As eternas ondas de choque do flop do metro

Fez Domingo uma semana dei com o JN em casa dos meus pais. No final do almoço, fui dar uma vista de olhos. Já foram tempos em que o lia todos os dias, em papel ou na rede, mas agora só mesmo quando o encontro sozinho no café. Mas ele estava ali, cheio de graça e suplementos dominicais, e eu não tive alternativa senão pegar nele.

Comecei a folhear o jornal. Dou por mim na página 16. O tema? O já velho tema do flop da extensão do metro do Porto até à Trofa. O epicentro, esse, era a zona mais prejudicada pela falcatrua de que fomos alvo: a freguesia do Muro. Em letras garrafais, o título da peça clarifica: “FALTA TRANSPORTE PARA TER EMPREGO“.

Citada pelo JN, a trofense Alice Moreira afirma “Perdi o emprego porque não tenho transporte”. Após ter conseguido, em 2012, um emprego de auxiliar de geriatria em S. Martinho de Bougado, esta cidadã de 42 anos acabou por se ver privada do mesmo por não ter carro próprio. E não é novidade para ninguém, pelos inúmeros testemunhos de habitantes da freguesia do Muro (e não só), alguns deles já apresentados em sede de Assembleia Municipal, que os horários dos transportes alternativos da Metro do Porto são tudo menos ajustados às necessidades reais dos trofenses.

O caso de Alice Moreira, para além de imensamente grave, é uma triste mas claríssima prova da forma como a população da Trofa foi enganada e brutalmente prejudicada neste processo. Retiraram-nos um transporte essencial, prometeram-nos uma solução e, até hoje, tudo continua exactamente como no dia em que a via estreita foi desactivada. Isto depois de anos de promessas hipócritas, repletas das habituais mentiras de políticos sedentos de poder e falta de respeito pelos trofenses que incluíram cartazes a dizer “Metro da Trofa: RESOLVIDO” ou a vinda de governantes nacionais para assegurar a concretização da obra. 12 anos depois, não só não temos qualquer solução à vista como assistimos aos vendedores de sonhos eleitorais a assobiar para o lado como se não fosse nada com eles. São coisas de eleições: umas vezes prometem-se transportes, noutras fazem-se parques ribeirinhos a correr que se desfazem como castelos de areia. Depois das mentiras, ficam os calhaus com olhos…

Voltando à nossa conterrânea, o JN refere que, quando confrontada com a mudança do seu turno para um horário com saída às 22h, por força de uma alteração/renovação contratual a que foi sujeita, Alice Moreira não conseguiu essa mesma renovação pelo simples facto de não ter transporte próprio. É que a essa hora já não existem transportes alternativos da Metro do Porto. E que soluções tem o Município da Trofa para este caso? Nem uma. A solução de Alice foi perder o seu emprego. Mas infelizmente há mais: durante o ano de 2012, Alice Moreira viu-se forçada a recusar outras duas propostas de trabalho pelo mesmo motivo. E como se tal não fosse já problema suficiente, o seu companheiro, actualmente desempregado, viu-se também forçado a rejeitar uma proposta para trabalhar na Mabor, em Lousado. Asfixiada pela falta de soluções e com dois filhos para criar, esta família equaciona mudar-se do Muro: “Estamos aqui num buraco e não temos saída para lado nenhum:” refere.

Quem assume responsabilidade por esta situação inqualificável? Quantas “Alices” Moreira morarão no Muro? Onde estão aqueles que iludiram os murenses para ganhar (ou tentar) as eleições? Será que dormem de consciência tranquila depois de enganar os eleitores na sua absurda luta pelo poder sob a bandeira “os meios justificam os fins”? Espero sinceramente que não. Que as eternas ondas de choque deste flop de mentiras e aproveitamento político em que se tornou o caso da extensão do Metro do Porto à Trofa sejão tão impiedosas com eles como o são com todas as “Alices” Moreira deste concelho!

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2 Responses to As eternas ondas de choque do flop do metro

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