O tão aguardado programa eleitoral da coligação PSD/CDS-PP

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Os tão aguardados programa eleitorais de todos os candidatos, à excepção do Bloco de Esquerda que já apresentou o seu há algum tempo, começam, finalmente, a aparecer. Comecemos pelas propostas da coligação “Unidos pela Trofa”, apresentadas esta quinta-feira ao mundo, e que são pensadas para um horizonte de 10 anos. Logo no seu início, nem parece tanto um documento da autoria de PSD e CDS-PP, porque faz uma clara alusão à dívida deixada pelo anterior executivo e quase que se desculpam pelos erros do passado. Depois, e quero que guardem bem esta frase para vocês, dizem que “Nós sabemos muito bem ao que vamos.”. Se a coligação ganhar estas eleições, espero não ouvir/ler depois, como aconteceu em 2009, queixas sobre dívidas que desconheciam ou coisas que depois de eleitos vão ter de fazer diferente.

Quanto às medidas, para além de algumas mais esperadas como a aposta nas grandes acessibilidades, o apoio às associações, a volta da Semana da Juventude, o baixar de certas taxas (como a derrama), a conclusão da rede de água e saneamento (tudo que sempre criticaram no actual executivo) ou a criação do pólo industrial, outras medidas me parecem merecer algum destaque:

Economia: dinamizar o comércio local (nomeadamente através de animação de rua, melhor estacionamento e aposta em campanhas publicitárias), procurar proporcionar experiências profissionais aos jovens trofenses em empresas da Trofa;

Apoio social: garantir refeições às crianças e medicamentos aos idosos, ceder equipamentos (como camas articuladas a cadeiras de rodas), apoiar/aconselhar as famílias sobreendividadas, organizar convívios e passeios para os deficientes e criar condições para que cumpram a escolaridade obrigatória, promover rastreios orais e oftalmológicos, promover a doação de computadores que não estão a ser usados a quem não tem condições para comprar um, ensinar os seniores a utilizarem a internet (cuidado com o que desejam!), criar um centro de explicações gratuito em regime de voluntariado (com professores reformados, jovens licenciados, etc.), entregar um kit de material escolar aos alunos mais necessitados do 1º. ciclo;

Cultura: descentralizar as actividades culturais, criar centros de documentação especializados, realizar de colóquios sobre a História do concelho, valorizar o Castro de Alvarelhos, criar o auditório cultural da Trofa, promover a produção escrita sobre a Trofa;

Desporto: fomentar o gosto pelas actividades ao ar livre (criação de zonas para o efeito com os devidos equipamentos), criar as jornadas desportivas para os idosos e para os deficientes;

Juventude: criar zonas públicas com wi-fi, criar o prémio Skate Park, criar a Bolsa de Emprego Jovem e a Feira Anual de Emprego e Empreendedorismo, dinamizar os espaços de diversão nocturna para que os jovens possam consumir no concelho, criar o Conselho Municipal Jovem (o que incluiria as juventudes partidárias, no plural);

Segurança: regular a iluminação pública de acordo com o movimento e não o seu corte total durante largos períodos, melhorar a manutenção de passadeiras, passeios, sinalética, etc., criar o Grupo de Voluntários da Protecção Civil;

Ambiente: criar o canil intermunicipal, promover a limpeza de matas e florestas durante todo o ano, apoiar a criação de hortas comunitárias e sociais, apoiar a instalação de painéis solares, alargar a rede de ecopontos, registar e proteger as espécies autóctones, criar a feira de produtos biológicos da Trofa, promover a circulação pedonal e de bicicleta através da criação de ciclovias (sim, está escrito no plural);

Turismo: apostar no património natural (fazendo caminhadas, BTT, etc.), religioso, gastronómico, arqueológico, etc. e divulgá-lo, lançamento de três rotas turísticas (Rota dos Santeiros, Rota dos Caminhos de Santiago e Rota dos Agricultores), trazer o Festival do Norte para a Trofa, criar a Loja interactiva de Turismo e disponibilizar informação multilingue;

Além destas propostas, a coligação promete resolver a questão da delimitação geográfica do concelho e não só descentralizar, como também transmitir via web as sessões da Assembleia Municipal.
Depois de ter lido este programa eleitoral, três coisas me ficam na cabeça: equipas especializadas, financiamento público e voluntariado. Parece-me que são três conceitos subjacentes a grande parte das ideias e penso, até, que estas equipas especializadas/conselhos consultivos que propõem criar para vários fins deviam ter na sua constituição membros trofenses que tivessem capacidades para ocupar tais cargos, uma vez que tinham ainda como motivação extra o facto de poderem usufruir muito de perto daquilo que conseguissem trazer para cá. É bem reforçada a questão do financiamento público e da necessidade de concorrer a este para tornar possível certas obras no concelho, o que não me espanta nada tendo em conta a dimensão de certas coisas que propõem.

Contudo, fiquei com algumas dúvidas:
– prometem pensar na “melhor solução financeira” para os Paços do Concelho – parece-me vago. Para quem diz estar tão informado, e mesmo tratando-se de um assunto muito sério, isto não me diz nada;
– propõem criar um posto da PSP na Trofa e deslocar o da GNR para a Vila do Coronado, bem como criar uma extensão dos Bombeiros para a Vila do Coronado – tal como disse relativamente ao BE, não percebo qual a necessidade e a sustentabilidade de termos tantas entidades diferentes num concelho tão pequeno.

Para concluir, deixo-vos duas citações deste documento para que reflictam sobre elas:

1. “Zelaremos permanentemente pela eficiência financeira, pela contenção de custos com constante aperfeiçoamento e eliminação de gastos dispensáveis, a todos os níveis.”

2. “(…) pedimos a quem se disponibilizou para colaborar que nos transmitisse as suas ideias, fomos ver o que outros fizeram e perceber como o fizeram e não deixamos de estar atentos ao que, na Trofa, se escreve sobre as diferentes matérias em análise e que pretendíamos que fizesse parte do nosso programa e estratégia futura para o concelho.”

N.B.: Esta é uma leitura pessoal e uma interpretação minha. Para mais informações, os documentos oficiais e aqui citados devem ser sempre consultados.

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