Coincidências? Não, é apenas a estratégia rasteira do costume.

Coincidência ou não, à medida que se aproxima a data das eleições autárquicas, intensifica-se o aparecimento (ou ressurgimento) de dados polémicos sobre as forças políticas em disputa. Os visados são exclusivamente do PS e do PSD (com a excepção dos cartazes do MIT e da JP que foram recentemente vandalizados), o que nos permite imediatamente concluir a origem dos ataques. E, como de costume, reina o anonimato. Vejamos dois exemplos:

1. No passado dia 7 de Setembro, O Público noticiava que a Procuradoria-Geral da República teria recebido uma denúncia anónima que dava conta de uma situação embaraçosa na Junta de Freguesia de São Mamede do Coronado a envolver o actual presidente (e candidato à União de Freguesias do Coronado pelo PS), o seu tesoureiro e “desvio de verbas e facturas falsas“. Aparentemente, já muitos tinham conhecimento desta situação. E se assim era, de onde vem esta denúncia, porquê o anonimato e, principalmente, porquê agora?

2. O contrato de trabalho do candidato pela coligação Unidos pela Trofa (UPT), do tempo em que assessorava Bernardino Vasconcelos na CMT, tem sido também alvo de movimentações do submundo político dos anónimos. Apesar do valor salarial e do horário de trabalho serem do conhecimento da generalidade dos trofenses há muitos anos, opositores de Sérgio Humberto têm utilizado as redes sociais para espalhar uma cópia do seu contrato de trabalho onde constam dados pessoais confidenciais (o que diz muito sobre o carácter da pessoa que o está a espalhar e que não teve sequer o cuidado de apagar o nº de BI ou de Contribuinte do visado). Um desses anónimos publicou, em diferentes artigos deste blog, um link para uma digitalização do dito contrato.

Neste caso, às questões relativas à situação sobre a JF de São Mamede eu acrescentaria: onde será que este anónimo “independente” foi buscar esse contrato? Será que um contrato de trabalho com dados pessoais pode ser obtido com este nível de facilidade? Ou terá este anónimo um certo nível de “acesso”? É a ideia que fica. E se houve fuga de informação classificada da CMT, então estamos perante uma situação extremamente grave a envolver uma parte interessada no denegrir da imagem pública de Sérgio Humberto e que nos deve preocupar a todos. A informação confidencial alojada na CMT poderá não ser segura e a protecção de dados permeável. Isto deve-nos preocupar a todos!!!

Quem são estas pessoas e quais são os seus objectivos? Serão palandinos defensores da democracia que pretendem apenas e só apresentar “a verdade” à população trofense ou escória política rasteira que procura “lucrar” da destruição da credibilidade de opositores políticos? Será que eles acreditam mesmo que nós acreditamos que isto é tudo uma coincidência que acontece sempre que há eleições? E os perfis falsos no Facebook? E os anónimos denunciados? O que se passa com esta gente? Será que vale mesmo tudo? Parece que sim. A ambição doentia pelo poder transforma pessoas em monstros.

O mais irónico no meio de tudo isto é que muitos destes monstros políticos que praticam este jogo rasteiro são os mesmos que atacam outros por exprimirem a sua opinião quando a mesma não reflecte os seus interesses. São moralistas com discursos ensaiados sobre “sentido de responsabilidade” ou “causa pública”, fazem teatro medíocre com processos de vitimização à mistura que apenas existem nas suas cabeças e ainda nos tomam a todos por idiotas.  Reservam para si o direito de atacar, de todas as formas possíveis, com ou sem argumentos, com ou sem educação, mas quase sempre sem um pingo de imparcialidade. São pessoas movidas pelo poder e pela ganância que não olham a meios para atingir os seus fins. E não nos deixemos iludir: nós somos TODOS irrelevantes para eles.

A rede é uma “faca de dois legumes” (versão Jaime Pacheco) nas mãos do poder político. Tem permitido aos mais organizados explorar um novo segmento de campanha (que no caso da coligação tem sido rentabilizado com mestria), orientado para um público mais “jovem”, onde se encontra uma fatia fundamental de indecisos e abstencionistas que podem mudar o rumo de qualquer eleição, principalmente com o nosso historial de desfecho tangencial.

Porém, há muito quem se enterre na rede. Uns enterram-se por excesso de confiança, outros por erro de cálculo e outros ainda apenas e só por pura ingenuidade. Lembrem-se disso quando avaliarem os resultados no dia 29. Eleição alguma está ganha antes da população ir às urnas. Não subestimem a inteligência do cidadão comum.

Advertisements
This entry was posted in Autárquicas 2013 and tagged , . Bookmark the permalink.

4 Responses to Coincidências? Não, é apenas a estratégia rasteira do costume.

  1. Anonymous says:

    Subscrevo no essencial as ideias defendidas no texto. Contudo discordo quando afirma “nós somos TODOS irrelevantes para eles”. Conheço cidadãos pessoal e politicamente honestos interessados ou a exercer responsabilidades políticas. Quero acreditar que outros há, que não serão do meu círculo de relações. Por isso recuso a diabolização dos políticos e da política. Eu sei que os tempos não estão fáceis. Sei que a minha geração falhou socialização das novas gerações com responsabilidades partilhadas entre as famílias, a escola e as lideranças políticas. É urgente credibilizar a ação política, a arte de bem cuidar da coisa pública, da vida da polis. O que se pasa na rede sobretudo postado por anónimos, algo que abomino. conheço algunsdos mentores desa capanha vergonhosa, fascista, que visa apenas a conquista do poder para o usar em proveito próprio. Alguns dos istrumentos dessa estratégia, se por hipótese teórica os seus mentores conseguirem o seu objetivo, serão as primeiras vítimas a bebero fel que a outros deram a provar.

