Manipulação: a realidade que nos vendem e o mundo real – Parte VII: Blogosfera jota 2.0

O que têm em comum o linchamento público de Fernando Moreira de Sá, as críticas feitas a Zita Formoso, o aproveitamento político dos incidentes nas eleições internas do PS e todo este exército de anónimos que se começou a multiplicar desde o dia em que os jotas se pegaram no meio da rua? Entre outras coisas que poderão ser associadas, existe uma que para mim é clara desde o início: são uma reedição das práticas de “guerrilha virtual” que foram em tempos dominantes em quase todas as discussões nos blogs da JS Trofa e da JSD Trofa.

Aqui falo com total conhecimento de causa enquanto frequentador e interveniente assíduo nestes espaços durante anos. Assisti a imensos “debates” em que perfis anónimos, altamente informados e parciais, se dedicavam a tentar destruir a credibilidade dos seus adversários políticos, não de forma frontal e focada no seu trabalho enquanto gestores do espaço público trofense (ou oposição), mas antes através do boato, da mentira repetida até à exaustão de quase se tornar “verdade” ou pela “exploração” da vida privada dos visados. Vi de tudo! De implantes mamários a casos amorosos, passando por dependências alcoólicas e tráfico de influências, tudo se disse. Algumas destas acusações seriam verdadeiras, a maioria era apenas especulação que acabava por se dissipar no esquecimento. Todas tinham o mesmo objectivo: conseguir pela subversão o que seria infinitamente mais difícil no campo das ideias e da argumentação.

Mas chegou um dia em que ambos os blogs se esvaziaram. Uma visita rápida a qualquer um dos dois provará facilmente o que digo. E esvaziaram-se fundamentalmente porque quem queria discutir cara a cara com pessoas reais optou por fazê-lo no Facebook onde existem interlocutores identificados. Até que os vícios da blogosfera jota se transferiram para o Facebook e emergiram os perfis anónimos supostamente independentes. Para já são cerca de 10 e já falei sobre os mais relevantes aqui. Alguns foram já desmascarados ou pelo menos objectivamente associados a determinadas entidades. Outros são ainda um mistério, ainda que alguns visados pelos mesmos apontem o dedo a determinados indivíduos, até ao momento sem provas concretas. Mas todos, sem excepção, têm apenas uma finalidade que uma rápida visita aos seus perfis poderá confirmar com clareza.

Alguém acredita mesmo que estas pessoas são simples cidadãos cujo único objectivo seja contribuir para uma Trofa melhor? Alguém acredita na desculpa esfarrapada do medo de retaliação? Eu não acredito e vocês também não. Mas deviam acreditar que tais movimentos não são mais que manobras de diversão para desviar a atenção dos problemas reais, levadas a cabo por falsos moralistas obcecados com o poder. É que o ser humano gosta de discutir aquilo que é polémico e enquanto o faz são tomadas decisões irreversíveis que realmente prejudicam a nossa terra. Reparem no exemplo do Parque das Azenhas. Já alguém parou para pensar no buraco em que se está a tornar e nos problemas que dai poderão advir? Pensem na questão da dívida! Será que alguém fora dos órgãos autárquicos teria noção do verdadeiro problema que se estava a avolumar? E, se dúvidas existirem, reparem na forma parcial como a esmagadora maioria dos agentes políticos trata os assuntos polémicos. Mostrem-me uma pessoa ligada ao PSD que alguma vez publicou uma notícia que desse conta de uma das várias polémicas em que Bernardino Vasconcelos tenha estado envolvido. O mesmo se aplica aos socialistas e a Joana Lima.

E agora, o que podemos fazer para corrigir os problemas do passado? Muito pouco. Mas podemos intervir no sentido de, no futuro, focar o debate no essencial em vez do acessório. Podemos erguer o programa da coligação (e de todos os executivos do futuro) e exigir o cumprimento do prometido. E se tal não acontecer existe sempre a possibilidade de punir eleitoralmente a frustração das expectativas criadas. Tudo depende de querermos, ou não, ser uma sociedade mais interventiva, mais informada e mais exigente para o bem de uma colectividade chamada Trofa. As práticas aqui referidas continuarão a ser utilizadas e os responsáveis continuarão a esboçar sorrisos hipócritas pelas ruas do concelho. A manipulação continuará a tentar vender-nos outro mundo que não o real. E a culpa, essa maldita, continuará a morrer solteira e dissipar-se-á nas brumas da memória. É nossa obrigação, enquanto sociedade positivamente ambiciosa, acompanhar em cima e lutar para desmontar esses esquemas enquanto tentamos abrir caminho para um cenário político mais transparente. A cidadania exige-nos isso. O futuro da Trofa também.

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