Um obrigado aos carregadores de tradições

Carregadores de Andores

(“Carregadores de Andores” foto de Vasco Flores Cruz)

Nota Introdutória: Este post chega com quase dois meses de atraso face àquele que teria sido o seu timing adequado. Tal deveu-se a vários factores que não são para aqui chamados mas, dada a relevância do tema em si, decidi que não o deveria deixar passar em branco, apesar de estar quase em Outubro, pois as pessoas por trás da organização destas festividades merecem este reconhecimento, ainda que tardio. Mais do que informativo ou exploratório, este artigo pretende funcionar como um “obrigado” a todos eles pelo trabalho incansável e não-remunerado que mantém vivas as tradições que, gostemos ou não delas, são uma impressão digital da nossa identidade cultural. Aos leitores deste blog, fica desde já a garantia de que tentarei no futuro ser mais pontual.

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Agosto e Setembro são meses de procissões, romarias e festas em honra a santos padroeiros um pouco por todo o país. A Trofa não só não é excepção como é rica neste tipo de festividades. Da Nossa Senhora da Assunção de Alvarelhos à Nossa Senhora da Alegria em Cidai, passando pelas incontornáveis Festas em Honra de Nossa Senhora das Dores em Bougado, muitas são as ocasiões em que os rituais religiosos se juntam à música e aos bailaricos para enorme satisfação de romeiros, curiosos e centenas de emigrantes que por esta altura regressam às suas origens.

De acordo com os vários testemunhos das pessoas envolvidas, as festividades deste ano, de uma maneira geral, foram bastante concorridas o que demonstra não só o apreço dos trofenses às suas tradições culturais mas também o excelente trabalho que vem sendo desenvolvido pelos inúmeros voluntários que, ano após ano, abdicam do seu tempo livre para se dedicarem de corpo e alma à organização destas festividades, apesar das limitações financeiras e da falta de recursos. Um bem-haja a todos eles por manterem vivas as nossas tradições!

Na minha freguesia acontece a maior de todas elas. Usar o termo “maior” não encerra qualquer presunção em si. Para além de existirem à quase 250 anos, as Festas em Honra de Nossa Senhora das Dores são aquelas que mais recursos envolvem, aquelas que mais turismo atraem e as que apresentam o cartaz mais diversificado. Entre os vários motivos para participar nesta grande festa, desde um imponente fogo-de-artifício até concertos com grandes artistas locais e nacionais, que este ano trouxeram até à Trofa Pedro Abrunhosa e Fernando Mendes, destaca-se, acima de tudo, a majestosa procissão em honra a Nossa Senhora das Dores, com os seus famosos e imponentes andores, únicos em todo o país, e que este ano, uma vez mais, atraíram milhares de curiosos e aficionados.

Segundo fonte da organização, o balanço das festas, este ano organizadas pela aldeia de Valdeirigo, foi bastante positivo. Apesar da contestação do local, se calhar mais por resistência à mudança do que pelas condições reais em si, a zona envolvente à estação é claramente melhor opção do que o local do ano passado, e a procissão voltou à Capela, para grande satisfação da maioria dos trofenses, nomeadamente a população mais sénior. Não parece ter sido uma organização fácil, motivo pelo qual a organização está de parabéns pelo excelente trabalho!

Pouco mais haverá a dizer, até porque forte foi a adesão dos trofenses a todas estas festas que animaram o nosso Verão. Não vos trouxe nem pretendi trazer qualquer novidade, apenas não deixar passar em branco a importância deste valioso contributo voluntário, não só no respeitante às festas em honra a Nossa Senhora das Dores mas a todas as tradições que, religiosas ou não, ajudam a manter intacta a identidade cultural de uma comunidade que se vê a braços com a possibilidade de ser fundida, numa reforma autárquica futura, com concelhos vizinhos. E, entre os diferentes argumentos através dos quais nos devemos opor a essa possibilidade, os laços culturais que nos unem são centrais numa batalha que pode estar já ali ao virar da esquina. Um obrigado aos nossos carregadores de tradições!

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