Da podridão partidária ao salve-se quem ainda puder!

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Como em tudo na vida, quando alguém manda uma generalização para o ar surgem logo várias virgens ofendidas, enquanto a outras pessoas a carapuça não serve. Um desses casos é, por exemplo, aquela generalização do “os políticos não prestam… os partidos são todos uma merda… cambada de gente que só quer tachos à custa do povo e que não sabe fazer nada de útil pela sociedade”. É mais ou menos isto e certamente já o ouviram nestes termos ou noutros. Na Trofa ou noutro sítio qualquer. Sobre a Trofa ou sobre outro sítio qualquer.

Claro que há partidos e partidos e que, mesmo dentro dos partidos mais susceptíveis de ouvirem este tipo de comentários (porque será?), há diferentes pessoas lá dentro, com diferentes propósitos. Porém, as virgens ofendidas, donas da moral, nem sempre sabem o que é a coerência, a educação e o que é, efectivamente, fazer política.

Fazer política não é levantar boatos, mais ou menos infundados. Não me interessa quem tem um Audi q7 ou quem fez obras lá em casa. Desde que o dinheiro não saia do nosso bolso, contribuintes, para mim é-me igual se a pessoa anda num Fiat Uno ou num Porsche. Se mora numa barraca ou numa mansão. Fazer política nada tem que ver com as doenças das pessoas e se elas estão ou não de baixa. Desde que a baixa não seja fraudulenta se quiserem dançar o malhão a responsabilidade é delas. Fazer política não é estar a ver quem namora com quem e quais os dotes musicais desse alguém. Desde que o que é nosso seja bem gerido de nada me interessa saber se a é uma concorrente da Casa dos Segredos ou a vencedora do Prémio Nobel da Física. Baixo, muito baixo. Tudo isto é reles. É queixarem-se num dia de serem os alvos e no dia seguinte estarem a atirar para matar.

O que as Universidades de Verão deviam ensinar (e pelos vistos não ensinam) é como defender os interesses do povo. É dizer: “Minha gente, estão no poder há um ano? O que já foi feito? Prometeram isto e aquilo no vosso programa eleitoral. Já fizeram alguma coisa do prometido?”. É dar sugestões. E é, da outra parte, ter a humildade de as aceitar se forem viáveis. Pode ser fazer montagens anedóticas… mas com causas reais, que afectam o que é nosso, e não o que é do foro privado. Isto à Direita ou à Esquerda. Vale para todos. Para os que enfiarem a carapuça, claro.

Para terminar, volto a pegar naquilo que disse em cima. Há excepções dentro de qualquer estrutura partidária. Como essas excepções já devem saber, o que um partido tradicionalmente defendia já de pouco ou nada vale. Aliás, estamos na fase do vale tudo. E quem vai pelo caminho do vale tudo é porque vale muito pouco. E quem se juntou a um partido pelos seus ideais há muito perdidos, se não compactua com estas coisas, o melhor é saltar fora. Se vão perder um possível tacho? É capaz. Mas que tipo de pessoas querem ser?

Eis a questão.

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