Quando a coerência surge

manuais escolares

in O Notícias da Trofa

Em anos anteriores, o então executivo trofense achou por bem atribuir os manuais escolares a todos os alunos do primeiro ciclo, independentemente dos rendimentos dos seus agregados familiares. Dizia a Presidente da CMT em 2011, por exemplo, que tinham sido gastos 53mil euros nesses manuais, sendo que 70% das famílias abrangidas eram carenciadas e que os valores gastos com as restantes eram “irrisórios”. Portanto, no entender da Dra. Joana Lima, quase 16mil euros (o correspondente aos 30% restantes) era um valor sem grande expressividade “tendo em conta os objetivos da medida”. Quando se trata de valores é sempre tudo muito subjectivo!

Mas continuando… Na altura, a oposição mostrou-se, e bem (na minha opinião), contra esta atribuição sem critérios só porque ficava bem. Achava a Direita que os manuais só deviam ser oferecidos às famílias com menores rendimentos. E nisto o “poder” mudou de mãos.

Estamos em 2014, perto do início de mais um ano escolar, e vejo hoje o senhor Presidente da CMT mostrar alguma coerência partidária (o que me espanta, porque nem sempre existe) e afirmar que “Ao contrário da prática anterior, a partir de agora só as famílias necessitadas é que vão ter direito a livros escolares gratuitos.” Ou seja, os manuais serão atribuídos de acordo com o escalão de cada aluno, mas, e como bem sabemos que isto nem sempre é tão linear assim, ficou claro também que “qualquer Encarregado de Educação que, comprovadamente, não conseguir adquirir os respectivos manuais poderá contactar a CMT e o seu caso será analisado individualmente de molde a que nenhuma criança fique prejudicada.” Pessoalmente, acho que é sempre positivo manter a coerência, mesmo quando o mais fácil seria não a manter… Dando livros a toda a gente talvez gerasse menos descontentamento do que provavelmente vai gerar… não sei!

Já estou, porém, a prever atrasos na distribuição destes manuais (não me venham com coisas, eu sempre paguei os meus livros e havia anos em que as próprias livrarias não tinham todos os livros nos primeiros dias do ano lectivo, não é diferente com uma autarquia, embora seja de lamentar), falta é saber se chegaremos a uma “situação caótica” como a JSD lhe chamava em 2012, quando os manuais ainda não tinham sido todos distribuídos nem as auxiliares de acção educativa colocadas, entre outros.

Não sei quantos serão os milhares de euros poupados com os novos critérios de atribuição dos manuais escolares, mas o dinheiro que até aqui ia para aqueles que possuem maiores rendimentos e que os declaravam pode, assim, ser canalizado para algo mais útil e necessário. E era isso que eu gostaria de ver e saber a seguir…Ver esse dinheiro aplicado em algo concreto, de forma justa, e em algo comprovadamente necessário. Essa era a coerência a mostrar entretanto…

Vou ficar à espera!

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One Response to Quando a coerência surge

  1. Joaquim Azevedo says:

    Também eu vou ficar à espera, ou estou muito enganado ou há moura na costa, ou então o gavetão que o executivo anterior deixou, afinal continha muito dinheiro.

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