300 mil euros em rendas?

Sérgio Humberto (SH) está mesmo a entrar com o pé direito no seu primeiro mandato à frente da Câmara Municipal da Trofa (CMT). A cada dia que passa, novas e boas notícias sobre a acção do novo executivo vão aparecendo, com uma cadência nunca antes vista. Não deixa, contudo, de ser curioso que a esmagadora maioria desta informação tenha origem no Jornal de Notícias, algo que deu já azo a especulações sobre uma possível “parceria estratégica” entre o grupo Controlinveste e a direita Trofense. Onde antes era raro falar-se sobre o nosso concelho, nas últimas semanas parece que nos transformamos no centro do mundo.

Na sua edição de ontem, o JN revela que SH vai abdicar do motorista a que tem direito por lei. Antes de mais queria expressar aqui o meu desprezo por quem escreve este tipo de leis. Vivemos na cauda da Europa, debaixo de um resgate financeiro que nos retirou ou prejudicou direitos constitucionalmente garantidos e ainda temos que manter uma elite política gorda e pouco competente com motoristas e outras obscenidades afins. Porque raio não haverá um autarca (ou um ministro, um secretário de Estado ou um deputado quando em funções oficiais) de conduzir? Será que o exercício das suas funções lhe afecta as mãozinhas? Ou, quem sabe, os pezinhos? Nojenta classe que exige sacrifícios enquanto reserva para si um tratamento de excepção. A atitude do novo presidente da CMT ganha por isso ainda mais importância e apresenta-se-nos como um enorme exemplo de ética e coerência.

Mas SH não se ficou por aqui. Para além de ter abdicado da mordomia estúpida e injustificada de ter um motorista, e segundo a mesma notícia publicada no JN, o autarca planeia cortes noutras “despesas supérfluas”, nomeadamente cortes nas rendas “exorbitantes” de espaços alugados para o funcionamento de alguns serviços camarários, de onde se destaca uma poupança de 25 mil euros no aluguer da actual sede da Trofapark, empresa municipal que irá transferir-se para o edifício da antiga Junta de Freguesia de Santiago de Bougado, algo que é duplamente positivo, não só pela “descentralização” da sede em si, mas principalmente porque se potencia um equipamento público que de outra forma poderia ficar ao abandono.

Claro que tudo isto levanta questões importantes que não podem ser ignoradas. Logo à cabeça com a situação do motorista. Será que o vão simplesmente despedir ou criar condições para a sua reintegração? Contudo, a questão central diz respeito à política de arrendamentos que a nossa autarquia vem levando a cabo ao longo dos últimos 15 anos. Se as rendas são assim tão “exorbitantes” – aliás, como o próprio SH referiu – quem as negociou, em que condições foram negociadas, quem delas beneficia (e beneficiou) e em que medida é que as mesmas respeitam o superior interesse da população trofense? 300 mil euros por ano? Onde se gastam 300 mil euros por ano em rendas?

Em linha com o que reiterei ontem sobre a questão das contas da extinta freguesia de S. Martinho de Bougado, é fundamental que se proceda a uma imediata auditoria a todas estas rendas para que se possa apurar as condições subjacentes às mesmas. Os trofenses pagam estas rendas com os seus impostos, é fundamental que se apure o motivo de tal valor e as condições em que tais contratos foram celebrados. E, caso tenham sido celebrados em prejuízo da população, medidas devem ser tomadas para os cancelar ou renegociar e punir os responsáveis. É tempo de acabar com TODAS as situações duvidosas.

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