Viver numa rua sem regras de trânsito

Há uns tempos atrás fui multado por ter parado alguns minutos em cima do passeio do Edifício Terraços do Infante, em frente à cancela que dá acesso à Trofaguas. Foi bem feito, ninguém me mandou estacionar ali, ainda que não estivesse a perturbar a passagem de ninguém não é sítio para estacionar. Serviu-me de lição.

O que eu não percebo é esta aparente dualidade de critérios que parece nortear alguns agentes da Polícia Municipal nestas questões. Podia citar imensos exemplos, considerados por muitos como “excepcionais”, casos da Feira Anual ou das Assembleias Municipais, onde vale estacionar em todo o lado, seja em cima do passeio, seja em troços de estrada onde, devido a esses estacionamentos, a circulação fica altamente condicionada. Poder-me-ão dizer que são situações excepcionais. E se no caso da Feira Anual a gestão poderá ser bastante complicada e o caos se percebe, no caso das AM’s bastava que os privilegiados que se reservam ao direito de estacionar em cima dos passeios optassem antes por deixar os seus carros um pouco mais afastados da entrada do auditório dos bombeiros. Nada que pareça incomodar muita gente.

À parte dos locais citados em cima, a zona onde moro é habitualmente imune a regras de trânsito. A elevada concentração de serviços no local – CTT, Registo Civíl, Finanças, Cruz Vermelha – bem como de outras valências com elevado nível de footfall como a Igreja Matriz ou o Cemitério fazem desta zona uma área de “excepção”.

Park like an idiot II

Esta foto foi tirada da janela da minha casa, num dia de semana normal. E está longe de ser ilustrativa daqueles dias em que a supressão do Código da Estrada é mais gritante. A Rua 9 de Abril, na qual estão estacionados os veículos cinzento e vermelho, é habitualmente a mais caótica. Raros são os dias em que existem efectivamente duas faixas para circular. Tal condiciona o trânsito e gera sérios riscos de acidentes, pois a visibilidade de quem entra nessa rua vindo da Rua Eng. António Dias da Costa Serra, de onde a foto está a ser tirada, é praticamente nula quando a faixa de rodagem é transformada em parque de estacionamento.

Na mesma foto, podemos ver ainda a traseira de um veículo preto, o qual está também estacionado numa zona onde a faixa de rodagem e o passeio se confundem. E apesar de não ter sido um desses dias, é comum ver carros estacionados à volta do cruzeiro que se encontra no meio da intercepção de todas estas ruas, mesmo em frente à saída do antigo centro de distribuição dos CTT da Trofa, local onde vários carros estacionam também. De frente. Mas nem só de caos rodoviário se faz este problema: recordem-se que todas estas valências, com especial destaque para os CTT e o Cemitério, são diariamente visitadas por muitos idosos que, pela sua condição, se deparam já com problemas de mobilidade. E este caos pode ser um obstáculo extra para estas pessoas. Ou até levantar sérios riscos para a sua segurança.

Park like an idiota IV

Poder-me-ão dizer que as alternativas de estacionamento não abundam. Mentira. Na Rua Eng. António Dias da Costa Serra existe uma extensa área de estacionamento, que raramente atinge metade da ocupação como é visível na foto em cima É claro que estacionar à porta do serviço a que se pretende ir, ainda que tal aconteça em cima da faixa de rodagem, é muito mais fácil. A foto em baixo, tirada segundos depois da anterior, é a prova disso mesmo. Parece-me mais uma questão de falta de civismo, combinada com uma certa negligência por parte de alguns agentes da autoridade, do que falta de alternativas de estacionamento. Viver numa rua sem regras de trânsito é assim.

Park like an idiot V

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2 Responses to Viver numa rua sem regras de trânsito

  1. Anonymous says:

    Sem comentarios……pois é chover no molhado.

  2. PC says:

    A gestão de trânsito na Trofa é anedótica há já vários anos. É claramente uma área em que a autarquia devia pedir a alguém “de fora” que explique como se faz. É ridícula a falta de vontade das sucessivas Câmaras da Trofa em querer a variante à EN14 só porque querem que o trânsito diário passe no Catulo para verem como é bonito. Esquecem-se que são pessoas que são obrigadas a passar ali por falta de alternativa à ponte. Como é que uma “cidade” com tão poucos habitantes consegue ter um impacto negativo diário em tantos milhares de pessoas? Porque é que não orientam as ruas de modo que se consiga evitar o centro? Não se percebe. A cereja em cima do bolo é o sinal de desvio para Sto. Tirso logo a seguir à ponte, por causa das obras do Catulo. Quem terá sido o iluminado que mandou fazer aquilo? Passa pela cabeça de alguém que haja pessoas que vão pelo Catulo para ir para Sto Tirso? Anedótico.

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