Manipulação: a propaganda que nos vendem e o mundo real – Parte V: As eleições internas no PS

No passado dia 7 de Dezembro realizaram-se eleições internas no PS Trofa com vista a eleger uma nova direcção concelhia. A disputa resumiu-se a duas listas sendo a Lista A encabeçada por Marco Ferreira, que poucas semanas antes tinha abandonado a direcção da JS Trofa, e a Lista B, encabeçada pelo militante Mário Mourão.

As coisas não correram bem. As peças do NT e do CT mostravam um ambiente de forte tensão, provocado pela revolta dos responsáveis da lista B que viram a sua lista excluída do acto eleitoral por alegadas irregularidades, e que se materializou em actos pouco dignos, com uma suposta apoiante da lista B a atirar a urna para o chão, algo que, apesar de ter sido captado tanto pelas objectivas do NT como do CT, a senhora, num rasgo humorístico, fez questão de negar, e a que se seguiram gritos, pontapés na urna e actos de “pré-agressão” ao vereador Magalhães Moreira, que teve que se afastar para que a situação não piorasse para o seu lado.

Mas o escândalo não ficou por aqui: gritaria na rua, votos no chão, supostos votos já preenchidos no interior de viaturas de pessoas ligadas à lista A, trocas de acusações e supostas ameaças feitas a elementos da lista B por elementos da lista A. O resultado final foi a vitória fácil da lista da continuidade que, sem oposição, revalidou a manutenção do poder no maior partido da oposição na Trofa. Quanto à polémica, como de costume, ficou (quase) tudo por provar.

Escândalos à parte, este episódio teve particularidades que valem a pena ser analisadas. A começar pela postura das dezenas de pessoas ligadas ao PSD Trofa, muitas delas ocupando actualmente cargos públicos*, que correram a explorar a situação pelos motivos do costume. Ou não fossem estas, na maior parte dos casos, as mesmas pessoas que se remeteram ao silêncio comprometedor e cínico quando os temas foram, por exemplo, as obras atribuídas sem concurso pelo executivo de Bernardino Vasconcelos ou a mentira da JSD Trofa plasmada na reportagem da revista Sábado sobre o triste incidente da porrada das jotas no passado dia 1 de Maio. Parece-me muito claro o porquê de tanta partilha no mundo virtual e questiono-me se teríamos assistido ao mesmo cenário caso a lista supostamente injustiçada fosse a de Marco Ferreira. Até o canil da Trofa, que pela sua natureza deveria ser um instituição neutra e alheia a polémicas politicas, fez questão de partilhar a notícia. No exacto mesmo dia em que publicou também uma notícia sobre o apoio concedido à instituição pela coligação no poder. O “mundo” socialista trofense a ruir internamente e a oposição externa a atirar pedras. Há coisas fantásticas nas redes sociais.

Por outro lado, achei particularmente curioso que, dias depois deste incidente, tenha surgido uma página de Facebook de seu nome “Socialistas Trofenses de Verdade“, cujas publicações até ao momento se limitaram a denunciar a situação e a atacar membros da lista vencedora, tudo por trás de um perfil anónimo que reclama para si o “verdadeiro socialismo” da Trofa, apesar da defesa clara de quem praticou actos radicais que em nada dignificam o socialismo ou o republicanismo. Estranha indignação anónima, esta que acusa a “facção” de Joana Lima/Marco Ferreira de tantas coisas, entre as quais de alguns dos seus elementos terem ficado conhecidos pela opinião pública “quanto andaram a agredir raparigas da JSD antes das eleições“, algo que, para além de não ter sido ainda provado, é aqui colocado de forma completamente deturpada, principalmente quando as evidências apontam para uma situação bem diferente. Qualquer semelhança com o discurso de determinada direita é pura coincidência.

Quero deixar muito claro que entendo ser legítimo que estas pessoas façam valer a sua indignação. Apesar de existirem duas versões completamente antagónicas, ambas carecem do devido julgamento em sede própria. Estou certo que, findo o processo, o lado a quem for atribuída a razão correrá a anunciá-la aos sete ventos. A questão que se nos coloca é perceber porque é que esta questão recebeu tanta atenção da oposição externa que nada tem a ver com os assuntos internos do PS Trofa. E, mais interessante ainda, é a sensação que fica de um certo “alinhamento” entre uma certa direita trofense e a oposição interna da ala “joanista”, que alguns comentários que se puderam ler nas redes sociais deixaram a nu. Se os protagonistas da “urna pelo ar” fossem Joana Lima e Marco Ferreira, teríamos assistido ao mesmo tipo de reacções? A respostas a esta pergunta parece-me mais que óbvia. Vale a pena pensar nisto!

*pela quantidade de casos, não foram colocadas hiperligações. Para qualquer esclarecimento, terei todo o prazer em fazer chegar print screens que comprovam o que foi dito.

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2 Responses to Manipulação: a propaganda que nos vendem e o mundo real – Parte V: As eleições internas no PS

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