Estratégias de comunicação à Esquerda e à Direita

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Um pouco por todo o concelho, temos assistido a diversas iniciativas levadas a cabo pelos diferentes partidos que se candidatam nestas autárquicas. Porém, uns destacam-se mais que outros. Se, por um lado, temos o MIT que parece ainda não ter entendido a importância da comunicação no século XXI (o que não é necessariamente mau), e o BE e a CDU que enfrentam o problema da falta de recursos financeiros para mais e também se mostram contra a ideia de “pagar votos”, por outro temos PS e PSD/CDS-PP com as suas máquinas de comunicação montadas. Bem ou mal, mas montadas.

O Primeiro de Maio último marcou a diferença. Eu própria defendi que, depois das cenas mal contadas e que até violência envolveram, quem quisesse ganhar estas eleições tinha de pôr um travão nos seus jovens militantes. Não me enganei. A JSD está calada, caladinha, e a JS, que até costumava ser mais moderada no seu discurso e mais activa nas explicações públicas, também tem vindo a intervir menos. No caso da JSD, aliás, basta estar atento à sua página no Facebook para perceber que algumas das respostas que têm sido dadas aos visitantes da página não podem ter sido escritas pelas mesmas pessoas do pré-Primeiro de Maio.

O PS tinha uma vantagem que era, ao mesmo tempo, uma desvantagem. O facto de a sua candidata ser a actual Presidente da Câmara fá-la estar mais próxima das pessoas, atrai atenções para si e estando presente em tudo que é iniciativa da autarquia isso traz-lhe visibilidade. Essa visibilidade pode ser boa, mas também condiciona muito a sua actividade. Um passo em falso e toda a gente estará atenta. Pesa também o facto de ter prometido, quando foi eleita há quatro anos atrás, algumas coisas que não cumpriu (exemplo).

No caso dos outros partidos, nenhum dos seus candidatos fez parte do anterior executivo, podendo falar de consciência “tranquila”. Apenas Sérgio Humberto, actual candidato da coligação PSD/CDS-PP, ocupou um cargo de assessor para o desporto e a juventude no anterior executivo, mas tal aconteceu num curto espaço de tempo (bem remunerado) e permite-lhe “lavar as mãos” quando lamenta os erros do PSD no passado (algo a que o CDS-PP é alheio).

No caso do PS, tudo começou muito bem com as caminhadas ao domingo de manhã e aulas desportivas gratuitas no recinto da estação da Trofa. O dinheiro disponível para a (pré)campanha eleitoral, que é sempre gerido como os partidos entendem e sujeito a julgamento do público em geral, parecia estar empregue em algo mais proveitoso que a distribuição de canetas e aventais. Além disso, o desporto era para todos e, no caso das caminhadas, ia até todos. A iniciativa só culminou com aquela que considerei a prematura inauguração do “Parque” das Azenhas (aqui e aqui), mais uma obra que, coincidência ou não, se mostrou semi-concluída a poucas semanas das eleições. Além disso, iniciativas despesistas começaram a acontecer um pouco por todo o concelho: jantares, concertos de cantores portugueses conhecidos e ainda um camião ruidoso e que afectava o trânsito. Relembro que dentro do PS Trofa existem pessoas que passaram quatro anos, durante as suas funções no Executivo, a usarem o argumento da falta de verbas para não se fazer mais e melhores coisas no concelho, e que salientam também a importância de reduzir os gastos e evitar o despesismo. Cada partido gasta o seu (às vezes “nosso”) dinheiro como bem entende, mas tal não é bem visto sobretudo na actual conjuntura económica e financeira.

