Ironias e “usurpações”

Na passada Terça-feira, realizou-se no auditório da AEBA a primeira cerimónia pública sob a batuta do novo executivo em funções na CMT. A equipa liderada por Sérgio Humberto decidiu começar pelo antigo e polémico “dossier da dívida”. Para o efeito, e segundo a edição de ontem do JN, foram convocados cerca de 50 credores da autarquia a quem o novo executivo pediu desculpa pela demora e pelo transtorno causado e com quem saldou as suas dívidas, algumas delas em mora há cerca de 10 anos.

A “singularidade” desta situação colocou a Trofa em destaque na “comunicação social pelos melhores motivos” coisa que, como bem sabemos, não é algo que aconteça todos os dias. Paulo Ferreira do JN teceu rasgados elogios ao novo e executivo e imortalizou a efeméride de “Contas à moda da Trofa“. Na sua habitual crónica na TSF, Fernando Alves refere-se a iniciativa da CMT como “grandes exemplos, na pequena e micro escala, de um país que tantas vezes nos passa ao lado”.

Se há pessoa na comunicação social a quem reconheço independência e isenção, esse alguém é o Fernando Alves. Não é propriamente o tipo servil. Ouvir alguém como ele falar de um político da Trofa desta forma, tomando a situação em questão como um exemplo para o qual o país deveria olhar, é um dos maiores elogios que vi (ouvi) em toda a minha vida na comunicação social nacional sobre um político da Trofa.

Mais tarde descobri outra notícia, partilhada massivamente no Facebook. Percebi que o montante entregue aos credores ascendia a 14 milhões de euros, que a origem do dinheiro usado para o efeito é o famoso Plano de Reequilíbrio Financeiro, negociado e garantido pelo executivo anterior, percebi que na próxima semana chega mais dinheiro para pagar dividas via PAEL,  9 de um total de 30 milhões de euros, e, finalmente, li as declarações de Sérgio Humberto onde este afirma querer uma autarquia “cumpridora dos seus compromissos e que pague atempadamente aos seus fornecedores”. Que assim seja! Haver um homem nesta terra que demore 10 anos para receber 80€ chega a ser ridículo…

Enquanto observava toda esta projecção mediática, apercebi-me de algo curioso no meio de tanto destaque que o grupo Controlinveste nos proporcionou: a ironia de ver um executivo que ainda agora tomou posse a ser “venerado” por colocar em marcha um programa integralmente negociado pelo executivo socialista. A história, essa manhosa, teima em querer repetir-se vezes sem conta. Muitos daqueles que em tempos apontaram o dedo a Joana Lima (JL) por supostamente querer ficar com os créditos de obras idealizadas, negociadas e/ou colocadas em prática pelo executivo liderado por Bernardino Vasconcelos, às quais JL se limitou a “cortou a fita”, são os mesmos que agora reverenciam a medida tomada há dois dias que só foi possível por ter sido negociada com sucesso pelo executivo cessante. Could this be more ironic?

Longe vão os tempos em que as fileiras sociais-democratas trofenses se cerravam para relembrar a todos os seus concidadãos que se havia uma estação nova na cidade da Trofa, tal se devia à acção governativa do executivo liderado por Bernardino Vasconcelos. Ai do socialista que ousasse colar um detalhe que fosse dessa obra megalómana de cerca de 65 milhões de euros à equipa de Joana Lima. Esses socialistas usurpadores, sempre a querer ficar com os louros dos outros! Tivessem o metro e as variantes que Bernardino Vasconcelos apresentava como dados adquiridos sido uma realidade e até isso teria sido usurpado pelo PS.

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One Response to Ironias e “usurpações”

  1. joaquim azevedo says:

    Acho que ainda era cedo para tamanha publicidade, só faltaram os foguetes e talvez não tenham sido dados para ninguém se aperceber do que se passava e desse o lamiré ou até comentasse e assim a festa foi só em família. Pelo que se lê na imprensa não tenho duvidas que algo está mal, até porque estas dividas” na sua maior parte são do tempo PSD, Dr. Bernardino ” digo eu. Continuo atento e à espera .

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