Sobre os resultados eleitorais de ontem, na Trofa

Depois da opinião de João Mendes, segue-se agora a opinião de Silvéria Miranda.

foto NT

(foto de O Notícias da Trofa)

Gostaria de começar por dar aqui os parabéns publicamente aos vencedores destas eleições na Trofa (embora considere que os verdadeiros parabéns devem ser dados no fim de um mandato, quando merecidos) e também a todos os outros candidatos que se sujeitaram ao escrutínio dos trofenses, sem se armarem confusões após a divulgação dos resultados nem qualquer tipo de conflito que envergonhasse os trofenses. Todos souberam ocupar o seu lugar e não esperava nem desejava outra coisa.

Quanto aos resultados propriamente ditos, do meu ponto de vista, a coligação ganhou estas eleições (para a CMT, a Assembleia Municipal e para a maioria das juntas de freguesia) por dois aspectos: por um lado, e em grande parte, pelo trabalho da agência de comunicação que contratou e, por outro lado, por desmérito da outra grande força política da Trofa, o PS. Do ponto de vista da comunicação, foram limadas muitas, mas mesmo muitas arestas. A escolha de algumas pessoas mais carismáticas do concelho também foi fundamental, mas algumas atitudes como o evitar de um camião barulhento pelas ruas da Trofa a entupir o trânsito (durante a campanha, porque ontem após a vitória não foi bem assim!), uma festa da juventude no encerramento da campanha que recorreu a artistas jovens trofenses, a não-lavagem de roupa suja nas redes sociais e as obras inauguradas pelo executivo ainda em funções nos últimos meses contribuíram também para essa vitória.

O PS perdeu eleições (para a CMT, a Assembleia Municipal e para a maioria das juntas de freguesia), a meu ver, por duas razões muito simples. Em primeiro lugar, porque estes últimos quatro anos não foram propriamente ricos em resultados visíveis. Eu explico: a dívida da CMT parece ter estagnado e, se assim é, penso até que os trofenses devem agradecer por isso. Porém, a diminuição da dívida não é algo palpável para os trofenses e a grande maioria dos resultados visíveis foram-no nestas últimas semanas, algumas vezes à pressa, e eram maioritariamente projectos que já vinham de trás. O factor “crise” estragou muito o cenário, mas eu própria sempre disse que político nenhum coloca os impostos no máximo aos seus eleitores só porque sim, pois o que qualquer Presidente quer é dar, não tirar. Mas essa atenuante só não chega. Além disso, esta não foi uma campanha eleitoral muito feliz para o PS. E tinha começado tão bem! Não sei se foi o receio de perder estas eleições, mas a verdade é que começaram a chover algumas observações um pouco desadequadas um pouco por todo o lado (redes sociais em especial). E o programa eleitoral que veio tarde? E as promessas de 2009 não cumpridas? Pois, já disse tudo.

Os restantes candidatos, CDU, BE e MIT, podiam vencer estas eleições, claro que podiam. Mas não estavam a concorrer nas mesmas circunstâncias. Contudo, quero aqui louvar a campanha limpa que fizeram, as boas ideias que foram manifestando e o amor que têm pela Trofa. Conto com a vossa atenção ao que se passa na Trofa e com o vosso espírito crítico durante os próximos quatro anos (sobretudo da CDU, que conseguiu eleger um representante para a Assembleia Municipal) e em 2017 cá nos encontraremos novamente, esperemos que com alguns aspectos melhorados. Admito que esperava um resultado melhor para o BE, que apresentou um programa relativamente bem pensado, mas também já o devíamos esperar tendo em conta que era a primeira vez que o BE se candidatava numas eleições na Trofa, tendo em conta que a CDU tem um eleitorado muito fiel e tendo em conta que os movimentos independentes estão, e bem, a atrair cada vez mais as atenções dos cidadãos e a “atrair” votos que eram antes de todas as outras forças políticas.

