de âmbito político-partidário, sendo que a JSD Trofa relacionou mesmo o episódio com o desaparecimento dos seus cartazes de campanha relativos aos buracos nas estradas do concelho. Ora quando um tema destes sai da esfera pessoal para ser integrado na dimensão partidária, o tema passa a dizer respeito a todos os trofenses, por se tratar de partidos com responsabilidades governativas no concelho em quem a maioria dos trofenses votaram. É bom não esquecer que quase todos os envolvidos, apesar de militarem nas jotas e não nos “seniores” dos partidos, desempenham funções na Assembleia Municipal, Assembleia de Freguesia e nas estruturas de partidos financiados directamente pelos nossos impostos. Se se lembram de andar à porrada no meio da rua e depois emitem declarações contraditórias com objectivos eleitoralistas que implicam obrigatoriamente que uma parte esteja a mentir, então existem ilações e consequências a tirar deste caso. Eu não quero ser representado por alguém que participa na instigação da violência física em praça pública e que depois mente com todos os dentes que têm na boca para manter aparências. E duvido que Trofense algum queira. São comportamentos que podem e devem ser denunciados.

Mas isto não fica por aqui. O poder das jotas é tal que os seus líderes têm assento permanente no Conselho Municipal da Juventude (CMJ), independentemente de serem arruaceiros ou pessoas que mentem por imperativos de propaganda política. Um óptimo exemplo para os nossos jovens. Nessa qualidade (de lideres da jota, não de arruaceiros ou aldrabões pois, como sabemos, e apesar de não sabermos ainda qual, há um que está a mentir descaradamente), dois dos envolvidos no incidente, Sofia Matos e Amadeu Dias, têm assento permanente do CMJ. Quer isto dizer que existe uma pessoa que ajudou a arquitectar uma espera ou uma perseguição, que participou activamente na invenção de uma mentira grave para justificar os seus comportamentos e que tem a distinta cara-de-pau para se continuar a fazer de vítima apesar da sua desonestidade gritante neste caso que integra um órgão público que representa os interesses dos jovens deste concelho. E isto não é admissível numa sociedade civilizada.

Se a historia se repetir como habitualmente faz, daqui por uns 15 ou 19 anos um destes dois jovens, talvez os dois, estarão frente a frente a discutir a presidência da Câmara Municipal da Trofa. Se o aldrabão deste caso for eleito, tal não augura grandes perspectivas de futuro. Uma pessoa que é capaz de participar numa mentira desta envergadura pode ser capaz de muito pior. Pode ser capaz de não olhar a meios para atingir fins. Para além de que é um espelho do que de pior se faz na política nacional: instigar a confusão, mentir, manipular e fazer papel de vítima. Eu luto contra isto, agora e sempre, porque estou farto de políticos sem espinha dorsal, farto de mentiras, farto de manipuladores com pele de cordeiro que nos engraxam com hipocrisia quando estão em campanha mas que estão dispostos a tudo para se manterem ou obterem o poder. Essas pessoas representam o retrocesso, representam o estado deste país permanentemente a bater no fundo com uma classe política corrupta, desonesta e incompetente. Não sabemos quem está a mentir, mas espero que, no dia em que soubermos, se algum dia viermos a saber, que exista a coragem e a determinação para tomar as medidas necessárias sem panos quentes. É preciso respeitar os Trofenses e, no capítulo do respeito, não existe meio termo. Pessoas assim não são dignas de exercer funções em cargos públicos. Pelo menos em democracias.

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9 Responses to Eu não quero ser representado por um aldrabão. Você quer?

  1. Angela Guedes Dias says:

    Acho que nunca comentei aqui, mas perante a seguinte citação, escrita a bold e sublinhado:

    “Eu não quero ser representado por alguém que instiga violência física em praça pública e que depois mente com todos os dentes que têm na boca para manter aparências. E duvido que Trofense algum queira. São comportamentos que podem e devem ser denunciados.”

    …tenho apenas uma observação a fazer: tudo o que relatas aconteceu bem antes da campanha eleitoral, correcto? Foi amplamente divulgado nos meios de comunicação locais, no teu blog e afins, correcto? Inclusive, tu próprio expuseste neste espaço as tuas teorias sobre o que aconteceu ou deixou de acontecer, vários meses antes do dia das eleições, correcto? Então não creio que possas falar pelos 22.397 trofenses que votaram nas ultimas eleições para a Assembleia Municipal, já que desses 10.224 votaram no PSD (e, portanto, na Sofia Matos) e 8.895 no PS (e, portanto, no Amadeu Dias). Saliento, mais uma vez, que votaram vários meses depois dos referidos acontecimentos que, por sua vez, foram amplamente mediatizados e analizados e sujeitos a conversas de café.

