O mito do “pai da Trofa”

Aparentemente, Luís Marques Mendes é, oficialmente, o “pai” do concelho da Trofa. E porquê? Porque a social-democracia trofense assim decidiu e o senhor em questão não se opôs. Parece-me um bom princípio. Se algum dia o metro chegar à Trofa, o pai será com toda a certeza Honório Novo. O pai da nova estação da CP é Bernardino Vasconcelos e Joana Lima será, pela mesma ordem de ideias, mãe de todos os parques. Todos os restantes envolvidos serão meros primos e primas, com destaque para um ou outro irmão ou avô.

Fui tentar perceber o porquê desta decisão unilateral não sujeita a consulta (sim, o concelho pertence-nos de igual forma, se temos um “pai” então convém estarmos de acordo quando à escolha do progenitor). De uma forma geral, todas as notícias, opiniões e/ou registos que encontrei nesse sentido apontam Marques Mendes como nosso “pai” pelo seu papel activo na criação do nosso concelho. E que papel foi esse? Ora bem. Marques Mendes era, em 1998, Presidente do Grupo Parlamentar do PSD e, nessa condição, terá contribuído para que a nossa luta fosse objecto de discussão na AR.

OK…

Mas então, e se Santo Tirso fosse um município social-democrata e o ímpeto reformador tivesse caras socialistas na frente de combate? Será que Marques Mendes estaria igualmente do nosso lado? Parece-me que a resposta é mais que óbvia. Claro que estamos todos no nosso direito de tomar por realidade contos de fadas e de acreditar que ele teria a mesma postura caso a criação do concelho da Trofa fosse prejudicial aos interesses do PSD Nacional. Mas a linha que separa o mundo real da ingenuidade natural e induzida de alguns está lá para nos relembrar de como a política partidária funciona neste país.

Mas o que me revolta (sim, revolta mesmo, colocar este homem acima dos trofenses que foram quem realmente lutou para que a nossa autonomia autárquica  fosse uma realidade é um insulto à nossa história) é que haja quem defenda que o papel deste senhor foi mais relevante do que o de tantos homens e mulheres que lutaram pelo concelho desde o primeiro minuto e não apenas quando tal se tornou politicamente “rentável”. Luís Marques Mendes não é mais pai do nosso concelho do que cada um dos mais de 8000 mil trofenses que naquele dia 19 de Novembro de 1998 invadiram a AR e não arredaram pé até lhes garantirem que o objectivo traçado tinha sido atingido. Não é mais pai do concelho da Trofa do que Bernardino Vasconcelos ou José Maria Moreira da Silva, entre tantos outros, que durante anos se empenharam neste projecto. Marques Mendes é apenas um político que, a determinada altura, entendeu que a criação do concelho da Trofa ia de encontro aos interesses do PSD.

A Trofa é dos trofenses, filha e neta de trofenses, não de um burocrata qualquer de Lisboa. Não iludam as pessoas com truques politico-partidários.

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8 Responses to O mito do “pai da Trofa”

  1. joaquim azevedo says:

    Amigo João Mendes, quando ouço dizer que Marques Mendes é o Pai da Trofa, fico revoltado e porquê: porque há muitas décadas que os nossos antepassados queriam esta independência, lutaram e consegui-se ” se calhar hoje não lutavam por ela”, não devemos aceitar que nos queiram englobar,como se fossemos seus. Acho que se dá importância de mais a quem nos cria impostos, dificuldades e ainda por cima nos roubam a reforma, esquecendo-se que viveram à nossa custa, enquanto funcionários públicos
    .

  2. João Mendes says:

    concordo consigo Joaquim mas o problema não é o Marques Mendes: é sim quem alimenta este falso mito…

  3. Sara Dias says:

    João, antes de mais, um pai, normalmente, não se escolhe. Um pai é pai e pronto, mas sim as tuas razões são válidas e correctas. Outra coisa, na penúltima frase dizes: “Marques Mendes é apenas um político que, a determinada altura, entendeu que a criação do concelho da Trofa ia de encontro aos interesses do PSD.” Se a criação do concelho fosse de encontro aos interesses do PSD ainda hoje fazíamos parte de Santo Tirso. 😉
    Força nisso (gosto de ler o que tens a dizer)

    • João Mendes says:

      Tens razão Sara, pai não se escolhe. ele é que escolhe fazer-nos a nós 🙂

      Achas mesmo? Só se a “luta” para sermos concelho fosse agora… 🙂

      Obrigado pela força e um abraço!!!

      • Sara Dias says:

        O que eu quero dizer é que “ir de encontro a” é ir contra. O que me parece que querias dizer é “ir ao encontro de”. Estamos sempre a aprender 😉
        Abraço.

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