Por fim, deixo uma mensagem directamente aos vencedores. Não me vou esquecer do que prometeram. Não vamos, nem eu, nem os trofenses, tolerar deslizes financeiros (aliás, quem vai assumir as finanças do concelho?). Vamos continuar a querer a vossa atenção durante os próximos anos, e não apenas a vossa visita pelas nossas ruas pouco antes das eleições de 2017. Queremos e merecemos melhores acessibilidades, mais cultura, mais desporto, mais atenção ao ambiente, maior aposta nos trofenses e nas suas capacidades enquanto profissionais dos mais diversos ramos, mais transportes públicos, obras bem pensadas e bem concluídas, e também, e principalmente, sermos sempre postos em primeiro lugar. Espero que reconheçam que existem boas ideias nos programas eleitorais dos outros candidatos e que as ponham em prática, com a ajuda deles. Todos saímos a ganhar com isso. Queremos fazer parte das decisões do concelho e estar devidamente informados sobre elas. Queremos, aliás, que façam uso das tais equipas especializadas que já contactaram e que prometem vir a contactar para que nada neste concelho venha do nada. Queremos uma Trofa melhor. Merecemos uma Trofa melhor. Vou exigir uma Trofa melhor.

Advertisements
This entry was posted in Autárquicas 2013. Bookmark the permalink.

3 Responses to Sobre os resultados eleitorais de ontem, na Trofa

  1. Boa noite Silvéria Miranda (e Boa noite João Mendes). Como “velhinho” nesta coisa dos blogues, como gosto de escrever: “a blogar desde 2005”, quero começar por dar os parabéns a ambos pelo vosso blogue. Do qual sou leitor desde a primeira hora.

    Nunca antes comentei nenhum post do blog (não por falta de vontade mas, isso sim, por questões profissionais que, penso, são compreensíveis). Agora já o posso fazer. Por isso, aqui vai.

    Começo citando a Silvéria: “por um lado, e em grande parte, pelo trabalho da agência de comunicação que contratou”. Não é verdade e explico porquê. Nenhuma agência de comunicação (isso queriam todos os respectivos proprietários!) ganha eleições. Nenhuma. E afirmo-o com a experiência de alguns anitos a virar frangos nestas coisas. Nenhuma.

    A coligação Unidos pela Trofa ganhou porque: apresentou os melhores candidatos; era liderada por um verdadeiro “líder”; apresentou melhores propostas e assumiu riscos sem os esconder (e por isso estão na net e como se diz na gíria, “uma vez na net, para sempre na net”; porque soube ouvir e, sobretudo, sentir o pulso ao concelho e à sua população; porque não cometeu erros ou, melhor dito, cometeu bem menos erros que os seus adversários; porque fez um “porta-a-porta” muito bem feito e melhor pensado; porque soube ouvir (e aqui repito para que fique bem sublinhado); porque teve dois presidentes de dois diferentes partidos que souberam unir-se valorizando aquilo que os aproxima e sabendo utilizar a seu favor aquilo que os diferencia; Em suma, conseguiu fazer uma coisa muito rara em política: foram um por todos e todos por um. Foi essa a chave do sucesso.

    Qual agência de comunicação, qual quê! Nós apenas fomos parceiros no terreno. Vestimos a camisola. E porquê? Simples, porque fomos respeitados, excepcionalmente bem tratados e muito acarinhados. Souberam mostrar que a Trofa sabe receber e é grande. Por isso mesmo, hoje, todos nós somos orgulhosamente trofenses. E isso só foi possível graças a pessoas que já cá estavam ainda muitos de nós nem sabiam onde era a Trofa, Bougado, Coronados, Covelas ou Alvarelhos/Guidões.

    Um abraço e continuação de bom trabalho!

    • Silvéria Miranda says:

