Entrevista de Gualter Costa (BE) na TrofaTv

Nota prévia: o texto que se segue faz parte de um conjunto de 5 publicações, relacionadas cada uma delas com uma das 5 entrevistas realizadas pela TrofaTv aos 5 candidatos à CMT nestas autárquicas de 2013. Serão publicados pela mesma ordem em que os respectivos vídeos foram publicados no site do referido canal.

GC

Logo no início desta entrevista, o candidato pelo Bloco de Esquerda, Gualter Costa, diz que o partido não surgiu para complicar a vida aos outros candidatos, apenas surgiu porque se entendeu que muitas vezes, neste concelho, o problema não é a falta de dinheiro, e sim a falta de vontade.

Além de mencionar várias das medidas propostas pelo Bloco no seu plano eleitoral, desde a criação de uma rede de transporte público municipalizado que cobrisse todo o concelho, à criação de um serviço municipal de obras (tendo em conta o actual estado da nossa rede viária e as estradas que estão ao nosso encargo e que precisam de manutenção frequentemente), aponta como argumento, quando questionado sobre eventuais estudos que o BE tenha feito para comprovar a eficácia das medidas que propõe e visto que a Trofa é um concelho muito endividado, que “Nós temos em Portugal um problema, é que muitas vezes gasta-se mais dinheiro no estudo do que a fazer a solução.” Acrescenta, aliás, que o aterro do túnel do metro custou 2 milhões, e que esse dinheiro podia ter sido aplicado numa destas soluções que, como no caso dos transportes, não são algo isolado no tempo, mas que seria para continuar.

Ainda assim, admite: “A Trofa neste momento não tem margem de manobra, e é aí que reconheço a este executivo alguma dificuldade de acção com o PAEL”. Para ele, o PAEL deve ser renegociado, tentando-se reduzir em 20% os tais 400 mil euros mensais a serem pagos, para que o município possa ter alguma margem para investir, para baixar algumas taxas e impostos municipais e até para ter iluminação total nas vias principais do concelho. A questão de iluminação, aliás, preocupa o Bloco, pois o inverno está quase aí e temos estradas muito movimentadas que nem passeios decentes têm e cuja iluminação reduzida às 18h pode causar problemas. Não há PAEL que justifique, defende Gualter Costa.

Ainda quanto às acessibilidades, diz que o BE propõe a construção de duas pontes, sabendo onde e com que prioridades, ao contrário do candidato do PSD/CDS-PP quando Gualter Costa lhe colocou essa mesma questão, pois não sabia responder. Uma primeira ponte seria construída entre a Samugueira e São, aproveitando o facto de a estrada de São estar em bom estado e sabendo que há muita gente que precisa de uma melhor ligação Trofa-Ribeirão. Se houvesse possibilidade, a prioridade seguinte seria uma ponte entre a “Mabor velha” e o Hospital da Trofa.

Relativamente à variante, embora não abdiquem dela, diz que não é uma prioridade e que, a ser feita, não deve ser desviada do centro nem ser uma alternativa paralela à A3. As vias principais de cada freguesia e os seus estradões precisam de uma intervenção e dá o exemplo de Guidões, onde as ruas estreitas dificultam a circulação de veículos de maior dimensão, o que deixa a freguesia menos atractiva no que a cargas e descargas diz respeito.

Relativamente ao metro, e visto que Sérgio Humberto agora é deputado na Assembleia da República, gostaria de saber qual seria a postura dele sobre isto: se seguiria o mesmo chumbo do PSD e do CDS, ou se defenderia os interesses da Trofa. E também não sabemos se, perdendo as eleições, ele assumirá o cargo de vereador ou continuará como deputado.

Diz que o metro foi uma questão de opções, não de dinheiro. Em relação à actual Presidente da CMT, e também membro do Conselho de Administração da Metro do Porto, considera que “era dever dela tudo reivindicar, tudo fazer e tudo comunicar aos trofenses”. Critica a falta de comunicação deste executivo com os trofenses, para que estes estejam esclarecidos sobre as soluções que temos à nossa disposição.

Como trofense, gostava que já tivéssemos os Paços do Concelho, embora admita que existem outras prioridades mais fortes na actual conjuntura. Contudo, o BE considera que a fazer-se um investimento para os Paços do Concelho, esse devia ser para um edifício de raiz e que deve ser património da CMT, seja qual for a sua dimensão. Não são apologistas de umas “instalações provisórias versão 2.0” e como cenários possíveis aponta a antiga fábrica do Pinheiro, isso num cenário ideal e com demasiadas verbas à disposição e, num cenário mais realista, fala do Centro Comercial D. Pedro V, no centro da cidade, praticamente fora do seu tempo de vida útil. Propõe adquirir todas aquelas lojas, limpar o espaço e usar os três pisos, instalando todos os serviços aí. As condições arquitectónicas seriam melhores que as actuais “certamente”.

Quanto à cultura, diz que considera que a Casa da Cultura da Trofa não está acessível a quem trabalha, opinião que já fez chegar à actual Presidente, e que as traseiras do edifício também não estão a ser devidamente aproveitadas. Um pólo da Casa da Cultura também poderia ser implementado na estação do Muro, o que não prejudicaria a futura passagem do metro, e que levaria a cultura a mais locais.

A nível ambiental, salientou a necessidade de se resolver os maus cheiros que se sentem em Covelas e nos arredores e ainda lamenta um esgoto a céu aberto em pleno Parque das Azenhas.

Critica ainda os autarcas em geral, pois diz que não faz sentido que se “injecte” quatro mil milhões de euros num banco e que um município tenha um programa de ajustamento durante 20 anos. Pensa que os autarcas deviam unir-se todos e exigir soluções ao Governo, visto que são eles que respondem à população. Deviam ser mais activos.

Como objectivo desta candidatura, diz desejar eleger pelo menos um representante para os diversos órgãos a que estas eleições dizem respeito.

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 A minha opinião:

Há coisas que são de louvar no BE. O Bloco, embora não descarte as grandes obras como o metro, as variantes ou os Paços do Concelho, pensa, efectivamente, em todas as freguesias e faz do poder dos cidadãos e da sua inclusão na vida do concelho a sua bandeira. Não vê em Joana Lima, ou no PS, os seus únicos alvos a abater, mas vê antes um cenário mais amplo, envolvendo o actual executivo, o anterior e até os sucessivos Governos. Aqui, tal como no debate da RTV, coloca questões a Sérgio Humberto e algumas das críticas apontadas ao actual executivo diz que já as fez chegar à actual Presidente. Ou seja, não só incentiva os cidadãos a participarem activamente na vida do concelho, como ele próprio faz algo nesse sentido.

Porém, e como partido recente neste panorama político trofense, há algumas coisas que me parece que não conhece assim tão bem e o facto de menosprezar os estudos sobre projectos de grande envergadura, embora eu entenda que esses mesmos estudos saem caros, descredibiliza um bocado as ideias do BE, que aparecem assim como meras sugestões, e não como certezas.

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