    Podes não concordar com a opinião/voto de 19.119 conterrâneos, mas, afinal, vivemos em democracia e, em democracia, és representado não por quem queres, mas por quem a maioria quer 😉

  2. João Mendes says:

    Olá Ângela,
    Engraçado que tu, enquanto pessoa da área da comunicação que até esteve ligada à campanha da coligação alinhes em algumas falácias que passo a enumerar, antes de responder às tuas questões:

    1. Tudo o que aconteceu aconteceu já em campanha eleitoral. Não na sua fase oficial mas ainda assim em campanha e tu sabes perfeitamente que, numa eleição em Outubro, em Maio já se anda em campanha há muito tempo. A vossa pelo menos já estava em marcha, ou estarei errado?

    2. O facto de ter sido divulgado nos meios de comunicação não implica que tenha chegado a toda a gente. E eu teria todo o gosto e dar uma volta pelo meu concelho contigo enquanto perguntávamos a pessoas de faixas etárias com menos contacto com essa comunicação social se eles votariam num arruaceiro. Muitos deles iriam ficar espantados com aquilo que aconteceu porque pura e simplesmente não sabiam.

    3. Depreendes que eu me arrogo ao direito de falar pelos Trofenses apenas e só porque digo que “duvido que algum Trofense queira”? Oh Ângela, obrigas-me a regressar ao facto de que tu és uma pessoa da área da comunicação e que sabes perfeitamente a diferença entre ter a certeza ou ter dúvidas. Por isso não tens que crer coisa nenhuma porque em momento algum quis falar em nome de todos os trofenses nem escrevi o que quer que seja que te permita tirar uma conclusão dessas. Pelo menos no plano racional/lógico. Já vocês em campanha gostavam muitas vezes de falar em nome de todos os Trofenses e eu não creio que o pudessem fazer. Não te vi levantar essa questão nessa altura;

    4. Os trofenses não votaram na Sofia Matos ou no Amadeu Dias. Muitos do que votaram no PSD ou no PS nem sabem que eles existem. Aliás, e tu também sabes disso perfeitamente, muitos Trofenses não conheciam muito mais que os líderes do PS e do PSD. A isto se junta o facto de que, como o desfecho ainda não é conhecido, quem vota PSD acredita (ou faz por acreditar) na inocência da JSD e quem vota PS faz o mesmo em relação à JS. Agora se eles soubessem quem realmente mentiu e originou a troca de galhardetes à guna talvez não se sentissem tão confortáveis em ter essa pessoa sentada numa AM ou AF a representá-los. Tu gostavas de ser representada por um(a) arruaceiro(a)? Tenho sérias dúvidas que gostes. Mas isto é apenas uma questão, não uma certeza.

    Eu não tenho nada que concordar ou deixar de concordar com o voto das outras pessoas. Cada um vota em quem quiser e assume a sua cota parte de responsabilidade naquilo que acontecer posteriormente. E aceito bem ser representado pela escolha da maioria, independentemente dessa maioria poder ser enganada com truques e armadilhas como aconteceu, por exemplo, nos casos de Pedro Passos Coelho ou José Sócrates. Mas isso é muito diferente daquilo que estás a querer fazer passar e que é a ideia de que os trofenses votaram na Sofia ou no Amadeu mesmo sabendo que eles poderiam ter sido o incendiário neste caso. Não Ângela: as pessoas votaram no seu partido, votaram no Sérgio Humberto, na Joana Lima, no prof. Azevedo, no José Magalhães Moreira. Não votaram, e estou aqui a falar da “big picture” na Sofia ou no Amadeu. Os amigos dele até podem ter votado por eles mas ambos sabemos bem que o grosso dos eleitores não votou PS ou PSD a pensar neles. Votou no PS ou no PSD porque são do PS ou do PSD ou porque de alguma forma a campanha de um destes partidos foi de encontro aos seus anseios.

    Outra coisa em que eu tenho a certeza que os Trofenses não votaram, até porque uma das coisas que a coligação lhes prometeu foi acabar com os favorecimentos a amigos e chegados, foi em ajustes directos a empresas proprietárias de jornais criados pela campanha da coligação. Mas ninguém lhes disse que isso ia acontecer pois não?