  2. Subscrevo no essencial as ideias defendidas no texto. Contudo discordo quando afirma “nós somos TODOS irrelevantes para eles”. Conheço cidadãos pessoal e politicamente honestos interessados ou a exercer responsabilidades políticas. Quero acreditar que outros há, que não serão do meu círculo de relações. Por isso recuso a diabolização dos políticos e da política. Eu sei que os tempos não estão fáceis. Sei que a minha geração falhou socialização das novas gerações com responsabilidades partilhadas entre as famílias, a escola e as lideranças políticas. É urgente credibilizar a ação política, a arte de bem cuidar da coisa pública, da vida da polis. O que se passa na rede sobretudo postado por anónimos, algo que abomino. Conheço alguns dos mentores dessa campanha vergonhosa, fascista, que visa apenas a conquista do poder para o usar em proveito próprio. Alguns dos instrumentos dessa estratégia, se por hipótese teórica os seus mentores conseguirem o seu objetivo, serão as primeiras vítimas a beber do fel que a outros deram a provar.
    Voltei a escrever pois percebi que o meu comentário aparecia anónimo. Por isso o volto a repetir. Já agora acrescento uma ligação para uma página com o meu currículo sumário: http://norumocerto.yolasite.com/perfil.php

    • Silvéria Miranda says:

      Numa coisa concordo consigo, Manuel. Os partidos políticos não são todos iguais e mesmo dentro do mesmo partido há pessoas para todos os gostos. O problema é quando as menos boas sobressaem mais que as melhores e mais produtivas. E é isso que, entre outros factores, descredibiliza a acção política.
      Quanto aos anónimos, que abomino tanto ou mais que o senhor, lamento dizer-lhe, mas também se encontram no seio da candidatura de que faz parte.

  3. João Mendes says:

    Caro Manuel Rodrigues da Silva,

    Antes de mais quero saudá-lo pela frontalidade e agradecer a sua presença. Quero também aproveitar para assumir aqui sem rodeios que fui excessivo quando disse “para eles somos TODOS irrelevante” mas também acrescentar que não mudaria para muito diferente de “para a esmagadora maioria deles somos TODOS irrelevantes”. Um exemplo que lhe posso dar e o elemento da sua equipa Mário Duarte que reagiu a uma publicação neste blog com insultos e chacota sobre a minha colega Silvéria Miranda quando esta publicou um texto que falava sobre o facto da inauguração do Parque das Azenhas ter sido precoce e eleitoralista, algo que ficou provado pelo facto da “fase” inaugurada estar manifestamente incompleta. Tentei confrontá-lo ontem com este facto mas aparentemente esse senhor é demasiadamente arrogante para perceber que errou e pedir publicamente desculpa à minha colega. Um excelente exemplo democrático por parte da lista do PS à CMT. Se ele não tem humildade para isso então que haja um adulto na equipa do PS que o faça.

    Se os políticos são diabolizados penso que tal seja culpa apenas e só dos mesmos. Coloque-se no lugar da minha geração: eu tenho mais dois irmãos, formados e bem instruídos, a quem o país virou as costas. Um deles, agora em Itália, ocupa uma posição de relevo numa empresa de renome internacional e o outro, farto de ver portas fechadas irá abandonar o país dentro de duas semanas para trabalhar noutro país noutra empresa de renome internacional. Aqui não há lugares para eles mas aparentemente existem multinacionais de sucesso onde há. Por oposição vamos assistindo aqui na Trofa (e em Portugal) à política do tacho. Não importa se somos competentes porque não partimos em igualdade de circunstâncias: parte à frente quem tem o cartão partidário certo o que, no caso actual da Trofa, vem a ser o cartão do PS ou da JS. E que têm os tachistas da JS mais que os meus irmãos ou do que tantos outros amigos licenciados e doutorados daqui da Trofa? Isso mesmo, o cartão partidário. O cartão partidário e o facto de saberem abanar a bandeira certa. Em certos caso nem é preciso tanto, basta ser mesmo da família da presidente. É deprimente saber que um dos critérios de topo da selecção de quem tem ou não direito a emprego na função pública do meu concelho não é a competência ou nível de formação mas este tipo de critérios enviesados que apenas passam a ideia de que se está a pagar algum favor.

    Quanto aos anónimos, algo em que estamos de pleno acordo, o que lhe parece haver um anónimo que colocou na rede o contrato de trabalho do Sérgio Humberto enquanto avençado da CMT, por muito obsceno que o mesmo possa ser? Não lhe parece preocupante que a CMT seja permeável ao ponto de permitir este tipo de fuga de informação em cima de umas eleições e numa situação em que a chefia tem óbvios interesses directos no denegrir da imagem do visado? E, apenas por curiosidade, sabe de onde “emite” um destes desprezíveis cobardes? Da Trofáguas. Palavras para quê? De resto concordo consigo, e não tenho a mínima dúvida que quem decidiu percorrer este caminho baixo, medíocre e fascista pagará pelos seus erros. E espero que pague um preço elevado porque os partidos sabem quem eles são.

Deixa aqui o teu comentário...

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s