A fábula socialista da transparência e do rigor financeiro

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Depois das polémicas eleições de Dezembro de 2013 para os órgãos internos da estrutura concelhia do PS, o candidato da continuidade, Marco Ferreira, tomou posse no passado Sábado, dia 15 de Março. Na recentemente criada página Partido Socialista – Concelhia da Trofa, tive oportunidade de ler o que por ali foi dito. Confesso que fiquei chocado com alguma manipulação da nossa história recente que ali encontrei, nomeadamente no que diz respeito às questões do rigor orçamental e da transparência.

No seu discurso de tomada de posse, Marco Ferreira referiu o “orgulho” da oposição feita à “loucura despesista do PSD” na CMT. É sempre interessante ver este tipo de declarações vindas de alguém que apoiou incondicionalmente a entrega da obra dos parques a uma empresa em situação de pré-insolvência, incapaz de mais do que oferecer o quinto melhor orçamento. E como se tal não fosse já suficiente, convém relembrar que a empresa do poderoso António Salvador não cumpriu os prazos previstos para a execução da obra colocando a Trofa numa situação delicada que não só nos fez correr o risco de perder fundos europeus como fez disparar o preço final da obra. Isto meus caros, não é rigor orçamental. E muito menos transparente…

O discurso do novo presidente da concelhia socialista da Trofa continua com uma frase curiosa: “E aproveito para dizer aqui que ninguém nos dá lições sobre como governar com rigor e com transparência a Câmara da Trofa porque nós assim o fizemos!“. É verdade que um dos aspectos positivos que marcou o mandato de Joana Lima foi a redução da despesa em algumas rubricas que atingiam valores absurdos no tempo do homem que arruinou as contas da Trofa. Mas se o PSD não pode dar lições de rigor orçamental ao PS, Marco Ferreira deveria ter a noção de que existem mais alguns milhares de trofenses que podem. Na área do rigor financeiro, para além da já referida questão do parque, podemos ainda referir a manobra eleitoralista de acelerar a conclusão da obra do Parque das Azenhas, actualmente num estado lastimoso, fruto de uma obra mal elaborada em prejuízo de TODOS os trofenses. Já sobre a questão da transparência, gostava de ver Marco Ferreira falar sobre a forma como vários dos seus colegas da JS e familiares dos então titulares do poder político foram nomeados para empresas públicas na sequência da vitória do PS nas autárquicas de 2009. Na minha língua materna, os termos certos aqui não são “rigor” ou “transparência” mas antes”clientelismo” e “nepotismo”.

Ainda sobre a problemática do rigor financeiro, Marco Ferreira refere a situação problemática do actual estado da estrutura da Secundária da Trofa. Diz o líder do PS Trofa, a propósito da obra inacabada nesta escola, que “o que se gasta em contentores daria para pagar a obra“. Chama-se a isto demagogia. Marco Ferreira sabe que isso não é verdade e a assistência que ouviu estas palavras também. E para quem tanto insistiu na questão do rigor financeiro, seria também interessante ouvir o que tem a dizer o novo líder socialista sobre a festa socrática de corrupção, desvio de verbas e má despesa pública que marcou a aventura do Parque Escolar.

Sempre achei muita piada ao pseudo-esquerdismo do PS. O PS pode ter sido esquerda no passado mas hoje não passa de mais um partido orientado pela cartilha liberal, algo facilmente comprovável durante a vigência dos governos socialistas. Entre uma governação PS e outra PSD, as diferenças são tão irrelevantes que praticamente não se notam. O estilo manipulador, esse, é basicamente o mesmo. Ver este PS falar na luta pelo metro e pelas variantes, o mesmo PS que há pouco mais de 4 anos mentiu aos trofenses assegurando que o metro seria uma realidade com Joana Lima, é de uma desfaçatez sem limites. Longe de ser rigoroso ou transparente. Apenas mais uma fábula política.

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One Response to A fábula socialista da transparência e do rigor financeiro

  1. joaquim azevedo says:

    Caro João Mendes, subscrevo na integra este blog. Infelizmente ninguém quis, nem quer ouvir a oposição, “cidadania” o que é de lamentar. Ainda não compreendi a razão dos nossos autarcas, quando lhes fazemos perguntas, não responderem às mesmas. Acho que continua a não existir, transparência. Um abraço.

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