Ecos da nova vaga de emigração forçada

Mdz´s

Apesar de ter sido informado alguns dias antes, foi uma agradável surpresa ver o meu “irmãozinho” mais novo ser entrevistado pelo Notícias da Trofa. Sem tachos, sem cartões partidários, sem abanamento de bandeiras ou ingestão de relva, o Diogo e a sua amiga Joana deixaram tudo para trás e rumaram a Brno, uma cidade no sudeste da República Checa, onde se encontram a trabalhar na IBM e na Webnote, respectivamente. Não existe registo de se terem filiado em qualquer jota local.

Apesar de não conhecer a Joana, imagino que tenha passado pelo mesmo que o meu irmão: terminou os estudos, procurou emprego até à exaustão e, perante a triste realidade de um país que gasta milhões a formar jovens para que outros possam aproveitar o potencial gerado por esses mesmos estudos, não teve outra opção que não fosse seguir o conselho do primeiro-aldrabão e abandonar o seu país. Para mim foi um dia particularmente triste, até porque já tinha visto esse filme quando o meu irmão mais velho, alguns anos antes, se viu forçado a fazer a mesma “escolha”.

Felizmente, o processo de adaptação está a correr bem e ambos se sentem profissionalmente valorizados com a ainda curta experiência. As perspectivas são elevadas, não apenas face ao presente mas principalmente face às oportunidades que poderão surgir no futuro. O mais certo, contudo, é nunca mais voltar. Excepto para fazer férias e visitar a família. Nesse sentido, a Joana faz uma observação muito pertinente: “Espero que daqui a uns anos Portugal tenha uma mentalidade diferente e consiga perceber o que estes jovens que estão no estrangeiro poderiam estar a dar ao nosso país“. Pena que quem dirija o país insista em não concordar com a Joana…

O mérito vai desaparecendo aos poucos. A quantidade de licenciados (às vezes com mestrados e doutoramentos) que não encontra uma porta aberta que seja contrasta profundamente com o clientelismo boy alimentado rotativamente por PS e PSD que colocam os seus jovens vassalos mais influentes em cargos de destaque, muitas vezes sem competências para o mesmo. Às vezes nem licenciados são. Um passeio ao site da AR poderá comprovar o que digo. Basta ver os CV’s de alguns deputados provenientes dos corredores das jotas e das universidade de Verão. Os Diogos, as Joanas, as Anas e os Migueis que hoje abandonam Portugal são o espelho de um país maioritariamente dirigido por hipócritas  e incompetentes, que substituiu o mérito pela vassalagem partidária e que submete os interesses das gerações mais novas à vontade de uma elite podre que nos dirige  por trás da cortina.

P.S. Quanto ao país não sei Diogo, mas este teu irmão e muitos outros estarão cá para lutar por um concelho melhor que, como referes e bem, esteve parado no tempo durante anos demais. Espero que um dia regresses para a nossa beira e encontres uma Trofa bem diferente daquela que te viu partir. Até já 🙂

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