Uma vereação não muito fácil…

O vereador Renato Pinto Ribeiro tem, a meu ver, uma tarefa difícil pela frente. Isso se quiser fazer História no concelho da Trofa, claro. Vereador dos pelouros do desporto, cultura e da juventude (entre outros), áreas em franca debilidade na Trofa, tem um árduo trabalho em mãos para nos voltar fazer a acreditar. E digo “ele” porque, claro, sendo ele o vereador é também o rosto destes sectores.

O desporto local, nomeadamente as associações, levaram um tombo quando lhes foram cortados subsídios/apoios e viram-se um bocado às aranhas para se aguentarem. Sou da opinião que devemos ter uma oferta desportiva diversificada e abrangente (em faixas etárias e ao nível da condição física) e sem dúvida que, nesse sentido, as associações locais desempenham um papel fundamental. Nesse seguimento, uma autarquia é uma peça fulcral no que diz respeito a alguns aspectos, como as questões logísticas, mas atenção que uma câmara municipal não pode ser ela própria o único pilar de uma associação, desportiva ou outra. É preciso saber equilibrar o número de associações existentes, distribui-las geograficamente, e mais vale termos poucas, mas termos condições. Além disso, algumas das pessoas que gerem essas associações fazem-no na maior das boas-vontades, mas não são propriamente gestores e, consequentemente, se nem os gestores das grandes empresas nacionais gerem exemplarmente, que fará quem o faz nos tempos livres, por gosto e não por dinheiro…

ondjakiFoto: Casa da Cultura da Trofa

Ao nível da cultura, talvez seja melhor contar-vos um caso concreto para mostrar o que quero dizer. No dia 29 de novembro, o escritor angolano Ondjaki (que dá gosto ouvir, digo-vos já!) esteve na Trofa, mais concretamente na Escola Secundária da Trofa. Essa visita foi divulgada por intermédio da Casa da Cultura, mas tirando os professores, os alunos, a comunicação social, eu e mais duas amigas, parece-me que não estava mais ninguém no anfiteatro do liceu (podem ver isso mesmo neste vídeo da TrofaTv). Não menosprezando qualquer artista, de qualquer ramo, e mesmo tendo em conta que o horário (17h) não era o mais favorável, se a ideia era abrir este momento à população em geral, pois, nesse sentido não correu bem.

Bem, agora tenham em atenção outra coisa. Como eu vos disse em cima, a maioria dos presentes na apresentação do livro do Ondjaki eram os jovens estudantes do liceu. O próprio vereador da Cultura, Renato Pinto Ribeiro, estava presente e foi o primeiro a discursar. Discurso é o termo certo mesmo! Entre expressões como “acção deste executivo” ou “espaço da lusofonia”, o vereador fez o discurso da praxe aquando da visita de alguém “de fora” ao concelho. Pois, mas acontece que a maioria da plateia, composta por jovens de 16/17 anos, não está propriamente aberta a ouvir discursos políticos, até porque tirando um ou outro, que mesmo não podendo votar até se interessa por política, os outros estão mais preocupados com os exames nacionais ou até com os jogos de futebol. “Liderar” a juventude passa, também, por saber falar com ela e, para isso, é preciso abandonar certos formalismos que os fazem bocejar. A sorte foi que o próprio Ondjaki depressa quebrou o gelo e despertou os jovens, caso contrário teria sido uma visita em vão.

Mas atenção que a Cultura na Trofa também não está pela hora da morte. Simplesmente pode melhorar! Temos óptimas iniciativas como o “Hoje vou ao café ouvir poesia”, que uma vez por mês acontece numa freguesia diferente, num café ou outro espaço que possa acolher o público. A própria Casa da Cultura tem frequentemente uma série de exposições acessíveis ao público, bem como iniciativas para os mais novos (como a “Hora do conto e do saber”) e aposta regularmente na divulgação de autores portugueses e não só, mas a adesão a este espaço, a meu ver, ainda fica um pouco aquém do desejável. O que também vai de nós, trofenses em geral, que à semelhança do que acontece um pouco por todo o país não temos a cultura como uma prioridade.

Porém, a Casa da Cultura da Trofa (e eu cá até acho que é um espaço muito agradável e com potencialidade) tem dois senãos. Além dos horários em que está aberta (que coincidem, na sua maioria, com os horários das pessoas que trabalham e/ou estudam), tem ainda o problema de não ficar propriamente perto da maioria dos transportes públicos e também da residência da maioria da população.

Há quem fale da falta de um auditório ou de um espaço semelhante, digno de receber grandes espectáculos e de receber bem o público. Eu, embora concorde que tal é uma necessidade do concelho, penso que o primeiro passo deve ser no sentido de criar hábitos culturais na população trofense, perceber que população temos aqui (em termos de gostos, necessidades, possibilidades económicas e até intelectuais) e que não adianta trazer cá um escritor angolano se na sala os miúdos sussurram uns para os outros: “ele é português, não é?”.

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