Europeias 2014: vencedores e vencidos

Trofa

Deixarei o MPT de Marinho Pinto, o grande vencedor da noite eleitoral trofense e nacional, para o meu próximo post. Hoje tentarei debruçar-me sobre as forças políticas representadas no concelho e fazer uma leitura dos resultados de dia de ontem. Como em qualquer eleição, tivemos vencedores e vencidos. Mas uns venceram mais que outros e outros ainda perderam muito mais do que aquilo que era expectável. É importante ter em conta que, face aos resultados de 2009, se regista um aumento da abstenção na ordem dos 5,3% e que houveram menos 2116 trofenses a colocar o seu voto nas urnas.

Comecemos pela força partidária mais forte no concelho que, coligada com o partido do irrevogável, teve uma derrota estrondosa a nível nacional, o que poderá ter significado a perda de 4 deputados à direita do espectro (em 2009, o PSD elegeu 10 deputados ao passo que o CDS-PP elegeu 2). A Aliança Portugal ganhou o escrutínio na Trofa mas caiu 0,95% e perdeu 878 votos face à Europeias de 2009. A título de curiosidade, esta queda da direita representa 41,5% do aumento da abstenção no concelho. Quase metade! Na minha opinião, existe aqui apenas uma leitura, relativamente fácil de fazer, e que se prende com o crescimento do protesto face ao descalabro governamental do governo Portas/Passos. A vitória da coligação na Trofa deve-se muito mais à forte e numerosa militância social-democrata e à popularidade de Sérgio Humberto do que propriamente às propostas europeias de PSD e CDS que, convenhamos, foram substituídas pelo ataque permamente ao PS, centrado na figura de José Sócrates que nem sequer estava na corrida. Era como se o PS se lembrasse de atacar Dias Loureiro, só que nesse caso estaríamos a falar de falcatruas de outro patamar e gravidade.

O resultado do PS, apesar do segundo lugar, é bastante mais surpreendente. Ainda abalados com o (inesperado?) tombo autárquico, o partido agora liderado por Marco Ferreira cresce quase 3% e mantém a sua votação praticamente inalterada face ao resultado de 2009, perdendo apenas 274 votos (o que, seguindo o raciocínio anterior, equivale a 13% do total da abstenção) e mantém o segundo lugar não só das Autárquicas mas também das anteriores Europeias. Apesar desta pequena perda de votos, o PS vê o seu percentual crescer 2,96 pontos face a 2009. Também aqui, parece-me claro o motivo deste segundo lugar, algo que não só se prende com os mesmos motivos que explicam o “contraciclo” (outra vez) da coligação, mas também porque algumas “sombras do passado” ainda perseguem o PS que parece não se ter ainda recuperado totalmente da derrota autárquica. Para além disso, a liderança mudou e essa mudança é ainda muito recente. Poderá precisar de mais tempo para reconquistar o apoio que teve em 2009. Se tal voltar a acontecer.

O PCP-PEV sobe 0,98%, abaixo dos 2% registados a nível nacional mas perde uns escassos mas significativos 8 votos, 0,38% da abstenção. Digo significativo porque esperava um crescimento em ambos os indicadores, fruto de ter feito campanha e da capitalização, a nível nacional, do voto de protesto que colocou a coligação de esquerda na terceiro lugar nacional, com um acréscimo de 36363 votos face a 2009. Mas, inesperadamente, deixou-se ultrapassar pelo partido de Marinho Pinto. Não que isto signifique uma grande derrota uma vez que, nas eleições de 2009, ficaram atrás do BE e do CDS-PP. Passaram 5 anos e o resultado do PCP-PEV é praticamente o dobro da votação do Bloco. Ainda assim, aquém das expectativas.

O grande derrotado destas eleições é o Bloco de Esquerda. Apesar do núcleo concelhio ser ainda muito recente, a queda face a 2009 é avassaladora: consegue apenas 389 votos, menos 592 (28% da abstenção!) que em 2009 quando a intervenção do bloquistas na Trofa era ainda muito tímida. Depois do surpreendente 4º lugar nas últimas Europeias, o BE troca de lugar com o PCP e sofre uma queda de 3,85%, a mais acentuada a nível concelhio. Apesar de já ter mostrado serviço e da boa campanha que conseguiu fazer nas recentes Autárquicas, apesar das limitações naturais de um partido com pouca implementação na Trofa, o BE desiludiu e, a par do PCP-PEV, permitiu que o MPT, um partido ser expressão na Trofa, o ultrapassasse.

A estas conclusões acrescento uma para rematar: no total do concelho, 32,76% dos trofenses que foram votar não se revê no bloco central. Penso que poderá ter sido o pior resultado de sempre dos 3 partidos do “arco” no concelho da Trofa. Nas anteriores Europeias, os mesmos três partidos representavam 75,24%. Neste momento, uma improvável coligação de todos os restantes partidos, com uma “pequena” ajuda da abstenção à mistura, poderia ser, pela primeira vez, vencedora das próximas autárquicas. Mas isto é um mero cenário especulativo num concelho situado num distrito que faz parte de um estado membro da União Europeia que assistiu à eleição mais violenta de sempre para os blocos centrais europeus. A política ainda é, apesar de tudo, uma caixinha de surpresas.

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