Uma antevisão da semana da juventude da Trofa

Cartaz Semana da Juventude

Cartaz 2As semanas da juventude são um issue de longa data no concelho da Trofa. Não sei porquê, nunca se consegue dar aquele salto, que apesar de relativamente fácil, nunca chega a acontecer. Pode ser porque simplesmente não se quer. Pode ser por existirem “forças de bloqueio”. Pode ser apenas por ignorância, e não quero com isto chamar ignorante a ninguém mas antes referir tratar-se de uma hipótese que é ignorada por quem organiza estes eventos. Pode ser por várias outras razões. Mas era possível ser bastante melhor. Muito melhor. E relativamente fácil. Será que é desta?

Em termos de cabeças de cartaz, a programação do evento é boa, talvez o melhor de sempre do nosso concelho (apesar do histórico comparativo ser muito fraco). Apesar de não ir de encontro aos meus gostos, reconheço que o Richie Campbell é um músico com bastante mercado e notoriedade no país, tal como o é o Dengaz, ainda que em menor escala, e o Frankie Chavez que, por ser um artista menos, digamos, “comercial” (termo traiçoeiro…), será talvez o “menos conhecido”. Temos também a última noite, que já é um clássico, virada para o stand-up comedy. Apesar de serem quase sempre os mesmos, a assistência não costuma falhar e como se costuma dizer no futebol, “em equipa que ganha não se mexe”. Relativamente a esta última noite, queria deixar aqui uma questão: será que o Miguel 7 Estacas também vai actuar de borla? Afinal de contas, ele é tão trofense como os outros trofenses que vão tocar a troco de ar e vento.

De qualquer forma, este alinhamento é largamente superior ao alinhamento do ano passado. Também é exponencialmente mais caro. Segundo pude apurar, o preço de retalho destes 3 artistas, combinados, andará na casa dos 25 mil euros, o que me parece muito dinheiro. É possível que tenha sido feita uma atenção à CMT. Mas dificilmente poderá descer dos 20 mil euros. Com 20 mil euros, era possível trazer 5 ou 6 nomes de topo a nível nacional e ainda sobrar cerca de 2 a 3 mil euros para pagar artistas trofenses que, apesar de já se saber que irão actuar, não vão receber nada. Para além de terem sido relegados para segundo plano no que toca à comunicação do evento.

Outra questão que me parece relevante é saber se foi garantido aos jovens de outras freguesias, principalmente menores que não podem conduzir, ligações ao recinto do evento. Será que a CMT vai disponibilizar autocarros nas diferentes freguesias para que os jovens de Alvarelhos ou Guidões possam cá chegar em circunstâncias de igualdade para com os seus conterrâneos de Bougado? A ser assim, a CMT estará de parabéns! Já era tempo destes eventos serem efectivamente para todos.

Nota negativa para a comunicação do evento. Em primeiro lugar porque o cartaz não é só para cabeças de cartaz e para os humoristas. Em segundo porque, uma vez mais, a comunicação foi tardia, iniciada já este mês, pelo menos a nível da divulgação dos cartazes, sendo que o segundo, o que tem o “programa” e não apenas as vedetas, surgiu na passada Sexta-feira, a menos de uma semana do evento. Em terceiro porque esse cartaz decorre de um manifesto improviso em cima do joelho, algo que se comprova pela ausência dos nomes dos músicos trofenses que vão actuar. Eu gostava de saber quem eles são. A CMT parece não estar tão preocupada com o assunto. Actualizar a notícia no seu site seria uma questão de poucos minutos. Não mais.

Finalmente, uma palavra sobre as restantes actividades que se realizam entre a tarde e o inicio da noite. Há diversidade, há informação e formação e as actividades, no geral, parecem-me interessantes. Claro que esta é só a minha opinião, outros poderão não achar grande piada à oferta. O grande problema das tardes das semanas da juventude, e eu tive muitas, é ter quem lá vá. Agora que o calor chegou, muitos aproveitam para recuperar o tempo de praia perdido. Talvez uma comunicação mais antecipada e agressiva pudesse incentivar a uma maior participação. Mas “prognósticos só no final do jogo“.

Resumidamente, vejo a coisa mais ou menos assim: era possível fazer melhor em alguns aspectos. Era possível não repetir os mesmos erros do passado. Era possível dar às bandas da Trofa verdadeiro protagonismo naquela que é a sua terra natal. Era possível trazer mais matéria-prima de fora, eventualmente um dj, e dar finalmente um espectáculo de música mais elaborado que fizesse com que pelo menos os concelhos limítrofes se deslocassem em peso à Trofa. O tipo de espectáculo que a Trofa nunca teve e que já está na hora da acontecer. Todos ganham: ganha a Trofa que coloca mais uma “bandeirinha” no mapa, ganha o comércio, nomeadamente restaurantes e cafés e ganham os jovens que desfrutam de um espectáculo mais completo e atractivo. Será que, apesar dos erros de cálculo, é possível chegar lá? Espero sinceramente que sim. Para tiros nos pés já chega a falta de respeito com que os nossos artistas foram tratados.

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