Do outro lado da barricada, a coligação PSD/CDS-PP, embora não abdicasse de alguns comícios regados a boa comida e boa bebida e com Augusto Canário e Ana Malhoa como música de fundo, optou por evitar tanto despesismo e lançou, inclusivamente, as suas considerações sobre isso num comunicado: “(…) foi decidido não usar nesta campanha de 2013 o referido camião, uma vez que o custo do mesmo não se adequa aos tempos em que vivemos e nos quais se deve, em nosso entender, evitar acções de campanha que promovam a ostentação e despesismo.” Gostaria era de ter visto este raciocínio quando decidiram encher a nossa Trofa de outdoors de grandes dimensões em tudo que é sítio. Além disso, uma boa jogada recente foi terem anunciado que no último dia de campanha eleitoral, 27 de Setembro, irão fazer um comício/festa de encerramento mais virado para a juventude e que contará com a presença das bandas e DJ do concelho que aceitarem o convite (será que terá mais gente que a Semana da Juventude?).

No que ambas falharam foi no facto de virem, durante as últimas semanas, até nossas casas apresentarem-se como candidatos e não falarem sobre aquilo que prometem/gostariam de ter no concelho sem serem questionados sobre tal. Os programas eleitorais (que pecaram por tardios, sobretudo o socialista) não faziam parte da visita e tal não se justifica em estruturas partidárias desta dimensão. Mesmo fora do período eleitoral oficial, há sempre formas de contornar as regras, e volto a dar o exemplo dos outdoors, que nos massacram há meses.

Todos os partidos apostaram nas redes sociais (PS e PSD/CDS-PP usaram e abusaram das fotografias com crianças e idosos), mas a coligação foi, a meu ver, mais eficaz nesse sentido, pois apostou na partilha até de vídeos, de citações, de notícias abonatórias, e teve ainda o cuidado de medir bem as palavras usadas nas farpas que ia mandando ao actual executivo. O debate na RTV prejudicou a candidata do PS, uma vez que esta não só não esteve presente para se defender, como os outros quatro participantes foram lançando umas farpas aqui e ali sobre este Executivo e ninguém estava lá para contrapor. Dos quatro participantes, Sérgio Humberto era, nitidamente, o melhor preparado, sem papeis de suporte e tratando a moderadora do debate pelo nome próprio, como se aquela fosse uma conversa informal.

Aquém das (minhas) expectativas ficou a Juventude Popular, da qual esperava mais participação tendo em conta que o partido que lhe está por trás está fortemente envolvido no hipotético futuro da Trofa. Já JSD e JS fizeram jus ao seu primeiro nome e apostaram na juventude, desejando eu que este ritmo de actividades se mantenha daqui para a frente (a JS decidiu ajudar os Bombeiros Voluntários da Trofa, num desses eventos, o que toda a gente agradece).

A mais recente falha do PS foram os insultos proferidos aos moderadores deste blogue, por parte de alguns dos seus apoiantes, o que em nada enaltece a Esquerda e os seus valores, numa clara tentativa de tentar menosprezar as opiniões que não lhes são favoráveis. Quem gostou de todo esse alarido nas redes sociais foi, como era de esperar, a oposição em geral e a Direita em particular que calada tem sempre mais a ganhar, pois em boca fechada não entra mosca.

Faltando poucos dias para o término da campanha eleitoral, veremos que água correrá debaixo desta ponte e o que nos esperam as urnas no dia 29… As entrevistas feitas aos cinco candidatos pela TrofaTv (e que ainda não vi) poderão acrescentar algo de novo ao actual cenário mas eu, pessoalmente, espero que, ganhe quem ganhar estas eleições (e espero, sinceramente, que ganhe o/a melhor!), todos continuem assim empenhados no e pelo concelho, até porque todos mostraram já ter algo positivo a acrescentar.

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4 Responses to Estratégias de comunicação à Esquerda e à Direita

  1. Jesse Pinkman says:

    Mas o PS tem estratégia de comunicação? Não sabia.

  2. Mónica says:

    Muito bom! Parabéns, Sílvéria. Haja alguém que entenda alguma coisa de política 🙂 Blogue para seguir, com toda a certeza!

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