E o calhau sou eu?!

calhau com olhos

O vídeo que o Correio da Trofa (CT) publicou hoje sobre o “Parque”* das Azenhas é bem elucidativo (tal como parte deste vídeo da TrofaTv). Apesar de algumas das imagens recolhidas pelo CT serem relativas a partes que ainda não foram inauguradas, tal não invalida que até essas partes mais recentes estejam também em ruínas. O cenário é vergonhoso. Vergonhoso é mesmo a palavra certa. Estamos a falar de milhões de euros. Milhões… Que foram, literalmente, por água abaixo…

Mas como esse vídeo, durante o dia de hoje e os seguintes, vai ser partilhado uma infinidade de vezes, não é sobre ele que me quero debruçar e sim sobre este, disponível na TrofaTv.

Quando, em setembro de 2013, escrevi isto, depressa algumas vozes se insurgiram e me mostraram esse dito vídeo. Nele, a então presidente da CMT, Joana Lima (JL), dizia que esta pretendia ser uma obra transversal a todas as idades, tratava-se um espaço com várias potencialidades (nomeadamente quando usado pelas associações do concelho) e falava das acessibilidades que possibilitavam que todos usufruíssem do dito “parque”, desde o maior atleta à pessoa com mobilidade reduzida. Verdade. Era, de facto, “uma infraestrutura que não existia na Trofa”. E, se bem feita, seria uma mais-valia sem dúvida alguma.

Penso que quem dissesse que a Trofa não precisava de um espaço ao ar livre, bonito e cuidado, aproveitando o rio (que era bom que estivesse limpo) e que pudesse ser aproveitado ao máximo para vários fins estaria a mentir. Mas logo na inauguração as falhas foram imediatamente visíveis. Para já, o troço que foi inaugurado (e nunca fui contra tal ser inaugurado por fases, e sim fui e sou contra a inauguração de partes que não estão concluídas, que era o caso) tinha falhas bem visíveis. Esgotos à vista, falta de equipamentos básicos e, principalmente, falta de segurança (quer relativamente a roubos, visto que se trata de um espaço relativamente isolado, quer relativamente às infraestruturas, que aparentavam ser frágeis). Na altura, falei de tudo isso e, como já sabia que meio mundo se ia ofender, até fotografei aquilo que me inquietava. Não sou engenheira civil nem nada que se pareça, mas era tudo demasiado evidente.

Continuando a falar do tal vídeo que vos mencionei, dizia a então presidente que este local “era um diamante em bruto que nós vamos aperfeiçoando”. Esta obra permitir-nos-ia até preservar o ambiente. O que eu vejo, agora, é um ambiente que ainda saiu prejudicado com a quantidade de resíduos que se foram deteriorando e espalhando, mas adiante.

Mas o melhor vem a partir do quarto minuto deste vídeo. Quando questionada sobre os potenciais riscos que as cheias podiam trazer para o “Parque”, JL disse: esta obra foi acompanhada, foi projectada por técnicos de grande qualidade. E, portanto, eu não sou técnica, não posso validar um projecto dos técnicos. Este percurso tem uma característica importante relativamente às cheias do rio. É muito permeável, ou seja, é poroso, a água passa o piso. Portanto, não corremos o risco que estanque a água, e que empurre o piso para uma qualquer eventual cheia que possa existir e pode existir. A água tem muita força! Nós sabemos que pode criar problemas, mas estou convencida que do ponto de vista técnico foi tudo muito bem acautelado. Poderá ter que se fazer uma limpeza a seguir a uma cheia, mas a estrutura irá ficar mantida. (…) o enrocamento das margens é feito com madeira e pedra solta em que a água entra de um lado e sai do outro, não serve de tampão”.

Depois vem a questão das maletas pedagógicas. 32 mil euros, na opinião de JL, não era um montante elevado para uma inauguração e para as crianças poderem estudar um rio poluído ou para se arriscarem a cair nesse mesmo rio. Todo o dinheiro que é gasto na CMT é gasto com muito rigor e também sobretudo, neste caso em concreto, com comparticipação a 85% da candidatura. Mas nestes 32 mil euros o que está em causa são a compra, a aquisição de cerca de 2500 maletas pedagógicas, maletas que vão ser oferecidas durante a inauguração, durante este período de inauguração, não quer dizer que seja no domingo, mas durante o período todo de inauguração, que vamos ter visitas com as crianças, às crianças do concelho. Maletas pedagógicas em que elas podem observar a qualidade da água, fazer experiências, visitar o nosso centro interpretativo e aí explorar com a sua maleta pedagógica.”

Eu confesso, sem qualquer ironia, que até gostava de ter tido uma maleta destas, para poder ver que “qualidade” da água era essa. E também para descobrir onde estavam esses centros interpretativos.

