Sobre porrada e outros comportamentos desviantes

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Termina amanhã aquele que será com certeza o episódio mais caricato de sempre da comunidade jota da Trofa. Pelas 09h, no tribunal de Santo Tirso, começa o julgamento do caso mal explicado de agressões mútuas e alguma manipulação que envolveu elementos da JS, da JSD e do PSD da Trofa. Um caso que, não fosse a questão da violência em si suficientemente vergonhosa, ainda envolveu uma série de mentiras como forma de tentar justificar o injustificável, situação essa que teve o seu ponto alto na contradição evidente entre as explicações de intervenientes do mesmo lado da barricada que prestaram declarações contraditórias que se anulavam mutuamente.

O caso remonta ao dia 1 de Maio de 2013 quando elementos das estruturas citadas se “encontraram” – na versão da JS os jovens socialistas terão sido “entalados” junto à Trofauto, já na versão da JSD tudo se resume a um relato com partes que não encaixam, ficção científica, suspense e algum humor à mistura – e se envolveram em cenas impróprias para pessoas ordeiras. Quase um ano e meio depois, as lideranças dos partidos aos quais estas estruturas pertencem colocaram praticamente todos os envolvidos em lugares de destaque na cena política local, sendo que alguns dos envolvidos ocupam agora posições na Assembleia Municipal, em Assembleias de Freguesia ou na liderança das estruturas que integram. É interessante perceber como este tipo de comportamentos, ao invés de punidos, acabam por ser de certa forma branqueados, exceptuando um “puxão de orelhas” do qual me penso recordar da parte do nosso presidente, mas do qual não consigo encontra uma fonte que o comprove. Uma liderança que leva a sério os seus valores não deve permitir que quem se envolve em cenas deste género e que de seguida mente descaradamente para tentar limpar a sua imagem seja elegível para lugares de representação da população alvo dessas mentiras. É uma falta de respeito a todos os trofenses. É algo que as próprias estruturas deveriam ter tentado perceber, se necessário em conjunto, de forma a tirar a limpo esta situação. As versões não encaixam, alguém está a mentir, o que significa que alguém está a pagar por algo que não fez. Injustamente.

Tudo isto me remete para a realidade do nosso país. Um país que elegeu um primeiro-ministro que mentiu com todos os dentes que tinha na boca para chegar ao poder para substituir um primeiro-ministro que mentiu com todos os dentes que tinha na boca enquanto lá esteve. E, ironia das ironias, a maioria dos envolvidos neste caso ridículo são os mesmos que se remetem ao silêncio quando o seu líder mente mas que se revoltam impiedosamente quando mente o do partido ao lado. Como podemos confiar os destinos do nosso concelho a pessoas que enveredam por este tipo de comportamentos?

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