A linha que separa as críticas construtivas do fundamentalismo partidário

Apesar da repetição de alguns erros do passado e das faltas de respeito pelos músicos da nossa cidade, a semana da juventude acabou por correr muito bem. A “casa” esteve muito bem composta, com destaque para o primeiro e terceiros dias e os concertos (diz quem lá esteve) foram muito bons. Comparativamente a anos anteriores, tivemos finalmente um evento digno de registo. Aparentemente, e por não ter estado presente, isto é tudo o que posso dizer porque não estive presente. Pelo menos é esta a opinião de alguns elementos da JSD com quem tentei trocar impressões mas que se limitaram a responder aquilo que lhes interessou. Fica reservado para elites como a própria JSD criticar aquilo que lhes apetecer, tendo ou não conhecimento de causa, como ficou provado com o episódio do Audi Q7 de Joana Lima que não existe ou pelo roubo dos cartazes supostamente levado a cabo pela JS mas que afinal foi a Polícia Municipal que retirou.

Claro que pouco me interessa se eles acham ou não que eu posso fazer as considerações que bem me apetecer porque vivo no mesmo país que eles logo tenho acesso ao mesmo tipo de direito que qualquer um deles. Se eles podem falar de coisas que nem sequer viram, então reservo-me o direito de comentar qualquer facto visível que bem entender.

Sim, o evento foi o melhor de sempre na Trofa. Não é preciso estar lá para perceber isso. Sim, foi o evento mais participado de sempre e para isso basta ver as fotos publicadas que falam por si, não é preciso lá ir.

Sim, foi do ponto de vista do espectáculo o mais elaborado de sempre, ainda que o histórico comparativo seja uma anedota.

Sim, finalmente demos o salto que faltava mas isso não implica que tudo tenha sido perfeito e muito menos que a organização e a sua claque de jotas não deva assumir o que correu mal. Se não estando todos presentes no ano passado se sentiram no direito de criticar a organização, este ano devem perceber que o monopólio da crítica não é seu exclusivo. O problema é haver por ai muita gente mal habituada mas o tempo das aristocracias terminou e para quem não souber lidar com isso temos muita muita pena!

E o que é que afinal correu mal? Correu mal a forma como os artistas da Trofa foram tratados. Mal tratados, remetidos para um papel altamente secundário que fez com que nenhum deles recebesse um euro que fosse pela sua actuação, que não tivessem muito mais que 15 minutos para actuar e que não tivessem o direito a ver os seus nomes no cartaz ou na comunicação da CMT. Publicar nomes no dia antes chama-se remendar em cima do joelho. O problema foi não estarem colectados? Oh really??? Então expliquem-me como raio lhes pagaram no dia do fecho da campanha eleitoral das autárquicas?

Correu mal a forma como os acessos não foram garantidos a quem mora fora da freguesia de Bougado. Continuamos a ter jovens trofenses de primeira e de segunda. E não me digam que não havia recursos porque isso é mentira.

Correu mal o planeamento/organização no sentido em que, ao contrário das críticas dirigidas pela JSD à organização do ano passado, não houve publicidade com os tais 2 meses de antecedência mas antes com 2 semanas, sendo que essa primeira comunicação era altamente limitada. Agora é claro que com uma rede de várias centenas de militantes e simpatizantes da JSD que a JS não tem, foi muito mais fácil mobilizar os amigos dos amigos.

Contudo, a JSD Trofa, pela voz da sua líder e de algumas das suas dirigentes mais próximas não entende que estas críticas sejam construtivas. Antes, rejeitam-nas como se de um absurdo se tratassem. Como se fosse um exercício de má-fé. Posto isto, eu gostaria de relembrar a estas pessoas que havendo dinheiro e recursos as bandas da Trofa devem ser bem tratadas e isso significa serem pagas, anunciadas com destaque e terem mais do que 15 miseráveis minutos de intervalo para actuar. Relembrar também que os jovens de Guidões ou Covelas também são jovens e devem ter condições para aceder a estes espectáculos em condições de igualdade com os seus conterrâneos de Bougado. E finalmente que criticarem a organização do ano passado por ter organizado o evento em cima do joelho e não aceitarem a mesma crítica porque o evento acabou por encher faz tanto sentido como a treta do Audi Q7. Para mim, pelo menos para mim, os artistas da Trofa não são secundários, os jovens das outras freguesias não são secundários e o planeamento também não é secundário, caso contrário seriam uns verdadeiros idiotas por terem criticado tanto o planeamento do ano anterior.

A iniciativa da CMT foi uma boa iniciativa. Não existem dúvidas acerca disso. É questionável se se poderiam ter trazido outros artistas, se se poderia ter gasto menos aqui para investir mais acolá ou se questões como a data do evento poderiam e deveriam ter sido melhor pensadas, principalmente tendo em conta que a data do evento foi quase coincidente com a segunda fase de exames nacionais do secundário e, segundo quem lá esteve, as enchentes só se verificaram durante os concertos. Mas desafio qualquer pessoa que não concorde com as 3 críticas aqui feitas e provar por A mais B que as mesmas são incoerentes ou, mais importante que isso, se são ou não importantes do ponto de vista dos jovens do concelho. Para mim, tratar bem os artistas locais, garantir acessos a todos e programar o evento com tempo e não em cima do joelho é algo fundamental, não secundário. E se outros assobiam para o lado perante estas falhas graves, falhas essas que foram criticadas no passado em que o organizador era o “inimigo”, isso é lá com eles. Eu não fundamento a minha opinião em premissas de estratégia partidária. Isso deixo para os políticos profissionais e aspirantes.

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4 Responses to A linha que separa as críticas construtivas do fundamentalismo partidário

  1. Luis says:

    É tudo muito bonito, porque este ano estão cheios de dinheiro (ou não, talvez represente mais dívidas). Vamos aguardar pelo segundo e terceiro ano de mandato, pode ser que entretanto o magnífico Vereador perca o pio. Se todos anos houvesse 100 mil euros como este ano….

    Não há dúvidas que foi um sucesso, mas as declarações ridículas do supra Vereador deixaram a nú todas as incertezas e inseguranças de quem escolheu o alinhamento musical. Temos todos de felicitar o PSD, porque depois de 9 festas ou semanas da juventude acertaram nos concertos, mas o resto foi bastante limitado.

    • João Mendes says:

      Tenho sérias dúvidas que tenha custado 100 mil euros. parece-me um exagero Luis. Acredito em algo entre os 30 e os 40 mil. e tanto quanto sei, o dinheiro usado no evento é financiado pela UE.

      Também não concordo que seja assim tão limitado. pela primeira vez, não só temos esses grandes nomes nacionais como temos artistas da casa a abrir e djs a fechar. nunca tivemos nada assim na Trofa.

      Já agora, que vereador e que declarações são essas a que se refere?

  2. Anonymous says:

    eu posso estar enganado, mas Miguel Rendeiro e Fernando Alvim são grandes nomes nacionais.
    Se se gosta mais de uns que outros, isso já é relativo.

    • João Mendes says:

      em termos de carreira, têm ambos muito mais estrada do que qualquer um daqueles que este no Be Live. mas também têm actualmente muito menos mercado.de qualquer forma, o programa do ano passado foi muito menos coerente ou organizado do que o deste ano. o resultado falou por si!

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