Posto isto, vou então dar-vos a minha opinião, que vale o que vale. Um presidente de uma autarquia não é especialista em todas as áreas. Logo, tem de confiar bastante nas equipas que lidera, mas tem de ir acompanhando o que essas equipas vão fazendo, sobretudo quando se trata de uma obra de grande envergadura e/ou que envolve vários milhões de euros. Era o caso. A meu ver (repito, na minha modesta opinião), o que aconteceu foi que o executivo da altura queria ter uma grande obra pronta rapidamente, a tempo das eleições, para poder mostrar trabalho. E os técnicos que eram de grande qualidade e que sabiam o que estavam a fazer, afinal trabalharam tão bem que hoje é o que se vê. Sinceramente, penso que JL foi, em parte, tão enganada quanto nós. Ela (quando digo “ela” refiro-me a todos os que estavam à frente da CMT na altura), apesar de ter pressa, queria uma coisa bonita e que lhe desse o mínimo de dores de cabeça possível caso viesse a ser reeleita.

Vejamos, o PS poderia ter ganho as eleições e a dor de cabeça que o executivo de Sérgio Humberto está a ter agora poderia ser um executivo socialista a tê-la. A questão é que ninguém assume responsabilidades, uma pequena fortuna proveniente de fundos comunitários foi gasta em algo que durou pouquíssimo tempo e o que seria lindíssimo se bem feito tornou-se, desculpem a expressão, numa bosta flutuante.

Eu, se tivesse alguma responsabilidade no assunto, enfiava bem a minha cabeça num buraco durante os próximos tempos e, no mínimo, por muito que estivesse separada do executivo da Direita, estaria empenhada em apurar responsabilidades e assumir o que me dissesse respeito.

Mas isso sou eu, que sou um mero calhau e não um “diamante em bruto”!

* – Eu era uma exagerada por usar as aspas em “Parque”. Agora nota-se…

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5 Responses to E o calhau sou eu?!

  1. joaquim azevedo says:

    Se a memória não me falha, o PSD, na pessoa do Dr, Bernardino fez o que fez a Joana Lima, fez o que fez e este novo executivo tem que fazer o que prometeu, não é justificativo, alguém querer defender quem quer que seja. Q
    uem ganha as eleições tem que se saber defender e assumir as promessas, da campanha eleitoral. Acho que chega de atacar quem já não é “vivo”. Como é possivel ” e a Trofa é minha ” dizer que a Joana Lima disse que, que não era engenheira e que tinha que confiar e, agora diz ou melhor quer responsabiliza-la?. Os 32.000 euros, perguntei na ultima assembleia ao Sr. Magalhães Moreira “por ausência da Srª presidente”, como era possível gastar-se tanto dinheiro! pergunto eu agora, voçês preocupam-se? Mais qual foi a pergunta que ” e a Trofa é minha” fez sobre este assunto?

    • Silvéria Miranda says:

      Senhor Joaquim, fiquei com a sensação que não leu bem o que eu aqui escrevi.

    • João Mendes says:

      Não tenho por costume intrometer-me nos comentários feitos nos posts da Silvéria (ela não precisa) mas sinto que o Sr. Joaquim se dirige directamente ao blog num tom que não me agrada. Duas observações:

      1. O que quer o senhor dizer com “Como é possivel ” e a Trofa é minha ” dizer que a Joana Lima disse que, que não era engenheira e que tinha que confiar e, agora diz ou melhor quer responsabiliza-la?” – leu o post com atenção antes de o comentar?

      2. É preciso fazer perguntas nas AM’s para nos preocuparmos com a Trofa? o senhor é mais preocupado que eu ou a Silvéria porque as faz? Já agora, de que serve fazer perguntas para as quais já sabemos as respostas? O “e a Trofa é Minha” não fez pergunta nenhuma nem tem que fazer porque o senhor Joaquim acha que devemos fazer. E o facto do senhor fazer uma pergunta para a qual já todos sabemos a resposta não é propriamente um acto heróico.

      Vou acreditar no que a Silvéria disse. O senhor não leu o que ela escreveu e, muito provavelmente não pensou antes de algumas coisas que aqui escreveu.

  2. Anonymous says:

    REPORTAGEM LAMENTÁVEL – Porque será que o Correio da Trofa divulga uma zona do parque que está em construção e cujo terreno não estava consolidado? porque é que o Correio da Trofa mostra uma ponte que nunca teve pavimento instalado? Claramente não está a fazer jornalismo isento! Lamento este tipo de comportamento!

  3. D. Afonso Henriques says:

    É preciso é expulsar estes Mouros das Camaras Ps ou Psd essas criaturas necrofagas . Querem ver que tenho de sair do buraco ja dei tareia a minha mae tambem dou a estes, em certa parte não me acredito que a Exma. Sra. Dra. Joana Lima tenha sido enganada tal como afirmas-te a obra em causa e os estudos feitos na sua pré-realização é efetuado por técnicos e se tu não percebes nada como é que podes dar um aval sobre isso? e para além disso como já diria o ditado que já provem dos meus tempos de Rei “depressa e bem não há quem” . A Sra. Dra. a única coisa que quis mostrar foi que em quatro anos , consegue fazer obras que duram 4 meses

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