  3. Angela Guedes Dias says:

    Sim, João, na altura trabalhava para a empresa que fez a comunicação da Coligação, facto que nunca omiti, mas aqui não falo nessa condição, até porque, como sabes, até já nem vivo em Portugal. E não me viste aqui a comentar os factos que relataste ou a defender este ou aquele partido, precisamente porque, como trabalhei na campanha, não o devo fazer.

    O que fiz – e aqui resumo os teus pontos – foi apenas salientar que tudo aconteceu bem antes de as pessoas irem a votos. Se votam informadas ou não, isso já é um assunto completamente diferente. É como se diz no Direito “O desconhecimento da lei não desculpa a ninguém”. A informação estava disponível e acessível para quem quisesse votar estando informado.

    • João Mendes says:

      Não só comentaste os factos que aqui relatei como me colaste, de uma forma que me pareceu deliberada, à presunção de que falo em nome de 22.397 trofenses, coisa que não fiz ou sobre a qual tão pouco escrevi. Reforço a importância de separar aquilo que é levantar uma dúvida daquilo que é afirmar uma certeza coisa que, repito, não fiz. e se tivesse feito tu provavelmente terias recorrido à citação para dar substância à tua crítica.

      Mas voltando à questão da forma como as pessoas em geral reagiriam caso tivessem informação atempada sobre quem foi o responsável por esta estupidez, não tenho a certeza mas dúvido que algum trofense no seu perfeito juízo quisesse ser representando por tal pessoa. Duvido mas não descarto o hipótese. Afinal, e quando o tema é a mentira política, o povo português é hábil na arte do masoquismo. Mas neste caso essa informação não existia. Talvez fosse diferente se tivesse existido.

      • Angela Guedes Dias says:

        Se falasses só por ti, nunca terias referido os Trofenses numa frase a bold a sublinhada. Duvida ou certeza, é uma questão de semântica e interpretação, mas certeza absoluta é que escreveste “E duvido que algum Trofense queira”. E apenas e só comentei isso, não comentei a questão política em si, apesar de quereres passar a ideia que sim, ao me colares ao partido para o qual a minha empresa na altura trabalhava e dizeres coisas como “na altura não te vi a dizer isto ou aquilo”. Quando se mistura alhos com bugalhos para se fazer valer um ponto de vista, chego à conclusão que masoquismo é debater um assunto contigo. Como este espaço é teu, por aqui me fico. Boas escritas João!

      • João Mendes says:

        “Se falasses só por ti, nunca terias referido os Trofenses numa frase a bold a sublinhada.” – LOL? Eu usei o sublinhado e o negrito para chamar dar ênfase aquela ideia, o que é que isso tem a ver com falar por mim ou falar pelos outros? Quem é que está a misturar alhos com bugalhos?

        Dúvida e certeza não são questões de semântica. E eu levantei a dúvida porque acredito que, infelizmente, existem pessoas que não se importam de ser enganadas mas, ainda assim, quero acreditar que ninguém quer ser representado por um aldrabão.

        E tu comentaste isso com base em me colares a algo que eu não disse, o que deita por terra a acusação implícita. Assumo que não estive bem ao colar-te ao partido que ganhou as eleições, da mesma forma que tu não estiveste ao colar-me a algo que eu não disse. Usares isso para catalogares de masoquista o acto de debater um assunto comigo é manipulação.

        O espaço não é meu. E está aberto a todos sem censuras nem esquemas que acontecem noutros sítios. Estás à vontade. Só te peço que não ponhas na minha boca palavras que não disse. Para isso já tive em tempos os jotas. E chegou.

  4. Anonymous says:

    Caro joao ainda bem que consegues falar e muito bem por aqueles que nao tem voz ,oportunidade ou ate meios para tal.
    Por tanto deixo aqui o meu total apoio a todos os teus actos de verdadeiro serviço público e de cidadania que vais escrevendo aqui e na comunicação social.
    continua a esclarecer e a informar sem medo .
    depois da troca de galhardetes com a menina Angela guedes e do nokc out que lhe deste uma coisa positiva fiquei a saber pelo menos ela ja nao esta ca em portugal porque seguiu o conselho do seu guru passos Coelho.
    Pena foi ela nao ter levado o orgulho com ela

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