      Olá Fernando!
      Percebo perfeitamente por que motivo não comentou este espaço há mais tempo e agradeço as suas palavras sobre o nosso humilde trabalho aqui.
      Percebo também o que quer dizer sobre a agência de comunicação de que faz parte, embora não concorde totalmente! Alguma coisa tiveram de fazer para que se justificasse a vossa contratação e, convenhamos, foi um bom investimento porque traduziu-se em resultados visíveis ao longo do tempo e sobretudo neste domingo. As redes sociais estavam mais controladas (sobretudo da parte dos jovens), o discurso e a postura do Sérgio foi mudando ao longo dos tempos para melhor, ele ia para os debates e as entrevistas com aquilo bem estudado, enfim, uma série de aspectos que só podiam ser tratados por quem domina a área da comunicação e por quem pensa de forma mais “fria” e imparcial quando comparativamente com as pessoas que vivem a política de forma mais efusiva e que não têm preparação nenhuma nessa área. Essas emoções de quem faz parte de um partido e defende sempre essa causa precisam, por vezes, de serem controladas, porque caso contrário correm o risco de serem mal interpretadas. Por outro lado, essas pessoas que tanto defendem a causa de que estamos aqui a falar, além de emotivas, canalizam essa emotividade, essa paixão, essa dedicação para o próprio partido e isso também se traduz em resultados visíveis. Não tenho dúvida alguma que algumas pessoas que fazem parte do PSD (e digo isto porque conheço mal o CDS) e que eu tão bem conheço trabalharam arduamente nesta campanha. Não é só abanar bandeiras, claro! E é por isso que não disse que a coligação ganhou as eleições apenas graças à agência de comunicação, e sim também graças a ela, porque soube trabalhar e porque souberam ouvi-la. Não tenho dúvida alguma que houve um dedinho vosso em muitos aspectos, nem se esperava outra coisa em pleno século XXI por parte de uma estrutura partidária de maiores dimensões. Havia muita coisa a limpar, outras a salientar e na hora da decisão os trofenses optaram entre continuar com o anterior executivo ou optar por um diferente deste e ainda do anterior. No fundo, tratava-se mesmo de mostrar que o PSD-Trofa, mais ainda que o CDS, mudou. E espero, muito sinceramente, que essa cooperação entre os dois partidos continue a dar frutos. É o que todos desejamos e merecemos.
      Quanto à Trofa, aí concordo totalmente. Somos grandes. E podemos ser ainda maiores, basta termos as pessoas certas à frente do nosso concelho! Cá estaremos para ver isso e para ajudar, se se mostrar necessário!

    • João Mendes says:

      Boa noite Fernando,

      Muito obrigado pelas tuas palavras, que vindas de alguém com tanta experiência na área muito me honram. Espero sinceramente poder continuar a contar com a tua presença assídua 🙂

      As agências de comunicação podem não ganhar eleições mas desempenham um papel fundamental. São notórias as diferenças na comunicação de ambos os partidos antes e depois da vossa chegada. A dinâmica dada ao Facebook da coligação é um exemplo perfeito da forma simples e eficaz com que conseguiram chegar a milhares de trofenses.

      Não nego que a coligação, de um ponto de vista político-estratégico, faz uma óptima campanha. Se os candidatos eram (são) os melhores ou não tal é bastante relativo porque como sabes bem, tal só se saberá quando o trabalho começar a aparecer. O mesmo se aplica ao Sérgio Humberto. Ontem li por ai muita gente a escrever que a esperança tinha sido devolvida aos trofenses. Não foi. A esperança será devolvida aos trofenses quando as mudanças se começarem a sentir e nos seja possível compará-las com o trabalho desenvolvido pelo executivo anterior. Se o cenário melhorar então saberemos que essa esperança voltou. Até lá prefiro ser cauteloso porque já tenho 29 anos de Trofa, vi muita coisa, muita promessa falhada e muito político envolvido em esquemas desprezíveis. Já estou na fase do “ver para crer”… Mas confesso que, depois do que vi, li e ouvi do Sérgio, as minhas expectativas estão elevadas e, como sabes, estarei cá com a minha comparsa para relembrar, em caso de necessidade, que nem toda a gente tem memória curta.

      Gostei da forma como colocas que a coligação “cometeu bem menos erros que os seus adversários” porque foi exactamente isso que aconteceu. Sinceramente, e apesar de ser terminantemente contra a obra na rotunda em frente ao Modelo, por não ser prioritária e porque entendia que a rotunda era bem mais bonita como estava, fiquei muito desiludido por ver o Sérgio Humberto, que teve um discurso francamente positivo durante a campanha, a apelidá-la de “rotunda da sucata” (penso que foi este o termo usado), desprezando o trabalho que aparentemente foi feito por artistas trofenses que devem ser saudados e apoiados. Foi um erro grave na minha opinião porque contrariou a lógica do seu discurso até ai. Um erro que deveria inclusive ter gerado um pedido de desculpas aos visados. De qualquer forma, concordo que o PS errou muito mais, de tal forma que, na minha opinião, destruiu uma eleição ganha por erros de principiante ao cair do pano.

      Fico contente por saber que a Trofa te marcou. Claro que para mim não é novidade que somos um povo fabuloso mas entendo a forma como isso marca que não nos conhece 🙂 Espero sinceramente que te tornes um visitante assíduo porque entendo que foste uma influência muito positiva para todos aqueles com quem trabalhaste. E a Maia é aqui (ai) ao lado!

      Um abraço

Deixa aqui o teu comentário...

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s