Manipulação: a realidade que nos vendem e o mundo real – Parte VI: o papel da comunicação social

Há muito quem afirme que a comunicação social local trofense é directamente instrumentalizada pelos dois principais partidos existentes no concelho. Eu vejo tal acusação de forma diferente: enquanto o Correio da Trofa (CT) é uma extensão da coligação, criado com o intuito de servir como meio de comunicação da Unidos pela Trofa, o Notícias da Trofa/Trofa TV (NT) é um meio independente com uma aparente inclinação para o lado esquerdo do espectro. É certo que esta é apenas uma visão do ponto de vista meramente político e o trabalho de ambos os meios não se esgota aí, ainda que o CT tenha sido criado especificamente para ser uma ferramenta de campanha enquanto que o NT é um jornal que existe para além das campanhas políticas.

Claro que a vox populis, fundamentalmente a que faz eco das opiniões daqueles que apoiam ou militam no PSD e PS Trofa, não vê a coisa da mesma forma. O entendimento de uma significativa parte do PS Trofa aponta para o CT como um meio de propaganda criado para “destruir” Joana Lima enquanto que, do lado direito, aponta-se o dedo ao NT como meio protegido pelo anterior executivo, meio esse que terá recebido avultados fundos do mesmo, a que se acrescenta o facto de Joana Lima ter recrutado uma das proprietárias do NT, Vera Araújo, para sua responsável pela gestão de projectos financiados. Se questões relativas a conflitos de interesses poderão ser levantadas, elas não serão um exclusivo do actual executivo.

Posto isto, gostaria de recordar dois episódios que ilustram bem as dúvidas que são levantadas por ambos os lados da barricada. No episódio da porrada das jotas, a abordagem feita pelos dois meios de comunicação foi tudo menos imparcial. Se, por um lado, o CT publicou uma peça na qual num dos momentos o jornalista tentou claramente entalar Daniel Lourenço, já o tempo de antena dado a Sofia Matos foi livre de constrangimentos e permitiu à líder da JSD Trofa apresentar livremente a sua versão dos factos. No caso da peça do NT, a situação inverte-se e assistimos a uma tentativa da jornalista de entalar Sofia Matos na conferência de imprensa da JSD Trofa, o que contrasta com a forma como Marco Ferreira teve a oportunidade de apresentar a versão da JS Trofa. Se ambos os meios procuraram ser imparciais e jornalisticamente correctos nesta cobertura, então a coisa correu-lhes mesmo muito mal.

O outro exemplo, este bem mais recente, tem que ver com a questão das eleições do PS. O primeiro vídeo a ser publicado foi o do CT. A peça foca-se essencialmente na versão da lista B, dando a Mário Mourão a possibilidade de exprimir a sua indignação sem cortes. Ninguém da lista A foi entrevistado. Falta saber se tal aconteceu por iniciativa do CT ou se pelo simples facto de ninguém da lista A querer prestar declarações. Já na peça do NT, existem dois aspectos que merecem destaque: por um lado, enquanto a jornalista dá eco às acusações de Mário Mourão sobre o clima de medo que a então actual direcção do PS Trofa estaria a incutir nos socialistas trofenses, são repetidas, várias vezes, as imagens dos membros da lista B a causar o pânico no interior da sede do partido, algo que acaba por funcionar como um contraditório das palavras do líder da lista B. Tal contrasta com a parte da peça em que é permitido a Joana Lima expressar o seu ponto de vista sem cortes, perguntas ou outro tipo de interrupções. Apenas a repetição das imagens da confusão no interior da sede, causadas pelos seus adversários.

Por outro lado, a produção do vídeo do NT optou por não colocar a parte inicial das declarações de Mário Mourão nas quais este refere existirem irregularidades na medida em que as instâncias nacionais do PS não responderam a tempo e horas, segundo os seus próprios estatutos, ao requerimento da lista B. Isto apesar de ser visível o microfone do NT (na peça do CT) no momento em que o líder da lista B profere estas declarações. Justiça seja feita ao NT que, no final da parte dedicada à intervenção de Mário Mourão dá eco a essas acusações, de forma sucinta e sempre acompanhada com imagens da confusão, imagens essas que acabam por desviar atenções das declarações de Mário Mourão, o que contraste com o destaque dado pelo CT que começa precisamente por aí.

Enquanto espectador de ambos os meios de comunicação, dá-me a sensação de que não existe um critério imparcial na forma como ambas as matérias foram tratadas. Se as acusações de alinhamento partidário de ambos os órgãos são injustas, convenhamos que ambos oferecem argumentos para que essa injustiça se propague. Pelo menos nestes dois casos. O caso da porrada das jotas parece-me mais óbvio, mas se o CT é assumidamente uma extensão da coligação, o NT dá imenso espaço às críticas pela forma como deu tempo de antena a ambos os líderes das jotas. Vale a pena pensar nisto!

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