Exterminar uma espécie por diversão?

A preocupação ambiental faz, cada vez mais, parte do ADN de cada um de nós. A população está cada vez mais sensibilizada para a sustentabilidade ambiental.

Este é um tema onde, pela juventude do nosso concelho, está ao nosso alcance sermos um concelho modelo, exemplar, inovador. É possível desenhar um desenvolvimento sustentável para o nosso concelho tendo em vista a melhoria da qualidade de vida, a proteção dos recursos naturais e da biodiversidade.

Programa eleitoral da coligação Unidos pela Trofa (pág. 31)

Raposinha

 No próximo dia 16 de Fevereiro, o nosso concelho será palco de mais uma atrocidade contra a natureza e a fauna local, que tanto sofreram nos últimos anos. Uma atrocidade que, infelizmente, não acontece pela primeira vez. Ao que tudo indica, haverá nesse dia uma caçada à raposa, um animal ameaçado e sem interesse gastronómico, significando isso que as pessoas envolvidas neste acto de crueldade o farão apenas com o intuito de se “divertir”, uma prática que, como refere o presidente do Clube de Caçadores da Trofa, “é sempre agradável para quem participa”. Fará sentido contribuir ainda mais para a extinção de um animal que, apesar de não ter estatuto de conservação, se encontra altamente ameaçado no nosso concelho? Exterminar uma espécie em vias de extinção?

Não sou contra a caça e muito menos contra o consumo de carne. Respeito muito a caça quando os motivos por trás da mesma se prendem com o equilíbrio dos ecossistemas ou quando o “resultado” final da caçada se destina à alimentação de terceiros. Caçar não é menos digno do que o taylorismo do matadouro que alimenta a esmagadora maioria da população mundial, em muitos casos bem mais cruel do que o acto de abater um animal com um tiro. Mas caçar como forma de proporcionar “prazer” ao caçador faz para mim muito pouco sentido. Aliás, acredito piamente que uma sociedade que se quer moderna, evoluída e sustentável deve ser aquela que consegue banir estas práticas verdadeiramente medievais. Abrir a notícia do Notícias da Trofa e ler as declarações do presidente do Clube de Caçadores da Trofa, a dizer que matar é “sempre agradável para quem participa” deixa-me com a sensação que, no caso específico da raposa, a caça é aqui vista como um mero exercício de diversão contra uma espécie que para além de ameaçada não tem qualquer utilidade morta para os seus “predadores”.

Mas nada disto nos deve admirar. Afinal a Trofa também é o sítio onde se destruíram imensos e ricos habitats naturais como as Pateiras ou o Rio Ave, onde gente irresponsável e sem vergonha derruba árvores centenárias para prejudicar opositores políticos, o que explica, em parte, o flop do Parque das Azenhas, ou onde se atribuíam licenças, no tempo do “outro senhor”, para se construir onde quer que fosse, mesmo que fosse praticamente em cima do rio. Basicamente, a classe política local está-se nas tintas para o ambiente e, por isso, a falta de medidas contra quem mata meia dúzia de raposas por mero “desporto”, e se diverte com o sofrimento inútil de animais não nos poderá surpreender.

De resto só posso esperar que o S. Pedro volte a estar do lado das raposas (as poucas que sobram) e que a caçada do próximo dia 16 não corra tão bem como  a do passado dia 12 de Janeiro. Gostaria ainda de ver o senhor vereador Renato Pinto Ribeiro, responsável pela pasta da Gestão Ambiental do Território, a tomar uma posição sobre este atentado ambiental que acontece com a conivência do silêncio comprometido da CMT. É sua responsabilidade zelar pelas directrizes que a coligação apresentou aos trofenses em matéria de ambiente no âmbito do seu programa eleitoral autárquico. Um dos aspectos referidos nesse programa diz respeito à elaboração de um Plano de Gestão Ambiental e Ecológico (pág. 32) que, entre outros aspectos, permita “salvar o que ainda pode ser salvo e recuperar o que pode ser recuperado”. Se esta proposta não foi “palha” para encher o documento, então é bom que se apressem caso contrário poderão não sobrar raposas quando o plano for estiver finalmente em marcha.

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3 Responses to Exterminar uma espécie por diversão?

  1. joaquim azevedo says:

    Deixo aqui apenas o seguinte comentário: No executivo anterior deitaram o Parque Sra, Das Dores abaixo, neste executivo destruíram o parque Dr.Lima Carneiro. Eu pergunto que podemos exigir sobre o ambiente, a esta gente que assiste a este assassínio colectivo de arvores?

  2. Miguel torres says:

    Quem nao entende de caça deve ficar calado.

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