Coisas que eu não percebo sobre a obra dos parques. Alguém me explica?

Queria começar este pequeno texto por dizer que fui, desde o primeiro minuto, um acérrimo defensor da obra dos parques Nossa Senhora das Dores e Dr. Lima Carneiro (doravante “obra dos parques”). Entendia (e entendo) que os parques precisavam de uma intervenção profunda que os libertasse do rótulo (real) de atoleiro de toxicodependentes, que os tornasse mais funcionais (coisa que, por inúmeros motivos, não eram) e, acima de tudo, que os tornassem um local aprazível para frequentar. Não consigo conceber um parque aprazível onde as únicas coisas que existem e que realmente funcionam sejam uma capela e o tráfico de droga.

Durante a campanha autárquica que, ao contrário do que o calendário oficial previa, começou no início de 2013 e não apenas em Setembro, a questão ficou marcada pelo denunciado aproveitamento político protagonizado por diversos e conhecidos partidários da direita trofense, com a JSD de S. Martinho de Bougado à cabeça (ou como uma espécie de “testa-de-ferro”, nunca cheguei a perceber bem…), fundamentalmente através da disseminação de um discurso marcado por um misto de populismo e manipulação de sentimentos de pertença, tentando passar uma ideia de que esta obra iria causar danos profundos na cultura e na história da Trofa. O que era anedótico tornou-se patético quando se introduziu a variável “ambientalista”: ver tantos sociais-democratas que nunca abriram a boca ou levantaram um dedo quando o executivo liderado por Bernardino Vasconcelos licenciou outros “atentados” ambientais no nosso concelho, mais não foi do que uma prova objectiva das reais intenções desta secção pop-up d’ “Os Verdes” trofenses. Claro que, como qualquer pop-up, alguém carregou no X e a janelinha irritante desapareceu. Fica o momento de humor para a posteridade.

Contudo, este tipo de manipulações não só não trazem nada de novo como são facilmente perceptíveis e desmontáveis, basta um olhar mais atento sobre as mesmas (no caso da JSD S. Martinho de Bougado nem foi precisa grande atenção, foi demasiadamente denunciada e muito “programa da manhã style”). Para além disso, a sua relevância é extremamente reduzida pelo que proponho um olhar sobre 3 outras variáveis que ou estão por explicar ou, mais complicado ainda, estão por perceber.

Logo para começar, a primeira pergunta que, acredito, ainda “assalta” tantos trofenses: o quinto melhor orçamento a uma empresa em situação de pré-insolvência? Porquê o quinto melhor orçamento? Trata-se da melhor oferta em termos globais? O que a distingue das outras que justifique o gasto extra? E a empresa Europa Ar-Lindo? Porquê assinar um contrato com uma empresa numa situação frágil? São aspectos difíceis de perceber…

Foi sempre tudo muito estranho. E faz muito pouco sentido. Entregar uma obra desta dimensão e importância a uma empresa em situação de pré-falência é um risco para todos os trofenses e uma irresponsabilidade para quem a negoceia com tal entidade. Claro que, como vem sendo habitual, os trofenses nunca foram devidamente esclarecidos. A obra avança, o poder até já mudou de mãos e nós continuamos a saber o mesmo. Depois do autarca acusado de lançar concursos de obras já feitas, só nos faltava mesmo uma autarca que entrega obras a empresas falidas.

Outra questão que me deixou algumas dúvidas foi a recente visita da PJ, do SEF e da Inspecção Geral das Finanças ao local da obra. Tanto quanto sei (e corrijam-me se estiver errado), a PJ não anda propriamente a inspeccionar obras pelo país fora. Não é bem essa a função deles. Se lá foi é porque teve um motivo. Qual terá sido? Ok, pode ser um procedimento normal no caso do SEF e da IGF. Mas a PJ? Alguém nos explica o que se passou por favor? Claro que não. Os media reportam, os responsáveis remetem-se ao silêncio.

Finalmente, a parte que realmente me intriga em todo este projecto: a necessidade de construir um parque de estacionamento subterrâneo. Aqui as perguntas nunca mais acabam! Foi feito algum estudo sobre a necessidade do mesmo? Terá esta valência utilização que a justifique ou será mais um parque de estacionamento fantasma? Qual foi o agravamento no preço final da obra? A sua construção implicou o abate de quantas mais árvores? Que preços serão praticados?

Eu, que não percebo nada de  parques de estacionamento, tenho a ideia de que se trata de uma estrutura da qual simplesmente não precisamos. Não estou a ver os trofenses a pagar para estacionar o carro neste novo parque, principalmente em tempo de crise profunda. Mas consigo imaginar algumas pequenas ruas adjacentes ao futuro parque e à Rua Conde São Bento completamente entupidas de carros estacionados a fazer lembrar a ausência de regras de trânsito que acontece durante algumas festividades locais. Afinal de contas, as obras já começaram, o estacionamento improvisado que existia na parte de baixo do parque já não existe e quem por ali trabalha tem conseguido estacionar o carro. Longe vão os tempos do “No Parque Não“…

Existem muitas coisas que me transcendem quando o assunto é a obra dos parques. Algumas provavelmente nunca serão convenientemente explicadas. Mas parece-me uma obrigação moral que os partidos que usaram e abusaram da questão como arma política sejam céleres em fazer uso da sua posição actual para explicarem os contornos desta obra a todos os trofenses. É prioritário que o novo executivo, que tanto falou em transparência e verdade esclareça, o mais rapidamente possível, todos os cidadãos do concelho.

