Um buraco com pedaços de estrada

Cheguei ontem de uma visita-passeio ao Baixo Alentejo, mais concretamente da zona de Beja, que conheço em particular por ser o berço da minha família materna e por lá ter passado largos meses da minha infância e adolescência. Sem surpresa, e ao fim de alguns anos sem lá voltar com a mesma frequência que nos tempos em que as responsabilidades eram outras, ainda me consigo orientar mais ou menos no interior da cidade, assim como nas zonas rurais que a rodeiam. E apesar do abandono a que este distrito tem estado sujeito por sucessivos governos que, após alimentarem a clientela balofa da capital, pouco têm que lhes reste para o restante país, quanto mais para o interior remoto e esquecido, noto várias melhorias, fruto do bom trabalho que os autarcas do PCP e PS têm levado a cabo nos últimos anos. Pelo menos é o que me dizem os meus avós, eleitorado fiel à direita numa terra tradicionalmente de esquerda.

Lembro-me bem do tipo de acessos que ligavam os montes (designação comum por aqueles lados para herdades ou pequenos aglomerados de casas) da periferia da cidade entre si. Terra batida, buracos como crateras e um piso totalmente desnivelado, impróprio para os veículos ligeiros que normalmente compõem o parque automóvel de zonas urbanas como aquela em que se insere o nosso concelho. Qual não foi o meu espanto, quando no passado Sábado dei por mim a circular em estradas alcatroadas e em bom estado de conservação, ligando lugares que “não aparecem no mapa” como Corte Cobres e Vale de Camelos. Fiquei muito contente pelas suas poucas dezenas de habitantes. Afinal de contas, e tal como os lisboetas, eles também pagam impostos.

Sabem quem também paga impostos? Os trofenses. Mas ao contrário destes pequenos lugarejos do interior alentejano – onde não há registo que se tenha recorrido a qualquer estratégia eleitoralista envolvendo cartazes – na Trofa as estradas continuam uma vergonha. Assim que saí da auto-estrada, o primeiro comentário da minha namorada foi “até na aldeia do teu avô existem estradas em melhor estado”. É revoltante que, passados mais de 6 meses desde a tomada de posse do actual executivo, os progressos tenham sido praticamente nenhuns. Aqui e ali uns remendos com paralelo, que entretanto se transformaram em novos buracos fazendo da emenda pior que o soneto. Por falar em paralelos, será que ainda ninguém reparou naquela armadilha de pneus, mesmo à entrada do pontilhão junto ao ciclo quem vem do lado do Carqueijoso?

A batalha dos pneus que “jaziam” um pouco por toda a Trofa, e que providenciou a antecâmara para que jotas e afins andassem ao soco e à ferradela, parece agora esquecida. Convém no entanto relembrar que a JS não optou pela mesma estratégia da JSD, feiticeiro contra quem o feitiço dos cartazes da propaganda se poderia ter facilmente virado. A única mudança real foi mesmo o facto de, para a JSD, os buracos terem deixado de representar um problema a partir do momento em que ficou garantida a vitória eleitoral autárquica. As estradas ficaram iguais, os cartazes, esses, foram embora.

Contudo, e se o PS tem pouco moral para pegar no assunto, uma vez que só se lembrou dele quando o alarme das autárquicas soou, e pouco mais conseguiu que arranjar uma parte da N14 no centro da Trofa (e mais um ou outro caso isolado), o PSD, que tanto apostou na exploração da situação da nossa rede viária, surge agora como parceiro maioritário de uma coligação incapaz para colocar um fim no caos que são as estradas do concelho. Como se já não nos chegasse pagar impostos e sermos enganados diariamente pelos seus camaradas que (des)governam para as suas clientelas em Lisboa, ainda temos reparações permanentes para pagar. Não há suspensão que aguente este buraco com pedaços de estrada.

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3 Responses to Um buraco com pedaços de estrada

  1. Joaquim Azevedo says:

    Ainda é cedo, infelizmente vamos ter e já temos coisas muito piores. Vamos esperar para ver, mas por exemplo, o que se passa com a ação social?

  2. Joaquim Azevedo says:

    é curioso, porque eu que já confrontei o executivo, na pessoa do Sr. Presidente e restante vereação, sobre aquilo que prometeram na campanha politica e, o que fazem agora e ninguém me responde com transparência, enfim, em 7 meses não fizeram outra coisa senão atacar o anterior executivo, qualquer dia acaba o reportório e depois?

    • João Mendes says:

      não estou devidamente informado sobre a Acção Social mas pergunto-lhe, pois parece estar informado, se realmente não existem acções em curso!

      quanto às suas questões ao executivo, exactamente que perguntas ficaram sem resposta?

      Um abraço Joaquim

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