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13 Responses to Coisas que eu não percebo sobre a obra dos parques. Alguém me explica?

  1. Anonymous says:

    Tanto quanto pude ler a PJ não efectuou qualquer tipo de buscas nesta obra…partilho aqui o link de uma noticia para a informação ser o mais correcta possível.

    http://www.onoticiasdatrofa.pt/ntt/index.php/ultimas-noticias/edicao-papel/81-edicao-447/11186-acao-de-fiscalizacao-nas-obras-dos-parques

  2. João Mendes says:

    quem disse que a PJ efectuou buscar Anónimo?

    • Anonymous says:

      “Outra questão que me deixou algumas dúvidas foi a recente visita da PJ, do SEF e da Inspecção Geral das Finanças ao local da obra. Tanto quanto sei (e corrijam-me se estiver errado), a PJ não anda propriamente a inspeccionar obras pelo país fora. Não é bem essa a função deles. Se lá foi é porque teve um motivo. Qual terá sido? Ok, pode ser um procedimento normal no caso do SEF e da IGF. Mas a PJ? Alguém nos explica o que se passou por favor?”

  3. Anonymous says:

    “Finalmente, a parte que realmente me intriga em todo este projecto: a necessidade de construir um parque de estacionamento subterrâneo. Aqui as perguntas nunca mais acabam! Foi feito algum estudo sobre a necessidade do mesmo?”

    Ainda estás a fazer a pergunta errada. Pergunta antes “Quem vai ser o operador (ou será o proprietário?) desse parque?

    “Não estou a ver os trofenses a pagar para estacionar o carro neste novo parque, principalmente em tempo de crise profunda. Mas consigo imaginar algumas pequenas ruas adjacentes ao futuro parque e à Rua Conde São Bento completamente entupidas de carros estacionados a fazer lembrar a ausência de regras de trânsito que acontece durante algumas festividades locais.”

    Isso, sem ser bom, até não era mau. Imagina antes todas essas ruas com estacionamento pago.
    Agora imagina Parque de Estacionamento e ruas concessionadas à mesma entidade e já se começa a compreender qualquer coisa…

    • João Mendes says:

      E quem será esse operador senhor anónimo?

      Quanto à “expansão” dos paquímetros (não lhes dê ideias sff), até acredito que possam ocupar mais uma ou duas ruas mas muitas outras não são ocupáveis, vai haver sempre maneira… 🙂

  4. Anonymous says:

    Primeiro aproveito para reivindicar o post do dia 24 apenas e não o do dia 21 que pertencerá a outro anónimo.
    Em diante, caso volte a intervir, assinarei com o nome Dr. José Povo.
    Quanto ao operador, uns passarinhos dizem-me que virá de Braga mas outros, (mais), garantem-me que vem do Baixo Ave, (e não é de Vila do Conde. Por estes dias o Ave já passa baixo à nossa porta).
    Esta passarada que me vem chilrear ao ouvido vem muito “enJotada” se me permitem a expressão pelo que há que dar algum desconto, mas alguma coisa eles hão de saber…
    Quanto à segunda hipótese leiam o que vem escrevendo o Luís Pinheiro nos jornais que o publicam, (e não, eu não sou Luís Pinheiro, que admiro e reconheço como o protótipo do Dr. José Povo mas não sou eu), e vejam que as “obras” do parque já estão a ser inauguradas, ou pelo menos o dinheiro já está a ser gasto, na forma de palhaços pelas ruas.
    Fina ironia, esta, de as “obras do parque” estarem a financiar palhaçadas na Rua Conde de S. Bento.

    Dr. José Povo

    • João Mendes says:

      Caro Dr. José Povo,

      Mas esse operador, quem é? Espero que os seus passarinhos estejam enganados porque se não estiverem, é mau presságio… ruas todas concessionadas em regime de monopólio? not good…

      e que financiamentos de “palhaçadas” são esses que refere?

      Cumprimentos

      • Dr. Jose Povo says:

        O parque de estacionamento provavelmente já não era rentável quando o projecto previa a estação do metro ali ao lado. Agora que nem estação do metro haverá é concerteza mais um elefante branco, Principalmente com tanta alternativa de estacionamento gratuito ali ao lado.
        Então, qual será a solução, pensam os nossos eleitos? Concessiona-se toda a zona de estacionamento, parque incluido, a uma entidade, garante-se uma verba e o privado leva a benção camarária para ir esmifrar os trofenses á semelhança, por exemplo, da Indaqua.

        Quanto às “palhaçadas”. Vocês não estavam convencido que a obra no parque custava 10 milhões de euros, pois não? Parte, (muito significativa), da verba atribuida vai para outras actividades, sob o título pomposo de, por exemplo, “Projeto de Requalificação Urbana dos Parques Nossa Senhora das Dores e Dr. Lima Carneiro – Operação 3, designada por Reestruturação e Dinamização Económica.”
        Procurem nestas notícias as palavras mágicas

        http://www.onoticiasdatrofa.pt/ntt/index.php/ultimas-noticias/edicao-papel/60-edicao-426/10611-dia-da-crianca-montras-de-lojas-transformaram-se-em-mural

        http://www.natrofa.com/index.php/noticias

        Definitivamente há aqui coisas que não se percebe bem e parece-me que ninguem as virá explicar

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